[NFN#118] Noel Murray resenhou, no AV Club, diversos lançamentos da semana – e a semana foi FORTEMENTE. De início, tempos Came the Dawn [+], a coletânea da Fantagraphics para as histórias de Wally Wood na EC:

[...] o grosso das histórias são de Feldstein, que tratava de racismo, infidelidade, corrupção e vergonha de forma que nem mesmo os filmes mais progressistas e voltados para adultos da época faziam. As histórias de Feldstein eram a versão em quadrinhos de algum dos mais frutíferos filmes B, e a arte de Wood encaixa com o texto de Feldstein, com muitas sombras profundas e rugas que refletem um mundo complicado. A influência de Wood depois seria vista em alguns quadrinistas underground, como Rand Holmes, Jack Jackson, e Dan Clowes, que se esforçaram em combinar uma abordagem representativa com elementos de uma exageração suada e lúgubre.

Acho que todos ficaremos felizes em saber que o meu está, agora mesmo, A CAMINHO.

Na sequência, Corpse On The Imjin! [+], outra coletânea da Fantagraphics de histórias da EC, só que agora de Harvey Kurtzman [+].

Quando a EC contratou Kurtzman, então com 26 anos, para escrever e editar a sua nova série de guerra, Two Fisted Tales [...], ele se jogou no trabalho, pesquisando história do exército e das armas em seu objetivo de produzir gibis que poderiam servir tanto de jornalismo como de comentário. Por causa da extensão de sua preparação para cada edição, Kurtzman apenas desenhou uma dúzia de histórias [...], mas escreveu quase todas em seus anos como editor, e frequentemente fez o layout para artistas do núcleo da EC como Wally Wood, Jack Davis, e John Severin. O resultado foi uma antologia em quadrinhos com uma forte perspectiva individual, que tentava contar a verdade sobre como era a guerra, desde o ponto de vista das pessoas dos dois lados do campo de batalha A história "Kill", da edição 23 de Two Fisted Tales, foi uma típica história de guerra de Kurtzman, na qual um americano pretensioso afia a sua faca enquanto outro soldado chinês, igualmente pretensioso, limpa o seu rifle, até que os dois se encontram no campo de batalha, se matam, e caem em uma massa enredada de corpos e armas ("Como você gosta de sua morte, humanidade?", se pergunta o texto de apoio final). Kurtzman não era sutil, mas era justo.

Ainda na EC, temos Spacehawk, coletânea da... Fantagraphics da série de Basil Wolverton [+], do mesmo nome:

[...] o que realmente diferenciava as histórias de Spacehawk era a arte. Quando Wolverton desenhava os personagens principais -- ou a donezela que ele salvava -- as figuras tinham os queixos quadrados e o ar suave típicos. Mas quando Wolverton desenhava os alienígenas? Um freakshow total, com caras pingadas, narizes cumpridos, feras de pés gigantes zombando de Spacehawk e sussurrando ameaças como "Para a parede com esses porcos que se dizem a lei!"

Pra fechar, um lançamento conhecido de vocês: Dal Tokyo [+], de Gary Panter, sobre o qual você nada deve temer – ou não:

O formato em tiras de quadrinhos e a premissa maluca significam que Dal Tokyo termina por ser um dos trabalhos mais acessíveis de Panter, ainda que "acessível" seja um termo relativo quando se trata de um artista tão desafiador para as percepções mainstream de qualidade...

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