ALAN MOORE: MEIO GANDALF

[NFN DIÁRIO #141]                                        * * *                                                [20/12/2012]

Alan Moore [+] foi entrevistado por Tom Lamont, do The Guardian. Na pauta, FILMES: porque Jimmy's End [+], porque não Hollywood...

Porque fazer um filme agora, depois de tantos anos de forte resistência? "As minhas principais experiências do passado foram do tipo de Hollywood, o que foi em vários níveis repulsivo para mim. Cada filme é um remake de um filme anterior, ou o remake de uma série de televisão que todo mundo amava nos anos sessenta, ou um remake de uma série de televisão que todo mundo odiava nos anos sessenta. Ou é sobre uma atração de parque de diversões; logo, será sobre mascotes de cereais de café da manhã.

"Mas eu sempre gostei da ideia de fazer um filme barato e pequeno de verdade. Se você quer ser um escritor ou um artista, tudo que você precisa é de uma caneta e de um bloco de anotações; é um meio democrático. Adoro filmes que são feitos com quase nenhum orçamento".

Moore tem uma relação complicada com o dinheiro. "Puro vudu", ele diz agora. "Apenas está lá enquanto nós acreditamos nele". Perguntado, durante uma entrevista para televisão nesse ano, sobre o por quê dele renunciar aos direitos da adaptação para o cinema de um gibi como Watchmen se ele não queria que isso se tornasse um filme, Moore diz que ele cedeu os direitos porque ele nunca esperou que qualquer adaptação fosse acontecer; ele chamou isso de ganhar dinheiro fácil. Mas então os filmes foram lançados, e em algum ponto do caminho Moore desenvolveu tamanho desgosto pelo que ele viu na tela, e dos valores acumulados a partir disso, que ele pediu para que o seu nome fosse excluído dos créditos; então, começou a recusar o dinheiro dos produtores. Moore deu a sua parte dos valores de Watchmen para Gibbons, o desenhista com o qual ele concebeu a série. 

...a sua infância adolescência [BEFORE ALAN MOORE?]...

A sua família morava em uma parte do Oeste de Northampton chamado de Boroughs, um bairro pobre geralmente evitado, Moore diz, pelos outros da cidade. Ele tinha uma inteligência incomum. [...]

Gibis americanos eram "uma bem-vinda rota de escape, uma porta para imaginação desenfreada". Moore começou a escrever e desenhar a sua própria tira, inventando um super-herói chamado Ray Gun (identidade secreta: Raymond Gunn) e emprestando o seu trabalho para amigos por uma pequena quantia. Os lucros iam para a Unicef, ou para Save The Children. Ele não consegue se lembrar. "Pensei que pareceria nobre. Como alguém poderia resistir, um quadrinho infantil mal-desenhado que ajudaria à caridade?"

Depois de sua expulsão [da escola] aos 16, a qual ele atribuiu para "os anos sessenta acontecendo, um tempo eufórico e expansivo", Moore pensou em tentar entrar em uma escola de arte, mas rapidamente começou a propor tiras em quadrinhos. Os desenhos eram uma coisa de família. O seu bisavô paterno, chamado Ginger Vernon, costumava trocar caricaturas por cerveja em um bar (ele era, acrescenta Moore, um alcoólatra feroz). Moore começou a escrever e desenhar séries regulares para o jornal local, então outra para a revista de música Sounds. Quando ele encontrou trabalho em uma linha de quadrinhos britânicos do Doctor Who, Moore desistiu de desenhar ("Não conseguia faze-lo o suficientemente rápido ou o suficientemente bem"), para se focar na escrita. 

...e MÁGICA:

Esse negócio de ser um mágico, o que ele anunciou pela primeira vez nos anos noventa (na mesma época que a sua barba ficou grisalha e ele comprou a bengala em forma de cobra). Isso é de verdade, ou ele está brincando? ? "É uma parte importante de como eu vejo o mundo. Com a minha aparência, a meio caminho de Gandalf antes mesmo de colocar o pé na porta, você te que diluir...". Pela primeira vez, Moore não consegue encontrar um final eloquente para a sua frase. Ele tenta de novo: "Existe uma parte de brincadeira. Mas o que tem por trás disso é muito sério".

"Gandalf " CASANDO.
[a foto é de Neil Gaiman]
Escolher uma carta, qualquer uma? Não, diz Moore. Não se trata de fazer truques. Para ele, é sobre consciência -- e rapidamente ele escapa por uma tangente sobre os limites da mente, movendo-se rapidamente entre Freud, Alan Turing, Paracelso e Twelfth Night antes de chegar a uma explicação que faz algum sentido. Moore vê a mágica como uma espécie de meditação, um escape para a sua seriamente vívida imaginação. 

"Se eu acredito, por exemplo, que posso usar a mágica para voar? Não. Como eu poderia driblar a gravidade? Impossível. Se eu acredito que posso conseguir projetar a minha consciência em uma simulação de voo muito, muito vívida? Sim. Sim, eu fiz isso. Sim, isso funciona".

                    

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