"PASSA A IMPRESSÃO QUE ELLIS NÃO QUERIA ESCREVÊ-LA COMO UM GIBI APENAS PORQUE IMAGENS TERIAM DEIXADO A AÇÃO MAIS LENTA"

[NFN DIÁRIO #150]                                        * * *                                                [8/1/2013]

Warren Ellis [+] lançou seu livro novo, Gun Machine, no início desse ano [os direitos para uma eventual adaptação para a televisão já foram vendidos para a Fox faz quatro meses. REFLITA], o que implica em RESENHISMO.

Abrimos os trabalhos essa resenha de Phil Dyess-Nugent, do AV Club:

Em seu livro sobre a história da Marvel Comics [+], Sean Howe [+] destacou que a prática de escrever diálogos de histórias em quadrinhos em letras maiúsculas  com pontos de exclamação no final de cada frase, vem dos dias em que o processo de arte-finalização era tão tosco e inconfiável que não havia outra forma de garantir que as palavras seriam legíveis. Mas enquanto esse estilo é agora um anacronismo, alguns escritores, como Warren Ellis (The Authority, Transmetropolitan, Global Frequency), ainda fazem questão de usá-lo. No mundo de Ellis, tudo é em maiúsculas  o tempo todo, e qualquer personagem que consiga pedir um café de uma forma que não exija pelo menos um ponto de exclamação é um estraga-prazeres. Gun Machine, a segunda novela em prosa de Ellis, tem exatamente o mesmo estilo e espírito de suas hqs; como a primeira novela, Crooked Little Vein, passa a impressão que Ellis não queria escrevê-la como um gibi apenas porque imagens teriam deixado a ação mais lenta.

Charles McGrath, do New York Times, não viu todas essas referências quadrinísticas -- mas também mostrou certa FALTA DE CRITÉRIOS:

O sr. Ellis, autor britânico que tem um thriller prévio, "Crooked Little Vein", era um bem sucedido e conhecido escritor de quadrinhos e novelas gráficas antes de se voltar para a ficção em prosa (o mais conhecido entre eles é provavelmente "RED", que virou um filme estrelado por Bruce Willis e Helen Mirren). Não existe nada com cara de quadrinhos em sua escrita, no entanto, que corre de um jeito hard-boiled, e o mundo da novela é mais estranho e violento do que cartunesco. Periodicamente, Tallow liga o seu rádio sintonizado na frequência da policia, e o que ele escruta é um catálogo de caos e atrocidades: estupros  assassinatos, desfigurações, membros explodidos que voam pelas janelas. "é como um pornô de desastre ou algo", algum outro policial comenta.

Mas o mundo que Tallow habita também tem humor negro. No seu bar local, por exemplo, uma cópia de um pub irlandês, o barman seda os clientes mostrando para eles manchetes de lutas de sumô. "Os caras são putas viciadas em crack do sumô. Tenho irlandeses gigantes gritando para a TV em japonês", ele explica, acrescentando que assim eles não lhe dão problemas. Tallow encaixa tão bem lá que, embora seja um frequentador assíduo, nunca é reconhecido.

Mais uma? Mais uma, então: essa, de Darren Richard Carlaw, do New York Journal of Books:

O autor inglês Warren ellis entende Nova Iorque como palimpsesto de várias camadas. Em sua excelente última novela, Gun Machine, ele se propõe a meticulosa tarefa de escavar camada depois de camada da cidade, desencavando uma história de assassinato que ele amarra ao presente.

Se tudo isso não te é suficiente, te deixo, ainda, o link para o podcast The Nerdist, onde Ellis foi entrevistado nesta semana precisamente para promover o livro.

                   

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