TENTE NÃO SER UM NERD TARJA PRETA POR UM SEGUNDO #30: JUNOT DÍAZ E FRANCINE PROSE


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O nerdismo literário volta à carga anti-tarjapretismo: QUIS O DESTINO que, duas semanas depois daquela postagem sobre os novos livros de Michael Chabon e Junot Díaz, Francine Prose, uma das melhores críticas literárias que você vai encontrar aí na ATIVIDADE, escrevesse, no The New York Review of Books, um artigo sobre This Is How You Lose Her, precisamente o livro de Díaz.

Para evitar desnecessárias TAUTOLOGIAS, te transcrevo aqui exatamente a parte do artigo que trata do primeiro romance de Díaz, lançado aqui pela Record como A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao.

No primeiro romance de Díaz, A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao (2007), [... ele nos ofereceu] um panorama amplo o suficiente para incluir história, geografia, famílias inteiras e populações. Multigeracional, transnacional, a história é contada a partir de diversas perspectivas: daquela de Oscar, o nerd de quadrinhos gordo, obcecado com ficção científica, sonhando em se tornar o J.R.R. Tolkien dominicano; a de sua irmã politicamente consciente, inteligente e bela, Lola; o seu colega de quarto, Yunior, de quem nos lembramos de Drown [primeiro livro de Díaz, de 1996] e cujo anseio por amor está perpetuamente em guerra com o seu impulso em trair a quem ama; e a de alguns parentes mais velhos de Oscar, que viveram entre os horrores do regime despótico de Trujillo.

Se o realismo de Drown indica que Díaz se afastou das armadilhas sobrenaturais que se tornaram comuns na ficção Latino Americana, esse romance os abraça; a sua trama parte de uma antiga maldição dominicana. Mas, diferentemente dos feitiços que reorganizam os destinos dos moradores da Macondo de Gabriel García Márquez, a maldição que condena Oscar Wao e a sua família não foi lançada por uma bruxa local um vingativo amante descartado, mas sim por Trujillo e a sociedade opressora que o criou.

Ao fazer essa fundamental mudança, Díaz transformou um tema familiar em uma observação incisiva sobre o legado da história. Quando uma geração sobrevive à violência e à repressão, a próxima geração sofre, especialmente quando é  arrancada de suas raízes e transferida para um país que oferece empregos de salário mínimo e uma recepção menos do que morna.

Um comentário:

Anônimo disse...

Francine sempre gênia...