"NÓS VEREMOS A MORTE DESSA ARTE AMERICANA?"

[NFN DIÁRIO #149]                                        * * *                                                [7/1/2013]

Devemos correr para as montanhas? Sam Riedel, do Splice Today, leu Comic-Con and the Business of Pop Culture: What the World's Wildest Trade Show Can Tell Us About the Future of Entertainment [+], de Rob Salkowitz [+], em busca de uma resposta para a pergunta.

Para um meio que desfrutou de tanto sucesso nos últimos anos, o estado excepcionalmente frágil dos quadrinhos pode ser uma surpresa para alguns. Salkowitz, um veterano da SDCC [+] e fã de quadrinhos dedicado, não é tímido ao apresentar os atuais apuros enfrentados pela indústria: vendas que estiveram no fundo do poço por anos subiram recentemente pela infusão de propaganda de Hollywood, mas até mesmo as maiores editoras -- Marvel e DC -- estão com dificuldades para conseguir verbas com as suas novas séries. No meio tempo, criadores que habitam a periferia e fazem quadrinhos com ideais mais literários testemunharam uma renovação do interesse do público (visto na crescente popularidade dos webcomics independentes e de livros como Fun Home, de Alison Bechdel [+]), mas ainda está a Comic-Con -- ou a população em geral -- interessada em quadrinhos? Nós veremos a morte dessa arte americana?

É um tema complexo, e Salkowitz não tenta fazê-lo mais simples do que é; em vez disso, ele estrutura o livro de uma forma limpa, facilmente digerível, usando cada fase da SDCC 2011 como um pano de fundo para os seus argumentos específicos sobre o passado, presente, e futuro dos quadrinhos. Um advogado eloquente do futurismo, Salkowitz acredita com força em olhar para o passado para encontrar padrões e causas que nos ajudem a navegar pelo que ainda está por vir. Com a sua história única como um meio alternadamente amado e odiado na América, e com o seu sistema de mercado direto, desajeitado de forma quase hilária, os problemas dos quadrinhos podem parecer simples a primeira vista, mas são próprias dessa indústria e exigem uma contemplação exaustiva. Salkowitz está feliz em dar lições de história para que o leitor possa se atualizar, mas elas estão apresentadas de forma a não se tornar tediosas aqueles que já a conhecem. No final do "preview day" (no caso, o capítulo segundo), cada leitor pode enxergar, a partir do retrato de tanto uma convenção confusa e empolgante, repleta de armadilhas, quanto de uma indústria operando em linhas paralelas, que os quadrinhos podem ser o futuro -- se conseguirem sobreviver.

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