"COMPLEXIDADE E CONTINUIDADE VENDIAM. ISSO FOI PARTE DO ZEITGEIST DOS QUADRINHOS DA ÉPOCA"

[NFN DIÁRIO #149]                                        * * *                                                [7/1/2013]

Crossovers, tie-ins, mega eventos: o que são, como se alimentam, qual a sua origem. Essas são as perguntas que Julian Darius tratou de responder no Sequart. Sobre Guerras Secretas, o primeiro crossover experimental da Marvel:

Em 1984, a Marvel queria convencer a Mattel, uma fabricante de brinquedos, a produzir uma linha de quadrinhos da Marvel para rivalizar com a rival linha de brinquedos da DC "Super Powers" da Kenner. Mas a Mattel só estava interessada se a Marvel tivesse algum grande evento editorial no qual focar a linha de brinquedos. Mattel mencionou que garotos gostavam das palavras "guerras" e "secretas". Também queria que vários personagens (como o Dr. Destino e o Homem de Ferro) fosse redesenhados, e que os personagens ganhassem novas armas, veículos e cenários que poderiam ser transformados em brinquedos. Jim Shooter, então Editor-in-Chief da Marvel, de forma sagaz concordou, e planejou como incorporar aquilo na história. Ele mesmo escreveu as 12 edições de Guerras Secretas (maio de 1984 a abril de 1985), desenhadas por Mike Zeck e Bob Layton. 

A minissérie Guerras Secretas também foi calculada para parecer um evento, objetivo que alcançou. A série se mostrou popular, e os leitores gostaram do aumento na continuidade, que ajudou o Universo Marvel a parecer mais coerente e unido do que nunca. Enquanto isso, a linha de brinquedos das Guerras Secretas, que deu origem à minissérie, produziu uma primeira leva em 1984 e uma segunda (e final) leva em 1985 (uma pequena terceira leva foi lançada apenas fora dos EUA). Capitalizando tudo isso, Marvel lançou quase que imediatamente depois de Guerras Secretas uma minissérie de nove edições como continuação, Guerras Secretas II (julho de 1985 a março de 1986). Também escrita por Shooter, agora com arte de Al Milgrom e Steve Leialoha, a história estava centrada na chegada à Terra do Beyonder e as suas aventuras, incluindo uma fase como gângster e se apaixonar pela heroína Dazzler.

Sobre os inícios do MÉTODO CRUZADOR na DC, Darius comentou:

"Crisis on Earth-One". SUTIL, DC,
muito SUTIL
No entanto, a Liga [da Justiça] tinha uma longa tradição de team-ups anuais com os seus predecessores (agora de uma Terra alternativa), a Sociedade da Justiça, começando em 1963 (com Justice League of America #21, agosto de 1963). Esses team-ups normalmente se estendiam por várias edições, muito antes disso ser comum em séries de super-heróis. Eles também eram protagonizados por universos inteiros de personagens adicionais [...]. Não, esses não eram crossovers que se expandiam por todo o universo: eles nem nem abarcavam todo o Universo DC, nem tinham tie-ins. Mas como precedentes para crossovers que se estendem por todo o universo, havia muito mais dessas histórias do que a Marvel tinha minisséries unindo seus personagens. 

Sobre o primeiro crossover propriamente dito:

Talvez seja, no fim, irrelevante se Crise nas Infinitas Terras ou Guerras Secretas II (ou até mesmo Guerras Secretas, se nós ampliarmos algumas definições) foi o primeiro crossover de verdade a se estender por todo um universo. Contest of Champions e Guerras Secretas, da Marvel, claramente provaram que um evento protagonizado por todos os personagens da editora poderia vender bem. Enquanto isso, as séries mais protagonizado das duas empresas, Uncanny X-Men da Marvel e New Teen Titans [+] da DC (e, ainda que menos popular, Legion of Super-Heroes da DC), ainda contavam histórias episódicas, mas com tramas dramáticas mais inseridas na continuidade do que nunca antes. Complexidade e continuidade vendiam. Isso foi parte do zeitgeist dos quadrinhos da época, e ambas as editoras traçaram seus rumos em uma direção similar. 

                  

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