"VOCÊ QUER ENTENDER QUE CHEIRO AS COISAS TERIAM NESSE MUNDO"


[NFN DIÁRIO #131]                                          * * *                                                  [6/12/2012]

Scott Foundas, do Film Comment, entrevistou Christopher Nolan [+], diretor em favor do qual mais cerimônias de nerdismo pagão foram celebradas no último ano.

Grande parte da entrevista, que você pode percorrer sem SACRIFÍCIOS, é dedicada à trilogia do Cavaleiro das Trevas.

Vamos ficar, de novo, em apenas duas partes. Sobre o “realismo” de sua versão do Batman, Nolan comentou:

O termo "realismo" é frequentemente confuso e usado de forma arbitrária. Acho que "relacionável" é a palavra que eu usaria. Queria um mundo que estivesse retratado de forma realista, no qual, apesar dos acontecimentos bizarros que estão ocorrendo, e essa figura extraordinária poderia ser vista andando pelas ruas, as ruas teriam o mesmo peso e validade das ruas de qualquer outro filme de ação. Então você teria uma relação com elas dessa forma. E então quanto mais texturas e camadas nós pudéssemos colocar nesse filme, o mais tátil ele era, mais você poderia sentir e ficar empolgado com a ação. Então apenas de uma forma técnica, queria realmente usar essa ideia do que eu chamo de característica tátil. Você quer realmente entender que cheiro as coisas teriam nesse mundo, qual seria o gosto das coisas, quando ossos começam a ser triturados e os carros fritados. Você sente essas coisas de um jeito porque o mundo não é intensamente artificial e criado por computação gráfica, o que resulta em uma característica anódina, estéril, que não é tão empolgante. Para mim, assim você faz o personagem mais especial. Se você pode acreditar no mundo porque você o reconhece e consegue se imaginar andando pela rua, então quando essa figura extraordinária que é o Batman aparecer com essa roupa teatral e com esse jeito muito teatral, isso vai ser mais empolgante para mim.

Já sobre os vilões:

Com os meus co-escritores David Goyer e o meu irmão [Jonathan Nolan], nós decidimos cedo que os grandes vilões dos filmes, as pessoas que mais nos impressionavam, são as pessoas que falam a verdade. Então com Ra's Al Ghul, nós queríamos que ele dissesse fosse verdade de alguma forma. Então, ele está olhando para o mundo de uma perspectiva muito honesta, na qual ele realmente acredita. E nós aplicamos a mesma coisa ao Coringa e a Bane no terceiro. Tudo que eles dizem é sincero. E nos termos da sua ideologia, os fins realmente justificam os meios. Era importante em Batman Begins que o Bruce fosse longe com Ducard, ao ponto que eles pedissem para ele decepar a cabeça de alguém porque ele roubou alguma coisa. E nesse ponto tem um momento quase cômico em que Bruce vira para Ducard e diz "você não pode estar falando sério". Nesse ponto, você está surpreso por como a doutrinação e o treinamento podem ser sedutores. E aí ele começa a enxergar. Mas mesmo mais tarde, quando Ra's Al Ghul retorna e está prestes a destruir toda Gotham, existe uma lógica no que ele diz. Acho que os vilões verdadeiramente ameaçadores são aqueles que tem uma ideologia coerente por trás do que eles estão dizendo.

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