ALEX TOTH: EXPLICADO

[NFN DIÁRIO #189]                                        * * *                                                [13/3/2013]

Estou no final da leitura de Setting the Standard, coletânea publicada pela Fantagraphics [e organizada pelo onipresente Greg Sadowski] com as histórias que Alex Toth [+] desenhou para a editora Standard [daí o trocadilho do nome] entre 1952 e 1954 -- é, portanto, o trabalho de um Toth em seus inícios, e nele se pode perceber uma evolução. 

Isso poderia servir de fundamento para mais uma entrada de PARA OS FORTES, mas Jesse Hamm, no seu Live Journal [pausa para você ficar assombrado porque alguém ainda usa o Live Journal] fez esse trabalho para nós.

Em dois artigos, Hamm descreveu a evolução no traço de Toth, as suas características, e como esse coloca em prática os seus PRINCÍPIOS NORTEADORES: "claridade, simplicidade, economia". No primeiro, comparou o traço de Toth com o de diversos outros desenhistas [Jack Label, Berni Wrightson [+] e Alex Ross [+]], para mostrar o uso de linhas em curva e o processo de "transfer" ["uma linha se transfere quando suavemente muda de direção ou quando se funde com outra linha em uma direção parecida", mais ou menos assim]. Vamos à análise:




O melhor seria que o senhor ampliasse essa foto, mestre.

Toth frequentemente deixa a sua linha "continuar" em arcos uniformes e linhas retas sobre os limites de um objeto, como se dissesse "isso é essencialmente o mesmo objeto". A sua linha frequentemente passa através de lugares nos quais pequenas interrupções aconteceriam na vida real, como em rugas e saliências na roupa ou na anatomia, porque ele quer que a sua informação crua (a linha) dê enfase na unidade narrativa do objeto [...]

No segundo, ABUNDANTE em ilustrações [noutras palavras: clique no link e você pelo menos verá IMAGENS BONITAS], Hamm comenta a informalidade do traço do Toth maduro, com o seu traço mais solto e menos detalhado. A comparação, agora, é entre Toth e Burne Hogarth:


Ainda que a folhagem seja densa em cada uma das imagens, as linhas de Toth parecem aleatórias, o que nos permite não dar a elas muita atenção, enquanto as linhas de Hogarth parecem deliberadas e exigem a nossa atenção. Então a informalidade do traço de Toth diminui o trabalho que nós temos ao interpretar a sua imagem, ainda que cada uma dessas imagens acima tenha basicamente o mesmo número de informação bruta (o número de linhas) e informação narrativa ("heróis e folhagem").

                  

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