ALAN MOORE: "VEIDT É UMA ANALOGIA: PESSOAS ARROGANTES COM BOAS INTENÇÕES"

[NFN DIÁRIO #174]                                        * * *                                                [13/2/2013]

Christian Lehmann, no seu próprio blogue, desencavou uma entrevista que fez com Alan Moore [+] em 1987, para o lançamento de Watchmen [+] na França [com tradução de Jean-Patrick Manchette [+]...]. 

Algumas respostas, colocadas em perspectiva, são engraçadas: Moore, no final das contas, é um hippie anti-sistema que sabe escrever muito bem e um verdadeiro poço de contradições: começa a entrevista em MODO AMBIENTALISTA FIM DOS TEMPOS [pelas suas palavras, o futuro nos guardava "catástrofes nucleares como Chernobyl" a cada "4 ou 5 anos" e, para 2027, o fim de todas as florestas do mundo] para, respostas depois, reclamar da "mentalidade apocalíptica". 

Mas Moore é um excelente escritor, talvez um dos melhores da história dos quadrinhos, e sabe que parte disso é devido precisamente ao fato dele não ser um PIRADO [muito] PANFLETÁRIO [nas suas próprias palavras: "eu não seria um bom escritor se tudo que eu escrevesse refletisse os meus preconceitos"]. Aí eu recomendo que você DESVIE da parte "Margaret Thatcher é uma fascista" da entrevista [para saber sobre isso, recomendo LIVROS DE HISTÓRIA] e fique com O MÉTODO:

Veidt? Bom. Ele é o outro lado da moeda de Rorschach, um cara de direita que é o mais íntegro de algumas formas; Veidt é um liberal e, de algumas formas, é o maior dos monstros. Isso foi outra tentativa de equilibrar os meus próprios preconceitos: seria fácil para mim fazer o Rorschach ser o vilão e fazer esse super-herói loiro e liberal salvar o dia. Queria usar Veidt como uma analogia: pessoas arrogantes com boas intenções. Existem muitos níveis de analogia em WATCHMEN, mas um dos níveis relacionados a Adrian Veidt é um que nós damos uma pista em uma das primeiras páginas, onde Rorschach menciona o Presidente Truman e depois no Capítulo Quatro onde nós fazemos ele falar sobre Hiroshima, na parte de texto no final da edição de Rorschach, onde Rorschach diz que ele acha que Truman fez a coisa certa em detonar a bomba em Hiroshima porque mais pessoas teriam morrido se ele não tivesse feito isso. A tese de Veidt é antiga, você vê. Ela é que não tem problema em cometer uma atrocidade se o fim justifica os meios. A única diferença com Adrian Veidt é que ele não fez isso em um país longínquo cheio de pessoas amarelas; ele fez isso no meio de Nova Iorque.

                  

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