NFN#115: RESENHISMO É O CAMINHO



RESENHISMO É O CAMINHO #1. Ou: Marvel NOW! e as suas novas séries. Semana passada, chegou as bancas Deadpool #1, primeira edição da nova série do mercenário meme-fanfarrão da Marvel, escrita por Gerry Duggan e Brian Posehn, desenhada por Tony Moore [que fez as primeiras edições de The Walking Dead].

O lançamento motivou JK Parkin dedicar um “Chain Reaction” à série – seção do seu blogue no CBR que coleta diversas resenhas de um determinado gibi. No caso, Parkin indicou resenhas de Kelly Thompson, no próprio CBR, George Marston no Newsarama, Jesse Scheeden, do IGN, Steve Morris, do Comics Beat, Matt Sargeson, do Weekly Comic Book Review, e Ben Silverio, do ScienceFicion.com.

O mais feliz com o que viu é Morris:

Os desenhos de Moore são ótimos, resistindo ao impulso de fazer com que as coisas sejam tão cartunescas quanto poderiam ser. O seu uso de ritmo nos quadrinhos está muito bem feito, e ele acrescenta piadas ao roteiro, em vez de tirá-las dele. Ele também parece desfrutar especialmente de fazer com que o gibi seja incrivelmente gore e vulgar, feliz de pegar toda a violência e levá-la ao máximo possível. A entrada de Deadpool é um destaque especial no que a isso se refere. É pirada, e tão claramente feita para causar uma reação que é uma alegria genuína ver para que profundidades Moore vai nos levar a seguir. Não é para crianças, isso aqui. Ou talvez seja especialmente para crianças?

Oliver Sava, do AV Club, não entrou na seleção de Parkin, mas escreveu a mais positiva das resenhas – de novo, com ênfase na arte de Tony Moore:

Posehn e Duggan escrevem um bom roteiro, mas o que vende essa primeira edição de verdade são os desenhos de Moore. Ele é um notório adepto do equilíbrio entre o realismo e a animação, criando personagens e ambientes detalhados, as com um traço solto o suficiente para ajudar a apresentar o humor. [...] Existem alguns elementos da comédia escrita que poderiam ser um pouco refinados, mas os desenhos sem falhas de Moore sugerem que, independentemente de qualquer coisa, o Deadpool de Marvel NOW! vai ter um visual de tirar o fôlego.

A propósito de arte de tirar o fôlego, a capa é de Geoff Darrow.


RESENHISMO É O CAMINHO #2. O selo Vertigo, da DC, deu uma murchada: com o cancelamento de Hellblazer e a volta de Constantine ao Universo DC “regular”, e o iminente final de Sweet Toth, de Jeff Lemire, apenas cinco serão as séries regulares em publicação: Fábulas, de Bill Willingham, que já passou das 120 edições; O Inescrito, série de Mike Carey e Peter Gross recentemente anunciada pela Panini, que tá na casa dos 40; American Vampire, de Scott Snyder e Rafael Albuquerque, que passou dos 30; Fairest, spin-off de fábulas lançado no início deste ano; e Saucer Country, de Paul Cornell e Ryan Kelly, também do início deste ano.

Não é caso, em princípio, para as lágrimas: o selo estaria encolhendo para ser relançado no ano que vem, voltando-se mais para a ficção científica – ao menos, é o que as novas séries de Scott Snyder e Jeff Lemire, Trillium e The Wake, parecem indicar.

Calma lá, estamos chegando no link: um bom parâmetro para se verificar o que pode render uma ficção científica publicada pela Vertigo é a minissérie em nove edições Spaceman, de Brian Azzarello e Eduardo Risso, recentemente encerrada, publicada em um encadenado deluxe e, TÃ CHAN, resenhada por Jeff Parker, do Comics Alliance.

Pelo que se lê na resenha, parece uma versão de um futuro apocalítpico imaginado por alguém saído do Occupy Wall Street, com um toque de TRAKINAGEM:

A relação entre os The Rise e os The Dries [é a "luta de classes" propulsora da história: em um mundo inundado, resultado do aquecimento global, The Rise é a MASSA IGNARA que vive com o pé n'água; The Dries, é a ELITE SEQUINHA], os que não têm e os que têm, é um dos temas principais da série, e Azzarello fornece várias reviravoltas fascinantes e perspicazes através dele. Sim, vou dar um exemplo! No mundo de Spaceman, o programa de televisão de maior audiência é A Arca, um "realtee cast" sobre um casal como Brad-e-Angelina que patrocinam uma competição, ao longo de toda uma temporada, para determinar qual é o próximo órfão do The Rise que eles vão adotar. Você pode rir, mas de forma nervosa e apenas por um segundo, já que parece que algo assim poderia começar a acontecer amanhã.


RESENHISMO É O CAMINHO #3. Pra fechar, tem também essa resenha, no Sigue Al Conejo Blanco, da primeira edição de Master Keaton, série japonesa recentemente publicada na Espanha. É de Naoki Urasawa [Monster, Pluto] que tem a peculiaridade de não ser de suspense:

Aqui, o famoso autor japonês apenas se encarrega da parte gráfica da obra, deixando os roteiros nas mãos de [Hokusei] Katsushika, ainda que, bom, isso não seja totalmente certo, porque depois da morte de Katsushika foi o próprio Urasawa quem continuou com os roteiros da série, mas isso é uma novela que agora mesmo não tem importância. O caso é que o tom de thriller habitual nos mangás de Urasawa, com essa eterna luta entre o bem e o mal em suas diversas formas, fica à margem nesse Master Keaton para dar lugar a uma série muito mais festiva e leve, o que não é sinônimo, de forma nenhuma, de falta de qualidade.

Nenhum comentário: