FRANK MILLER E O DISCURSO INTERNO: UMA TESE

[NFN DIÁRIO #184]                                        * * *                                                [6/3/2013]


Pepo Pérez, que agora eu sei que se chama na verdade Juan Carlos Pérez Garcia, publicou um artigo na Revista de Filologia da Universitat D'Alacant sobre o Discurso Interior nos gibis de Frank Miller [+] -- isso é o título, e o "discurso interno" é o monólogo, RECURSO tipicamente MILLERIANO [autor sobre o qual Pérez escreveu a sua tese de doutorado, se você está atrás de CREDIBILIDADE ACADÊMICA].

Você encontra uma PRÉVIA do artigo no blogue de Pérez, Es Muy de Cómic, e a íntegra no site da revista [que se chama Ítaca, por sinal]. 

Ficamos com os ANTECEDENTES HISTÓRICOS da TÉCNICA...

Mas antes de Miller e Moore, na Marvel dos setenta, roteiristas como Don McGregor [+] e Doug Moench evitaram igualmente o uso de balões de pensamento para expressar o discurso interno dos personagens, usando no seu lugar os textos de apoio retangulares, frequentemente entre aspas. Assim, aplicavam ao gibi de ação e super-heróis um recurso bastante conhecido entre os gibis românticos e os de crime dos anos cinquenta, mas principalmente pretendiam evocar o aroma dos livros noir e de espiões narrados em primeira pessoa. A intenção principal era dar maior complexidade e tonalidades diferentes ao universo super-heroico para levar-lo a uma dimensão mais adulta, coerente com a idade crescente de seus leitores, e nessa missão o discurso interno retornou aos textos de apoio, em detrimento dos balões de pensamento. O trabalho dos mencionados roteiristas foi anterior ao de Miller; de fato, no caso das histórias escritas por McGregor na primeira metade dos anos setenta para Black Panther [...], parece existir uma influência mais global: se tiramos do Pantera Negra de McGregor os seus sentimentos de "dúvida e ceticismo, é um herói puramente milleriano, submetido a um impulso imperativo de fazer o que é justo por cima de qualquer satisfação pessoal".

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