NFN#114: GERAÇÕES -- GILLEN, LEMIRE. KIRBY, CRUMB




GRANDES MESTRES #1. Santiago Garcia, do Mandorla, escreveu um artigo sobre a VISÃO de Jack Kirby para os quadrinhos -- graphic novels. Em 1969, o que coloca o rei com uma vantagem de dez anos sobre Will Eisner.

O ponto de partida é um trecho do livro Marvel Comics. The Untold Story, de Sean Howe, e In The Days of the Mob e Spirit World, duas hqs em formato magazine e dirigidas para um público mais adulto que Kirby lançou, pela DC, em 1971.

In The Days of the Mob é, evidentemente, um regresso ao popular gênero negro dos anos 50, mas dessa vez tingido com a brutalidade e a veracidade de O Poderoso Chefão, de Mario Puzo, que por coincidência foi vizinho do Marvel Bullpen durante os anos de seu esplendor, já que era um dos editores de revistas de Martin Goodman, o proprietário da Marvel. Ainda que o filme somente tenha estreado em 1973, o livro causou um grande impacto desde a sua aparição em 1969, em seu dúvida Kirby previa que esse duraria e que os quadrinhos poderiam se beneficiar dessa tendência para chegar ao leitor adulto, se soubessem explorá-lo.

Mas se In The Day of the Mob é uma curiosidade, Spirit World é uma bizarrice. Dedicado a um tema que então estava na moda, o espiritismo e o esoterismo, a série tem um apresentador no estilo dos clássicos gibis dos anos 50 da EC [...], que se apresenta assim: "sou o doutor E. Leopoldo Maas! O meu campo de trabalho é o jovem, mas de rápido crescimento, terreno da investigação racional conhecido como parapsicologia! Basicamente, tento separar o demônio do subconsciente!!". Ah, parapsicologia, essa palavra me lembra a infância, como "anistia" e "Emmanuelle". As histórias de Spirit World (que, aliás, são de uma bitonalidade azul áspera) cobrem, com voz testemunhal em primeira pessoa, os seguintes temas: precognição (uma história lembra muito A Hora da Zona Morta, ainda que seja oito anos anterior ao livro de Stephen King), a casa amaldiçoada, a reencarnação e Nostradamus.

Na foto: "uma bitonalidade azul áspera".


GRANDES MESTRES #2. Borja Hermoso, do El País, dedicou uma coluna a babar sobre o R. Crumb Sketchbooks, o box que contém exatamente isso que você imagina lançado pela Taschen, na Europa [dá pra ver pelo preço: 750 euros].

Esses sketchbooks formam, nesse sentido, um legado da forma de pensar e executar os quadrinhos encarregados a um de seus mestres. A sua problemática relação com as mulheres ("melhorou muito depois que eu fiquei famoso", reconheceu mais de uma vez Crumb, freqüentemente tachado de misógino e ultramachista pelos grupos feministas), seus personagens angustiados e que não encaixam de forma clara na vida que eles tem que viver, a sua aversão às certezas das sociedades acomodadas, a sua fascinação pela música popular e principalmente o blues, a sua capacidade para captar na hora as atitudes, as roupas, os penteados, os gestos, os costumes e a fisonomia do homem e da mulher dos séculos XX e XXI, as suas neuras, resultado de uma infância que transcorreu entre o seu pai militar, a sua mãe neurótica e a enorme influência de seu irmão Charles... tudo está aí, em uma galeria infindável de filias e fobias pelo Leonardo da contracultura.

O cabeçalho da coluna de Hermoso merece ser visto na VERSÃO INTEGRAL. De nada.


DE FERRO. Como eu dizia, "Marvel NOW! e suas novas séries". Kieron Gillen, roteirista de quadrinhos [quase que toda a sua carreira foi na própria Marvel] com um background no jornalismo [era crítico de video-games, sendo inclusive o único do ramo a ser premiado pela Periodical Publishers Association, em 2000] e novo escritor de Iron Man [a série saiu das APTAS mãos de Matt Fraction; os desenhos serão de Greg Land], revista mensal do Homem de Ferro, deu essa entrevista para Dave Richards, do CBR, precisamente sobre seus planos para série.

[...] a maioria das pessoas conhece o Homem de Ferro de algum dos filmes. Quero brincar com as expectativas que as pessoas têm pelos filmes. Vou mostrar para elas o que existe de parecido e o que é diferente. Nesse caso, nós temos uma conversa de Tony sobre crenças. Ele é incrivelmente seguro de si mesmo, especialmente nos filmes, e aqui ele é um pouco inseguro, mas ele ainda é muito arrogante mesmo quando está falando de sua insegurança. A maioria das pessoas dos quadrinhos tem uma visão completamente diferente disso -- elas sabem a relação disso com AvX.


FLECHAS. E já que estamos com escritores falando sobre séries novas, Jeffrey Renaud, também do CBR, entrevistou Jeff Lemire [Animal Man, Underwater Welder], novo roteirista da série mensal do Arqueiro Verde [antes escrita por Ann Nocenti], desenhada pelo italiano Andrea Sorrentino.

Queria explorar o passado de Oliver e construir essa nova mitologia ao redor dele. Não quero adiantar surpresas, então devo ser cuidadoso. Mas realmente vai ser uma mitologia muito grande e espalhada, que alcança a história de Seattle e a história da família Queen. Através disso, nós vamos ver uma série de novos e velhos vilões -- alguns novos que eu estou criando e alguns dos meus favoritos do passado que estou trazendo de volta. Como fiz quando assumi "Animal Man", pesquisei tudo que pude sobre o Arqueiro Verde, e o trabalho de Mike Grell realmente se destacou para mim -- tanto no tom, quanto na forma que ele abordou o personagem. Definitivamente existem algumas coisas da fase de Mike Greel que eu realmente quero usar e alguns daqueles personagens vão voltar.

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