"PARA ENCAIXAR NESSA APARIÇÃO ESCURA UMA ALMA AINDA MAIS ESCURA, AS IRMÃS BOLARAM O DEMONÍACO NOME DE... DIABOLIK"


[NFN DIÁRIO #150]                                        * * *                                                [8/1/2013]

Paul Gravett escreveu mais um artigo sobre quadrinhos italianos. Dessa vez, sobre um personagem: Diabolik, criado pelas irmãs Angela e Luciana Giussani em 1962, ano da estréia do Homem-Aranha, para a [sua] editora Astorina.

É um anti-herói, um Grendel desprovido de blablablá:

Esqueça o "Verdade, Justiça e American Way" do Super-Homem, ou o complexo de vingança do Batman, ou a angústia de novela e a responsabilidade de um herói da Marvel; as empreendedoras irmãs Giussani perceberam que o momento era propício para um tipo de protagonista diferente e perturbador para os quadrinhos italianos. A sua estrela seria um ladrão sinistro e sedutor que é mais um vilão amoral do que um escoteiro altruísta ou um vigilante vingador. Ele não tinha qualquer identidade secreta civil e não hesitava em roubar seus companheiros criminosos, e, se necessário, matá-los, frequentemente com a sua lâmina mortal. Era uma fantasia feminina, o seu físico ondulado envolto da cabeça aos pés em uma roupa colada à pele totalmente negra, a não ser pelo espaço em seu capuz que revelava as suas sobrancelhas grossas e o seu olhar penetrante. Para encaixar nessa aparição escura uma alma ainda mais escura, as irmãs bolaram o demoníaco nome de... Diabolik.

Sobre a dupla criadora, Gravett comentou:

Angela Giussani se esforçando para ser
o contrário do tipo de pessoa que você tinha em mente.
De uma endinheirada família de classe média, Angela e Luciana Giussani [...] eram parte da elite milanesa. Como empresárias inteligentes, elas fundaram a sua editora Astorina em 1961. Elas encontraram um lucrativo espaço no crescente mercado de novelas e quadrinhos de banca da Itália, pequenos o suficientes para se esconder no bolso, grandes o suficiente para ocupar a viagem de metrô para ou do trabalho. Elas basearam o seu novo produto no formato tradicional e compacto dos livros de capa mole do 'giallo', ou amarelo, o termo italiano para histórias de crime, usando as suas lúgubres capas de papelão e 128 páginas interiores em preto e branco, com dois quadrinhos por página. Com um logotipo feito com pinceladas irregularides vermelhas, como se rabiscado em sangue, Diabolik foi inicialmente anunciado como "um gibi para sustos" [...], e então, a partir de 1965, como 'giallo em quadrinhos", oferecendo "uma novela completa para adultos" por apenas 150 liras. Talvez de forma sábia, as irmãs assinavam as suas história como 'A. e L. Giussani', com medo de que o público não compraria esse tipo de gibi escrito por duas mulheres. Diabolik rapidamente se tornou um sucesso, trocando de periodicidade trimestral para mensal em sua terceira edição, e então sendo lançado a cada duas semanas a partir de janeiro de 1965, exigindo mais roteiros e desenhos de seus colaboradores.

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