NFN#116: DITKO, TOMINE, WARE E... JOTAPÊ!




POMBAS! Robby Reed, no seu Dial B for Blog, escreveu um artigo sobre Hawk and Dove, série que Steve Ditko criou [ou co-criou: os roteiros eram de Steve Skeates] para a DC depois de sua saída da Marvel – hoje em dia, a sua fase se encontra encadernada no Steve Ditko Omnibus v. 2, cuja capa você vê aí em cima.

Ditko, no entanto, fez apenas três hqs com os personagens, a Showcase em que a sua origem foi contada e duas de sua série própria:

O futuro desenvolvimento de Dove foi colocado em dúvida quando Ditko, de forma abrupta, depois de apenas duas edições. Surpreendentemente, não foi nem a política do escritório, nem a nacional, as causadoras de sua partida da série. Pura e simplesmente, ele saiu por problemas de saúde. Dick Giordano disse que, na época, Ditko estava "sofrendo de uma doença pulmonar... acho que tuberculose". De acordo com The Comic Book Heroes, de Gerard Jones e Will Jacobs, "A abrupta saída de Ditko da série Hawk and Dove e Creeper foi necessária por causa de um ataque de tuberculose".

Depois de Ditko, Gil Kane passou a desenhar a série. Já nos anos oitenta, uma minissérie com os dois personagens seria o primeiro trabalho pago de Rob Liefeld nos quadrinhos – que também foi o responsável pelo seu relançamento no recente reboot do Universo DC, como uma das 52 séries da editora.

Pense nisso na próxima vez que você sentir a URGÊNCIA em comparar a decadência de SUA VIDA com a de PERSONAGENS FICTÍCIOS. Depois procure um psiquiatra.


CAPISTA. Adrian Tomine foi entrevistado por Mina Kaneko, da New Yorker. O pretexto é o lançamento de New York City Drawings, que inclusive reúne diversas capas que Tomine fez para a própria New Yorker.

A entrevista gira em torno, basicamente, do que Tomine gosta na cidade.

A maior parte do meu trabalho -- incluindo tudo que vai das minhas próprias hqs às capas que eu desenhei para a The New Yorker -- é o resultado de minhas experiências e observações pessoais romanceadas em determinado grau. Não sou um desses artistas com uma imaginação incrível que consegue imaginar coisas a partir do nada, e não sou o tipo de pessoa que se jogaria em alguma situação excitante ou perigosa apenas para conseguir material. Então me inclino a retratar a minha vida normal e chata, e tentar ver as coisas um pouco mais de perto. E mesmo morando em Nova Iorque há oito anos, ainda me sinto como um recém-chegado, e acho que isso é uma grande influência em como eu vejo e desenho a cidade.


ENCAIXADO #16. Alex Dueben, do CBR, entrevistou Chris Ware. O assunto: como não, Building Stories.

A história começou em 2001 com uma série de tiras auto-contidas para uma revista suiça chamada Hangar 21, que exigia que cada uma delas fosse escrita tanto em francês, quanto em alemão. Como não sou versado em nenhuma delas, e não estava tentado pela idéia de rotular tudo duas vezes, fiz uma série de histórias basicamente sem usar qualquer palavra sobre os moradores de um apartamento construído por volta de 1890 em Chicago, centrada nos quatro andares do prédio e nas estações do ano. O capítulo das páginas de quadrinhos do The New York Times apareceu alguns anos depois, e depois que ficou claro que a idéia original tinha se metastizado em um livro maior, continuem fazendo as tiras para a revista "nest", "The New Yorker" e para qualquer um que me pedisse, ainda que existam umas 50 páginas ou mais no livro que não apareceram em nenhum lugar antes. O formato do livro se tornou aparente uns três anos depois do início, e a idéia original de dividir a história entre os moradores do prédio -- vagamente inspirada no filme "Decalogue" de Krzysztof Kieślowski -- gradualmente mudou à medida que ficou claro que toda a história estava sendo filtrada através da consciência da mulher que mora sozinha no último andar do prédio. Tudo isso, eu espero, faz do livro algo mais interessante e menos previsível.


FORMATINHO #2. Jotapê Martins, um dos editores da divisão de super-heróis da Abril dos anos 80, segue dando detalhes sórdidos sobre o funcionamento das coisas na época, no MBB.

Agora, Crise nas Infinitas Terras OU manda quem pode, obedece quem tem juízo:

Em algum momento (não lembro se depois que começaram a publicar "Crises in infinite Earths" ou antes), nós ficamos sabendo que John Byrne assumiria a linha "Superman", renovando tudo na personagem. Não fazíamos a menor ideia do que seria feito, mas, a princípio, não ficamos preocupados. Afinal, antes de Super-Homem do Byrne, pretendíamos publicar "Crise nas Infinitas Terras" e essa publicação levaria tempo suficiente pra gente acompanhar toda a série "Man of Steel" lançada nos Estados Unidos. Aí, seria fácil decidir o que fazer.

Naquela época, os gibis começavam a ser produzidos pela redação com três ou quatro meses antes de chegarem às bancas. Não havia computadores capazes de agilizar o processo e as etapas de produção eram muitas. Além disso, a programação tinha de ser feita com um bom tempo de antecedência pra todo material ser encomendado, preparado nos Estados Unidos e mandado pra cá. Também não havia internet capaz de transmitir em poucos minutos uma edição inteira como se faz agora.

Estávamos empolgados com "Crise", porque a DC na Abril não estava emplacando e imaginávamos que a maxissérie "ressettaria" o universo daquelas personagens e atrairia mais leitores.

No entanto, aconteceu uma coisa que ninguém esperava. Acho que nem a própria DC esperava.

As ações de marketing e publicidade da DC tiveram um sucesso espetacular. [...]

[...] Aí veio uma decisão de cima: "Publiquem isto agora".

Nós já havíamos programado "Crise" pra ser publicada sossegadamente ao longo de um tempo razoável ([...] O bom senso me diz que eram 6 meses). Com a ordem vinda de cima, a gente teve mudar tudo e programar a maxissérie pra ser lançada em pouco mais de 3 meses, em todas as revistas da DC coordenando tudo com um monte de spinoffs, porque, em seguida, seria lançada a série "Man of Steel".

[...] No papel, a coisa até que funcionava. Nós tínhamos as datas de lançamento de todos os títulos. Então, era só distribuir as histórias pelos títulos brasileiros em sequência, certo?

Errado.

Apesar de haver uma sequência determinada de chegada às bancas, a gráfica virava e mexia não a cumpria o estipulado. Então, um gibi que deveria chegar dia 10 chegava dia 15 e outro que deveria chegar dia 15 chegava dia 13. No dia a dia, não era o fim do mundo, mas sempre corríamos risco quando programávamos um arco iniciado num gibi pra continuar em outro no mesmo mês. Por isso, era algo que costumávamos evitar.

"Crise nas infinitas Terras" acabou sendo publicada em pouco mais de três meses. Além de obrigar os leitores a comprarem todos os gibis da DC cerca de 90 dias, foi um festival de inversões da ordem de capítulos. Quem puder checar a sequência de publicação de "Crise" aqui no Brasil em 1987, vai ter uma boa ideia do que estou falando.

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