DR. DESTINO: UM ROBIN HOOD SHAKESPEREANO

[NFN DIÁRIO #131]                                          * * *                                                  [6/12/2012]

Don Alsafi, do Marvel Genesis, escreveu uma resenha do Fantastic Four Annual #2, de 1964, da dobradinha Stan Lee [+] e Jack Kirby [+].

Doze de suas 72 páginas são dedicadas à origem do Dr. Destino:

A história da origem tem um certo jeito de conto de fadas, começando quando ele ainda era uma criança, filho de um curandeiro cigano nos Alpes bávaros. Quando a esposa do Barão do lugar padece de uma enfermidade mortal, ele faz com que seus homens busquem o velho Von Doom a força, exigindo que ele a salve com as suas curas -- se não... Von Doom não consegue fazê-lo, no entanto (ela está doente demais), e ele é então perseguido pela floresta, fazendo o que pode para proteger o seu filho, e eventualmente morrendo pelo esforço. O jovem Victor Von Doom jura vingança, é claro, de forma a fazer com que seja oportuno que ele descubra que a sua falecida mãe era uma feiticeira, e encontra um estranho baú contendo todo tipo de artefatos mágicos e parafernália. Usando essa mágica e o seu próprio gênio mecânico (que ele aprendeu onde, nos poderíamos perguntar?), ele logo começa uma campanha para enganar a classe alta através de uma série de truques e poções, dando todos os seus ganhos ilícitos aos pobres, de forma muito nobre. Sim, por incrível que pareça, o Dr. Destino começou como uma versão estranha de Robin Hood, travando uma guerra de classes contra a aristocracia![...]

Sendo esta a primeira vez que nos encontramos com a origem completa de Destino, nós podemos falar sobre várias das teorias que surgiram sobre o acidente inicial e sobre o estado atual do rosto de Destino. Na forma em que apresentada aqui, Destino ficou terrivelmente desfigurado pela explosão, e é por isso que ele tem que se esconder; certamente é essa a impressão que os diálogos de Stan causam. No entanto, Jack Kirby posteriormente explicaria a sua própria teoria, de que a explosão apenas lhe deu uma pequena cicatriz -- mas que o inflexível Von Doom, ao ver a sua beleza perfeita arruinada, se deu por impedido de ser visto pelo mundo. Em uma história posterior questionada por alguns, mas que eu acho bastante satisfatória, o escritor/desenhista John Byrne tentaria encaixar esses dois pontos de vista opostos, sinalizando que a cicatriz original era minúscula... até que Doom ordenasse que os monges colocassem em seu roso a máscara de ferro quando ela ainda estava em brasas [...]. 

Ideia SUTILMENTE INSINUADA
em DOIS QUADRINHOS.
Essa ideia me parece uma excelente combinação da vaidade e do perfecionismo da versão de Kirby, enquanto faz que o acidente de Doom seja o resultado do seu orgulho -- o toque muito shakespereano de Lee -- não apenas uma vez, como originalmente retratado, mas de fato em dobro.

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