"COM OS NOVOS MUTANTES BILL SIENKIEWICZ SE TORNA UM PIONEIRO, UM ARTISTA QUE REFORMULOU O MEIO E ABRIU UM CAMINHO PARA OUTROS (TENTAREM) SEGUIR"

[NFN DIÁRIO #138]                                         * * *                                                  [17/12/2012]

Keith Silva, do Comics Bulletin, decidiu escrever uma série de artigos aos Novos Mutantes de Bill Sienkiewicz [+] e Chris Claremont, um texto por edição. 

Para você quer saber porque isso merece todo esse trabalho, te dedico a hiperbólica explicação do próprio Silva, na primeira postagem:

Em agosto de 1984, Bill Sienkiewicz começa uma fase de 13 edições [todas elas incluídas nos encadernados New Mutants Classic  Vol. 3 e Vol. 4como desenhista de Os Novos Mutantes. Em colaboração com o escritor Chris Claremont, a fase de Sienkiewicz marca tanto uma mudança na série quanto nos próprios quadrinhos de super-heróis americanos. A estética angular de Sienkiewicz, cheia de joelhos e cotovelos, encaixa na estranheza dos próprios Novos Mutantes; no entanto, é o uso de Sienkiewicz das técnicas abstratas e expressionistas que subverte meio século de convenções da arte dos quadrinhos americanos. Coquetel Molotov e dilúvio de cem anos em partes iguais, com Os Novos Mutantes Bill Sienkiewicz se torna um pioneiro, um artista que reformulou o meio e abriu um caminho para outros (tentarem) seguir.

Ou, VALENDO-ME da imagem que vale por mil palavras [no caso em concreto, a PRIMEIRA PÁGINA da PRIMEIRA edição desenhada por Bill Sienkiewicz, New Mutants #18]:




Na descrição de Silva, o que você acabou de ver é...

Danielle Moonstar está deitada (o lençol que ela puxa sobre a sua cabeça não oferece nem conforto, nem segurança), assombrada (e caçada) pelo urso-demônio que matou seus pais. O splash-page de abertura da edição #18 grita através da página: parece que foi tirado de uma impressora matricial, uma imagem fabricada envolta em trevas. Quadrados brancos e pretos repetidos (cortesia do colorista Gylnis Wein) estão colocados em ângulos retos para formar o padrão xadrez do cobertor, e enterrado na parte de baixo da imagem, como um trauma reprimido, está a cabeça do urso, e, ah ele é, é um urso peludo, e, sim, é um urso assustador. A imagem é uma afirmação, de que o que segue é escuro, perigoso e não-familiar ao extremo.

Da série de textos, dois artigos já foram publicados. O primeiro, é esse aí de cima. No segundo, Silva comentou o que separa Sienkiewicz de seu antecessor, Bob Mcleod e Sal Buscema -- um parágrafo longo que poderia ser resumido com quatro letras, T-U-D-O:

Antes de que Sienkiewicz passasse a desenhar a série, Os Novos Mutantes eram desenhados por Bob McLeod (Claremont e McCleod são creditados como co-criadores da equipe), que deu ao bando de desajustados culturamente diversificados a sua aparência em Marvel Graphic Novel #4. Na série regular, o primeiro spin-off de X-Men, a propósito, McCleod desenharia as edições um a três, antes de Sal Buscema assumi-la da edição quatro a dezessete. McCleod continuaria a contribuir com capas e arte-final quando Buscema era o desenhista.

A arte de McLeod e Buscema representa o estilo super-heroico "de casa", convencional e homogênico  Nos seus uniformes, é dificil diferenciar os Novos Mutantes, se não pelo sua altura e pelos seus (o que nós poderíamos chamar de "insensividade cultural" hoje em dia) sotaques e as suas características étnicas não politicamente corretas: a garota escocesa tem cabelo ruivo, a garota nativo-americana tem tranças e o sul-americano é (literalmente) fogoso.

Ou seja,  isso [o desenho é de Sal Buscema].
McCleod e Buscema fazemm um trabalho honesto enquanto eles limitam o estilo desajeitado que diz tanto sobre os Novos Mutantes quanto sobre qualquer outra coisa. O dinamismo Sienkiewicz torna qualquer comparação entre ele e seus predecessores em uma discussão sobre maçãs e laranjas. [...]. 


Por exemplo, quando a equipe se dá conta do que eles de verdade tem que fazer, Sienkiewicz enquadra todos os cinco membros da equipe em um momento "vamos juntar a equipe" e organiza eles dos mais acessíveis (Sam e Rahne), aos um pouco mais misteriosos (Roberto e Amara) até a definitivamente enigmática, Illyana -- uma coroa (mais parece uma mancha) preta demarca o seu corpo, mostrando que até mesmo outsiders têm os seus outsiders.

                   

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