DJANGO LIVRE, DE QUENTIN TARANTINO: DE SERGIO CORBUCCI A XADREZ COM OS ATORES [TENTE NÃO SER UM NERD TARJA PRETA POR UM SEGUNDO]



[NFN 100MG #39]                                         * * *                                                  [16/1/2013]

Mais Tarantino [+] e mais Django Livre [+]. O filme estreia no Brasil nesta sexta e eu quero que meus leitores ESTEJAM PREPARADOS.

Começo por OBRIGAÇÃO CRONOLÓGICA e ORDEM LÓGICA, por esse artigo, escrito pelo próprio Tarantino para o New York Times do dia 27/9/2012. Tarantino trata sobre os filmes do italiano Sérgio Corbucci, do qual sacou as suas referências SPAGHETTI-WESTERNIANAS. Especificamente sobre Il Grande Silenzio [O Vingador Silencioso no Brasil], filme de Corbucci com Klaus Kinski, Tarantino comentou:


Quem diria que Tarantino
seria fã de um filme assim?
E "O Grande Silêncio" tem um dos finais mais niilistas de qualquer western. Trintignant vai enfrentar os vilões -- e é assassinado. Os vilões vencem, eles matam todo mundo na cidade, eles vão embora e esse é o final do filme. Até hoje em dia é chocante. Um filme como Quadrilha Maldita de Andre de Toth, famoso por ser sombrio e violento, é praticamente um musical em comparação a "O Grande Silêncio".

“Silêncio” transcorre na neve -- gostei tanto da ação na neve que "Django Livre" tem uma seção grande de neve no meio do filme. 

Daí, partimos para essa entrevista que Tarantino deu para Charles McGrath, ainda no New York Times, só que em 19/12/2012. Corbucci volta à baila:

P. Então porque é “Django Livre”?

R. Por causa do filme de Sergio Corbucci "Django". "Django Livre" funciona bem para um cara que costumava ser um escravo, e também é uma pequena referência para a continuação de Hércules, "Hercules Unchained". Mas isso é tudo que eu sei sobre isso. No caso deste filme, foi a primeira cena que condicionou todo o resto. 

Superadas as preliminares, ao filme propriamente dito: Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, escreveu uma resenha sobre o filme FORNIDA EM ESTRELINHAS.

Tarantino ataca em todos os níveis. Uma de suas cenas mais inspiradas envolve um membro do Klan reclamando e gemendo que não consegue ver através dos buracos para os olhos do capuz em sua cabeça. Em tudo menos no objeto, isso poderia ser uma cena de um filme do Pernalonga. QT é grandioso e pragmático, brinca livremente com a implausibilidade, recebe os seus clientes dentro de uma tenda e, em seguida, um espetáculo carnavalesco para o qual não estão preparados. Ele é um cineasta pronto.

Talvez PERNALONGA não tenha sido a mais feliz das analogias.

Se você é daquelas pessoas que prefere as resenhas que se chamam de ANÁLISE, o link que eu te dou é pra esse artigo de Brendan Thomas, no Uki Sutori. Os atores e os personagens são a CHAVE INTERPRETATIVA:

Tarantino reuniu um elenco maravilhoso para interpretar estes personagens interpretando personagens, especialmente Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, e Samuel L. Jackson. Honestamente, estes atores nunca precisariam de uma boa direção para ter boas interpretações. Sabendo disso, Tarantino faz algo que é muito mais interessante: através de sua escrita, ele coloca o estilo de suas atuações, e as histórias de suas atuações, umas contra as outras. Essa competição entre atuações não é apenas divertida ou para exibir-se; é um jogo de xadrez subtextual de atores que amplia a dependência da história em relação à interpretação -- e, é claro, Tarantino é quem está movendo as peças. 

BOOM. CHECKMATE, MODDAFUCKA!


Compare no Buscapé.

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