NFN#109: FANTASMAS



FELIZ ANIVERSÁRIO. Sexta-feira, Steve Ditko fez 85 anos. Como você deve imaginar, isso rendeu HOMENAGENS -- estou usando a palavra no SENTIDO BÍBLICO.

Michel Fiffe, no seu próprio site, descreveu o seu relacionamento POSTAL com Ditko. Começou como segue::

Ele respondeu. Lá estava eu, prestes a ir pro trabalho depois de um longo fim-de-semana, recebendo um grosso envelope de Steve Ditko. Lembro de não abri-lo imediatamente, queria saborear o momento o máximo que eu pudesse, mas rapidamente me entreguei. Abri o envelope para encontrar quatro páginas escritas a lápis, respondendo as minhas questões. Isso era demais, pensei, não poderia ser verdade. Era muito real, muito de Ditko e mesmo assim não era exatamente o que eu esperava. As palavras de Ditko não eram encorajadoras no sentido tradicional. Nem elogios, nem tapinhas nas costas estavam lá, e não havia uma palavra sobre os desenhos em si mesmos. Eram as idéias por trás dos desenhos que preocupavam ele: "você parece ter escolhido o menos atrativo, o pessimismo, acreditar que não existem bons homens (o que tem que incluir você". Eram quatro páginas dele relacionando as minhas preocupações com a indústria com o que eu escolhi desenhar, e as decisões morais que me levaram a desenhar os meus gibis em primeiro lugar.

Javier Hernandez, também no seu próprio site, fez o mesmo -- com direito a uma cópia digitalizada da primeira carta que recebeu de Ditko:

  

HALLOWEEN. Além do aniversário de Ditko, a semana também teve o dia das bruxas -- e uma pá de links FANTASMAGÓRICOS [estou doente, não me censurem].

A DC aproveitou a data para lançar a antologia Ghosts, pela Vertigo. A lista de criadores envolvidos passa por Geoff Johns, Joe Kubert, Gilbert Hernandez, Paul Pope, Phil Jimenez, Jeff Lemire e John McCrea.

J. Caleb Mozzocco resenhou o gibi história por história no Every Day is Like Wednesday. Sobre Treasure Lost, de Paul Pope e David Lapham, comentou:

Pope está creditado com a história e os desenhos, Lapham com o roteiro. Essa não tem fantasmas, fora nessa frase da narração: "uma explosão de dentro levou o mecanismo de disfarce dos piradas e o 'navio fantasma' não estava mais lá". É uma história de ficção científica, porque ela tem naves espaciais e merdas dessas, os piratas sendo piratas espaciais, mas as pessoas que se importam com a expressão "ficção científica" e com o seu uso provavelmente vão discutir comigo por eu ter chamado isso de "ficção científica", como se tudo que tivesse na ficção científica fosse naves espaciais e merdas dessas.

The Boy and the Old Man ganhou uma resenha própria, do mesmo Mozzocco, no CBR. É o último trabalho de Joe Kubert -- ou, ao menos, o último MEIO trabalho:

Ele terminou os desenhos [da história]; ainda que esteja tudo escrito e esboçado, não está arte-finalizado e colorido. [Karen] Berger diz que o desenho está "rascunhado", mas o rascunho de Kubert é mais completo que o trabalho de artistas demais da atual geração.

[...]

Como Berger ressalta, é um "raro prazer ver o trabalho de um mestre em primeira mão", e, de diversas formas, é uma última história ideal para Kubert, já que ressalva várias das grandes virtudes de seu trabalho, já que a cultura selvagem primitiva lembra o seu Tarzan e o seu Tor, e alguma coisa de seu Hawkman, e está cheia da anatomia humana para a qual ele tinha tanto talento, e os diversos tipos de corpos, de um velho, de um jovem e de um homem em seu ponto máximo (ainda que esse homem seja algum tipo de espírito da morte).

Ainda sobre esse gibi, Paul Pope deu uma entrevista para Horror News Network. Sobre a parceria com Lapham, Pope comentou:

Eu tinha uma ideia de história sobre sequestro e a ideia de um navio fantasma, mas me faltava aquele final surpresa que faz com que uma história de suspense seja boa.., foi o nosso editor, Shelly Bond, que teve a ideia de me juntar com David. Nós nos conhecemos faz anos, mas nunca tivemos a oportunidade de trabalhar juntos. Nós tivemos um brainstorming, e David entendeu completamente o que eu queria usar na história, tanto visual quanto narrativamente.

* * *

Capa da New Yorker dessa semana, feita por Adrian Tomine
  
  
PÁLIDO #3. Pra fechar com os fantasmas e com a postagem, fique com a terceira parte da série de conversas, no AV Club, sobre os encadernados de Sandman, de Neil Gaiman, Nessa semana, Noah Cruickshank e Genevieve Koski conversam sobre Terra dos Sonhos.

Na introdução de seu roteiro para o desenhista Kelley Jones, Neil Gaiman descreveu as edições que formam Terra dos Sonhos como histórias curtas, e, mais significativo, como uma pausa para ele depois da esgotante experiência de escrever A Casa de Bonecas. "Queria fazer algumas histórias totalmente auto-contidas que eu pudesse acabar em 24 páginas", ele escreve. "A preocupação sobre não ter a mínima idéia de como A Casa de Bonecas ia acabar... estava ficando bastante estressante". Terra dos Sonhos é uma pausa para os leitores assim como para o autor, mesmo que, se tratando de Sandman, isso não signifique de forma alguma que essas quatro histórias sejam triviais ou apressadas.

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