MASTER RACE, DE BERNARD KRIGSTEIN: "UMA FAÇANHA, UMA OBRA MAESTRA"



[MEMÓRIA#23/OURO PURO#10]              * * *                                                    [26/2/2013]

Na semana passada, narrando as CONTROVÉRSIAS RESENHÍSTICAS levantadas pelos recentes encadernados da Fantagraphics para os gibis da EC Comics, transcrevi um trecho de um artigo de Ng Suat Tong que, por sua vez, se remetia a outro de Art Spiegelman [+] sobre a história Master Race [+], de Bernard Krigstein [+] [que começou a sua carreira como um PINTOR EM PARIS: o que você viu aí em cima é um auto-retrato].

Não seria ÉTICO da minha parte não desenvolver essa QUESTÃO em uma postagem própria acompanhada da própria Master Race, história digna de ser qualificada como OURO PURO.

Começo voltando ao comentário de Ng Suat Tong, um fiel retrato de sua MIOPIA CRÍTICA:

Master Race é uma revolucionária façanha técnica que ilustra sentimentos banais. Está entrincheirado em uma hipersensibilidade que emana das glândulas protetivas de adultos conservadores que não conseguem se livrar de uma adesão desesperada a finas judicialmente felizes tão típicos da linha da EC como um todo. No mundo de faz de conta de Feldstein e Krigstein, a vingança é consistentemente possível e satisfatória. Master Race é um conto de fadas enganoso onde um judeu tem a oportunidade de ser um Simon Wiesenthal vingador, e onde os nazistas não apareceram ricos e saudáveis no cenário político austríaco ou como homens de negócio de meia-idade na França. Tudo isso é perfeitamente adequado para uma história infantil mediana, mas não para uma das melhores obras já criadas em quadrinhos.

Tong provavelmente estava falando de um ensaio sobre Master Race que Spiegelman escreveu para a revista Squa Tront, especializada em gibis da EC. Esse não foi,  no entanto, o único que dedicou a essa  "revolucionária façanha técnica": tocou no assunto, pra começo de conversa, nessa entrevista para Rafael Pi Roman, do NY Voice:
Super-Mouse ao resg... não, peraí, esse é outro.

Para mim, especificamente, quando cresci existiam os gibis da chamada EC Comics, mais conhecida por TALES FROM THE CRYPT, THE VAULT OF HORROR e MAD COMICS. Mas eles também tinham um gibi chamado Impact. E, em Impact, em 1954, foi publicada uma história em quadrinhos de oito páginas feita por um cara chamado Bernard Krigstein, chamada de Master Race. E tanto graficamente, quanto no que se refere nas divisões do quadrinho, e definitivamente no que se refere ao assunto, 10 anos depois dos eventos descritos, foi uma das únicas coisas a lidar e reconhecer o Holocausto na cultura popular. E a história fez isso ao mesmo tempo em que o arista estava ampliando a forma pela qual os quadrinhos podiam fazer o que eles faziam, usando um tipo diferente de gramática visual do que a que a maioria dos quadrinistas estava usando. Então isso teve um grande impacto em mim.

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Spiegelman tratou do TEMA de forma mais detida na revista New Yorker, em julho de 2002, em um artigo sobre Kriegstein que partiu do lançamento do primeiro filme do Homem-Aranha de Sam Raimi:

Qualquer um que esteja interessado em atravessar a cada vez mais estreita divisão entre Alta e Baixa cultura deve contemplar o trabalho e a agitada carreira de Bernard Krigstein (1919-90), um desenhista de quadrinhos do pós-guerra que teve o privilégio e o azar de ser um artista com "A" maiúsculo, trabalhando em uma forma de arte que se considera apenas um negócio. Krigstein nunca esteve associado com um personagem específico (o bilhete mais certo para o sucesso nos quadrinhos), e nunca escreveu uma história própria (uma falha em um meio narrativo). Ele não era amado pelos editores ou pelos leitores. Qualquer que seja a sua reputação, ela tem por base um punhado de histórias curtas que ele desenhou em 1954 e 1955 para a EC Comics (os caras que fizeram a Tales from the Crypt e Mad), mas uma dessas histórias, Master Race, foi uma grande façanha, uma obra maestra.









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