CLOUD ATLAS: APENAS UMA CERTEZA, O SUBTÍTULO É CRETINO



[NFN 100MG #38]                                          * * *                                                   [9/1/2013]

Após ter sido POSTERGADO em uma tentativa de sua distribuidora de escapar da disputa por bilheteria com O Hobbit [+], nessa sexta-feira estréia no Brasil Cloud Atlas [+], novo filme dos irmãos Wachowski e Tom Tyker que por aqui ganhou o subtítulo de A Viagem, muito útil para o seu tio, que vai poder fazer piadas sobre você ser um maconheiro quando se decidir a vê-lo.

O filme, cuja produção já ganhou uma matéria da New Yorker no passado [e uma postagem aqui no NEW FRONTIERSNERD] foi recebido pela crítica de forma MISTA dentro de uma UNIFORMIDADE: é um filme grande e pretensioso realizado de forma meio porca, a avaliação dos críticos oscilando em razão da importância que se dá para um ou outro fator.

A prova do que eu te digo é o Metacritic, de onde tiro três trechos resenhísticos que me dão razão: “É fascinante por momentos. O problema é passar de um momento para o outro. Certamente é um dos filmes mais ambiciosos já feito” [Roger Ebert, do Chicago Sun-Times]; “medido cena por cena, o filme não é sempre bem sucedido, e os seus momentos transcendentes fazem que seja fácil desejar que o filme conseguisse alcançar esses pontos mais elevados com mais frequência. Mas Cloud Atlas é o tipo de trabalho no qual o grande quadro importa mais do que os detalhes. É um filme imperfeito de grande ousadia e tremenda humanidade, um trabalho de muitas histórias, mas uma conquista única” [Keith Phipps, do AV Club]; e "esse quero-ser-épico tem uma bela fotografia, elegantemente talhada e realizada de forma aventureira. Desafortunadamente, no entanto, ele roda como um gigantesco trailer para um filme que ainda não foi feito” [Joe Morgenstern, Wall Street Journal].

Se você está em busca de um comentário mais DENSO, bom, tome-o nas paletas: Emily Eakin escreveu um artigo sobre o filme no New York Review of Books [o filme, no final das contas, é adaptação de um livro de David Mitchell], especificamente dedicado a relacioná-lo com o filósofo americano Ken Wilber, e que inclusive passa pelo FRENESI DO CRÍTICO PERDIDO.

E tem um diagrama!
Nos seus comentários a Matrix, Wilber e West passam pelo nome da maior parte das luzes que guiam os filósofos, de Platão a Descartes, a Schopenhauer, Emerson, antigos autores Hindus das Upanixades. Uma lista similar das influências de Cloud Atlas certamente incluiria o próprio nome de Wilber em algum lugar do topo. O filme, que tem quasse três horas e passa por diversos momentos no tempo, no espaço, por gêneros e narrativas, confiando em uma pequena reunião de atores conhecidos que interpretam até seis papéis cada um, deixou os críticos amplamente confusos. […] Grande parte da confusão pode ser explicada pelas preferências filosóficas dos Wachowskis; o seu filme parece dever tanto ao misticismo cerebral de Wilber quanto à ficção de Mitchell, uma circunstância que, ao menos no que se refere à bilheteria, provavelmente vai ser uma desvantagem.

Quem somos nós para discutir com o homem que tem
a confiança do reboot realista do FLOQUINHO?
A explicação da teoria de Wilber e a sua relação com Cloud Atlas é boa, mas Eakin também não ficou muito feliz com o filme propriamente dito:

[…] Aos espectadores se pede que entendam tudo isso enquanto absorvem um fluxo contínuo de insinuações inebriantes -- “do vente ao túmulo nós estamos unidos a outros; com cada crime e com cada ato de bondade, nós criamos o nosso futuro” -- enquanto é arremessado por cenários pródigos em detalhes que excedem em muito às exigências da trama e que foram evidentemente pensados como homenagens a gêneros cinematográficos inteiros, incluindo noir, anime e filmes de época.

Provavelmente mais anime do que qualquer outra coisa.

Tão voltados estão os Wachowskis e Tykwer para entregar as novidades místicas do filme -- nós não somos apenas corpos, mas almas (ou até mesmo hólons); as escolhas que nós fazemos em uma vida afetam quem nós somos em outra; nós estamos todos conectados uns aos outros e a algo maior que nós mesmos -- que o filme se arrisca à impenetrabilidade de um infomercial New Age.

Noutro departamento e no The Alantic, Andrew Lapin escreveu que o filme era CHATO, mas BONITO. Tá certo que a TESE faz parte de um artigo maior, sobre a beleza fotográfica de vários blockbusters do ano [além de Cloud Atlas,  Skyfall [+], e A Vida de Pi], que dedica apenas MEIO parágrafo ao filme dos irmãos Wachowski: Até mesmo a insensatez pomposa em seis níveis de Cloud Atlas soube como trabalhar com a câmera, emendando seis estilos visuais diferentes […] através de uma empolgante, se aprimorada, montagem.

Já Sonny Buch, no seu próprio blogue, disse que NEM ISSO: o filme é feio mesmo. Não chega a contradizer o artigo do The Atlantic porque aquele se concentrava mais da composição de cenas, enquanto Bunch fala mais especificamente da maquiagem:

Para ser direto: isso é um desastre estético.

Considere essas quatro versões de Hugo Weaving:

Olhar para a foto do canto inferior esquerdo
sem rir deveria ser um ESPORTE OLÍMPICO.
Então, o Hugo Weaving da parte de cima à esquerda tem boa aparência, o da parde de baixo à direita parece um demônio porque ele é uma alucinação de Tom Hanks. Ok, eu aceito isso.

Mas o Hugo Weaving da parte de baixo, à esquerda? É, isso é o que fizeram para Hugo Weaving parecer um homem asiático. O Hugo Waving da parte de cima à direita? É o que foi feito para ele parecer uma enfermeira fornida monstruosa. Claro, ele não parece nem um asiático, nem uma enfermeira fornida: ele parece um ator com uma maquiagem terrível, meio racista, e um homem vestido como uma mulher.

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