[NFN#117] Patrick Rosenkranz, do The Comics Journal, escreveu um curto perfil de S. Clay Wilson -- desenhista underground americano da década de 60 que participou da Zap Comix com R. Crumb. É meio deprê, mas assim é a vida:

A palavra favorita de Wilson ainda é "Não!". Ele costumava ter um motor na boca, mas agora ele é monossilábico a quase sempre. Depois de muito tempo dedicado a ser o pior dos garotos maus dos quadrinhos alternativos, agora ele é um velho grande, mas a mente dele não funciona direito. Ele costumava ser capaz de falar mais, beber mais, zingar mais, desenhar mais e enraivecer mais do que qualquer um, mas ele não bebe, fuma, bufa de raiva ou faz desenhos sujos. Ele também não caminha muito e raramente sai de casa, e apenas de cadeira de rodas. Ele costumava começar cada dia respondendo uma pilha de cartas com diversas canetas, carimbos e vários materiais de colagem, e então gastar cada dia ouvindo a debates no rádio enquanto desenhava quadrinhos e encomendas de forma diligente em seu pequeno estúdio. Agora ele assiste filmes na tv deitado no sofá ou em uma cama de hospital. O último desenho que ele fez foi mais de dois anos atrás. Ele não vai em uma convenção de quadrinhos ou galeria de arte ou cinema faz muito tempo. Antes fenômeno ativo, exuberante e maior que a vida, agora ele é uma sombra daquele antigo irresponsável. Existe uma nuvem de depressão em sua caverna humana entupida de geléia na 16th Street, onde ele mora há maias de trinta anos. Quase tudo que ele tem está nesse lugar, incluindo o seu uniforme de escoteiro e a sua bicicleta Raleigh favorita. Tudo, menos a sua arte. Ele costumava vendê-la e enviá-la assim que estivesse pronta. Apenas algumas poucas coisas permanecem. Quase ninguém vem visitá-lo ultimamente, e as coisas definitivamente não são tão divertidas quanto costumavam ser. [NFN#117]

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