NFN#111: PRÊMIOS, DESPEDIDAS E RETORNOS



DESPEDIDAS. Ed Brubaker, de saída da série do Capitão América e, em breve, da própria Marvel, deu uma entrevista de despedida para David Brothers, do Comics Alliance. Sobre as suas influências na fase que passou, Brubaker comentou:

Acho que é bastante claro pelo que eu fiz nas séries que as edições de Steranko [na revista do Capitão América] são as minhas favoritas. Elas tiveram um grande impacto em mim quando as vi pela primeira vez, quando eu tinha 4 ou 5 anos. Eu adorava aquela mistura de espionagem e super-heróis que ele fez. E adorava o jeito que Steve Rogers parecia atormentado e trágico cada vez que ele não estava em ação. Também gostava das histórias da Segunda Guerra Mundial que Stan Lee e Jack Kirby fizeram em Tales of Suspense, antes da revista se tornar Captain America. Tem várias coisas legais na fase do Englehart/Buscema e Stern/Byrne também.


CARNE DE PRIMEIRA #2. Segunda parte da entrevista de Marc Silvestri e Matt Hawkins no CBR, para TJ Dietsch [essa é a primeira]. Passa pela série de TV de Witchblade, Darkness, Tomb Rider e, mais importante, por PORQUE DIABOS o nome do estúdio é TOP COW.

Basicamente, a história é essa: garotos, nunca decidam o nome de sua empresa de porre! Uma ex-namorada gostava de facas, nós ficamos bêbados e o resto é história. Em determinado momento, estávamos quase mudando o nome da empresa para Ballistic Studios, quando chegou aquele logo muito legal -- de alguém que eu não lembro -- com a Terra com ubres e um raio. Quem poderia recusar isso?


ENCAIXADO #14. Saiu a lista de melhores hqs do ano da Publishers Weekly -- My Friend Dahmer, de Derf Backderf [que de fato foi colega de aula do serial killer Jeffrey Dahmer, que fez 17 vítimas entre 1978 e 1991], Are You My Mother?, novo de Alison Bechdel [de Fun Home], The Voyeurs, de Gabrielle Bell, Wizzywig, de Ed Piskor e Dotter of Her Father's Eyes, de Mary e Bryan Talbot.

Se você está se perguntando exatamente porque essa postagem começou com um "ENCAIXADO", seguinte é esse: Building Stories está em outra lista da mesma revista -- a de melhores LIVROS do ano.

Sem vergonha de estar enraizado em uma era pré-digital, o novo trabalho de Ware é, na verdade, 14 livros diferentes, que vão desde lindas capas-dura a magros panfletos, alojados em uma caixa gigante. Leia em qualquer ordem, todas as histórias dentro dela seguem os ocupantes do mesmo prédio, incluindo uma proprietária idosa, um casal rancoroso, e uma solitária mulher deficiente física. Com a sua precisão obsessiva característica, Ware apresentada a rotina e a loucura da vida do dia a dia da mais emocionante das formas.

Ware também fez a capa da edição da revista. No caso, essa:




FORMATINHO. João Paulo L. B. Martins, mais conhecido como Jotapê Martins, ex-editor das revistas de super-heróis da Abril [e da editora Via Lettera], apareceu no MBB para dar detalhes sobre como era trabalhar na Abril nos anos 80 -- o resumo: COMPLICADO ALI. A primeira postagem DE PESO é essa:

O que nós recebíamos era uma cópia fotográfica do filme do preto. Chamava-se bromuro ou black & white repoproof.

As páginas do bromuro eram entregues a um montador, que recortava todos os balões e colava as páginas num couchê gessado. Ele fazia isso não só pra eliminar balões e onomatopeias, mas pra montar a página na proporção do formatinho. O formatinho da Abril não tinha a mesma proporção do gibi original.

Depois de remontada a página, ela era entregue ao letrista que desenhava as letras, os balões e as onomatopeias.

A etapa seguinte era o decorado. Um ilustrador, o tal decorador, completava os espaços vazios deixados por balões suprimidos ou aumentos de quadros por causa da mudança de proporção. (Dá pra entender, então, como tínhamos mais possibilidade de interferir na arte original, suprimindo quadros ou páginas.) Essa arte, então, era xerocada no tamanho do formatinho e entregue pro colorista que indicava as cores, pintando ou numerando as áreas a serem coloridas.

Eram esses dois produtos que iam pra gráfica (a arte P/B montada, letrerada e decorada e o guia de cores). Na Gráfica, a Arte P/B era fotografada pra gerar o fotolito do preto. Desse fotolito, tirava-se uma prova cianográfica que era entregue pra umas meninas que tratavam de pintá-la de acordo com as indicações do guia de cores (por isso, as cores costumavam ser chapadas. Não era possível fazer nuances, porque as meninas não eram artistas, apenas preechiam espaços). O resultado disso também era fotografado pra gerar os fotolito das cores.

As primeiras 1500 páginas, que foram adquiridas antes de eu ou até mesmo o Helcio entrarmos na jogada, vieram desacompanhadas das revistas. Vieram meio que de baciada, sem critério algum (por exemplo, mandaram Iron Fist 1 porque acharam que era a primeira revista do Punhos de Ferro). Daí, a cor diferente do nosso Motoqueiro Fantasma. O colorista teve que inventar.

Depois que eu e o Helcio começamos a organizar a solicitação de bromuros, começaram a vir revistas juntos. Mas não vinham todas, porque a Marvel não tinha exemplares suficientes pra mandar. Quando não vinham, usávamos as da minha coleção, que, nos primeiros dez anos, foi praticamente o banco de dados da redação.

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