"TODOS ESTÃO SOZINHOS E NEM ESPERAM OU PEDEM COMPAIXÃO" [TENTE NÃO SER UM NERD TARJA PRETA POR UM SEGUNDO]



[NFN 100MG #33]                                          * * *                                                   [28/11/2012]

Você precisa de um motivo para justificar mais um TENTE NÃO SER UM NERD TARJA PRETA POR UM SEGUNDO protagonizado por Werner Herzog [+]? Bom, TOME CINCO, o primeiro dos quais na verdade já são TRÊS: 1. Roubou a Sua Primeira Câmera. Se Jogou em Uma Cama de Cactus. Comeu o Seu Próprio Sapato.

A lista vem do site Nerve, onde Phil Nugent tentou te explicar porque Herzog é mais DURÃO que Chuck Norris.

Se até agora isso não te pareceu suficiente, outro argumento é ESSE:



Enquanto estava promovendo O Homem Urso, Herzog estava sendo entrevistado por um repórter da BBC, quando apontou de forma lacônica que alguém estava atirando neles com uma arma de pressão. Herzog foi atingido por um chumbinho, mas insistiu em terminar a entrevista, destacando que a sua ferida "não era de uma bala significativa".

Agora que você tem os MOTIVOS, te dou O LINK: esse digno artigo de Beatriz Navas Valdés, no site espanhol Numero Cero, serve tanto de ANÁLISE das obsessões Herzoguianas, quanto de repasso à sua carreira -- além de ser FORNIDO em vídeos. Se em algum deles, Herzog é BALEADO, você só vai saber DEPOIS DO PULO.



[Não, não é. HA!]

Pra ficar em duas das características mais SALIENTES, a análise passa pelos seus personagens...

Os personagens dos filmes de Herzog sempre são extremos, marginais, outsiders. Encontram-se nos limites que definem o humano e as suas histórias trazem para a luz a alienação do homem. Essa alienação se reflete em dois tipos de personagens: alienados ativos ou megalomaníacos, e alienados passivos ou desamparados e vítimas. Entre os primeiros estariam: Lope de Aguirre, de "Aguirre, a Cólera dos Deuses" (1972); "Fitzcarraldo" (1982), com o seu impulso de transportar um barco por uma montanha para montar uma ópera na selva; o personagem de "La Soufrière" (1977), que não quer abandonar a ilha de Guadalupe ainda que um vulcão esteja prestes a entrar em erupção; o famoso alpinista Reinhold Messner, em "Gasherbrum – A Montanha Luminosa" (1985); Bokassa, em "Ecos de um Império Sombrio" (1990); o próprio Klaus Kinski, no documentário "Meu Melhor Inimigo" (1997); ou Timothy Treadwell, o amante dos ursos que pensou ter encontrado neles a sua redenção em "O Homem Urso" (2005).

Entre os alienados passivos, seria preciso fazer mais uma subdivisão. De um lado, estariam os alienados culturais: os personagens de "Mesmo os Anões Começam por Baixo" (1970); "O Enigma de Gaspar Hauser"; Bruno S. em "Stroszek" (1977), que vai da prisão à decepção com o sonho americano; "Woyzeck", o homem submetido e humilhado; as crianças soldado da Nicarágua, em "Balada do Pequeno Soldado" (1984); os aborígenes australianos que têm que defender a sua terra dos tratores em “Onde Sonham as Formigas Verdes" (1984). Por outro, os incapazes e vítimas, como a protagonista cega e surda de "O País do Silêncio e da Escuridão" (1971)...

Porque que eu sabia que não ia ser uma mulher
cega e surda com um animal de estimação NORMAL?

Dieter Dengler, o pilo cujo avião é derrubado durante a guerra do Vietnã, e ao que fazem prisioneiro e torturam em "O Pequeno Dieter Precisa Voar" (1997); os condenados à morte e a prisão perpétua de "Into the Abyss. A Tale of Death. A Tale of Life" (2011).

A dimensão existencial de ambos os tipos de personagens tem a ver com a sua rebelião diante do mundo no qual eles têm que viver: se determinam um objetivo irreal que acreditam que dará sentido à sua existência, ou lutam pela sobrevivência em um ambiente adverso. Todos estão sozinhos e nem esperam ou pedem compaixão. Têm certo ar mítico: lembranças de Hércules e do desafiador Prometeu. De fato, o seu primeiro curta-metragem se chama "Herakles" (1962), e apresenta uma das idéias essenciais de alguns dos filmes de Herzog: um esforço heróico empregado para uma tarefa ridícula e fútil. Se o próprio homem não é o obstáculo, é a Natureza. A luta leva eles à loucura, à anulação total ou à morte. Portanto, é absurda.

Só por via das dúvidas, se você ainda estava
se sentido um pouco feliz.
...e pela sua relação com a natureza:

A maior parte dos filmes de Herzog está ambientada em lugares onde a natureza é hostil ou de uma exuberância sem limites. Algumas vezes, é uma natureza esplendorosa, mas sempre esconde um lado escuro e misterioso. Pode-se dizer que a paisagem é mais um personagem de suas histórias, que tem um papel fundamental no desenvolvimento da trama. O homem é o lobo do homem, mas a Natureza também é o lobo do homem, ao que abandona e tortura a sua vontade. Quando Herzog olha para a selva vê o caos, como diz em "Meu Melhor Inimigo". Em seus filmes, o deserto e as montanhas são implacáveis, e o mar ou um rio, ingovernáveis. Inclusive se aproxima mais do que deveria de um vulcão prestes a explodir em "La Soufrière" para nos mostrar a capacidade destruidora da mãe natureza. Em "O Homem Urso", expressa pessoalmente que não vê mais do que ofuscação no olhar dos ursos que Treadwell adorava, e em vários dos seus filmes usa galinhas para mostrar a estupidez e o canibalismo de um animal aparentemente inofensivo. Ainda que as vezes a beleza de suas imagens engane, é óbvio que não idealiza a Natureza.

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