ROY THOMAS, 1974: NEM 2/3 DAS CÓPIAS IMPRESSAS CHEGAM ÀS PRATELEIRAS.

[NFN DIÁRIO #137]                                         * * *                                                  [14/12/2012]

Barry Pearl resgatou uma matéria da revista Inside Comics, de 1974, uma lista de reclamações de profissionais dos quadrinhos. Tem Jim Steranko [+], Esteban Maroto, Roy Thomas, Gerry Conway, Howard Chaykin [+], Al Williamson [+], Gray Morrow, Tony Isabella [+], Don McGregor [+], Marv Wolfman [+], Neal Adams [+] e Mike Kaluta [+].

Maroto [na foto à esquerda, parecendo um psicopata] falou da narrativa texto-dependente:

ESTEBAN MAROTO é o mais famoso e, talvez, o mais bem sucedido dos desenhistas espanhóis. O seu trabalho para as revistas da Warren lhe deram fama instantânea nos EUA, e o seu trabalho seguinte na Marvel criou uma enorme base de fãs:

Acho que o meu principal problema com a indústria americana teria que ser sobre as diretivas narrativas. Nos quadrinhos americanos a história é contada através de longos textos em prosa, seja nos diálogos ou no texto de apoio. Acho que, como os quadrinhos são um meio visual, a história deveria ser contada visualmente, apenas em imagens. Todos os diálogos e os textos de apoio deveriam ser secundários, acrescidos apenas para esclarecimentos necessários ou para dar um sabor à história. Nos quadrinhos espanhóis, o diálogo não tem importância e frequentemente histórias inteiras são contadas sem o uso de nenhum balão de palavras. Aqui é completamente diferente, existem palavras em todos os lugares, e isso distrai dos desenhos, que são, na minha opinião, o elemento mais importante nos quadrinhos". 

Eu tive que matar Bob Morton porque
ele cometeu um erro.
E Roy Thomas [à direita, parecendo uma versão hippie de DICK JONES] nos deu PERSPECTIVA DISTRIBUTIVA: 

ROY THOMAS é o editor-in-chief e principal motor da Marvel Comics. Suas hábeis técnicas editoriais, sentido afiado para o gosto do público, e habilidade incisiva para a escrita levaram a Marvel para a vitrine da indústria dos quadrinhos: 

“Acho que o meu principal problema com a indústria seria relacionado com os problemas que nós temos com a distribuição e com as vendas. De fato, não acredito que a indústria dos quadrinhos possa sobreviver se o sistema atual continuar. Agora mesmo, os quadrinhos são troco comparados com outras operações impressas, de forma que vários distribuidores nem se importam em fazer com que os quadrinhos cheguem às prateleiras, eles acham que o lucro não é suficiente para compensar o esforço. Por causa disso é que existem áreas do país nas quais as pessoas nunca veem histórias em quadrinhos. A situação agora mesmo é tal que nós estamos vendendo menos gibis que nos anos cinquenta. Nós temos sorte se 2/3 das cópias impressas de fato chegam nas prateleiras. Isso significa que o nosso lucro não é o que poderia ser, e, consequentemente, uma grande fonte de fãs e de contribuidores futuros está completamente perdida".

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