"A IMAGE FOI CRIADA COM GRANDES INTENÇÕES, E AGORA ESTÁ FAZENDO UM GRANDE TRABALHO"

[NFN DIÁRIO #123]                                        * * *                                                  [26/11/2012]


Tim Callahan, do CBR, entrevistou Patrick Meaney, diretor do documentário Image Revolution, previsto para ser lançado no próximo ano – e que trata da criação da editora, em 1992.

Não é o primeiro documentário sobre quadrinhos de Meaney, que também já fez Grant Morrison: Talking with Gods, e Warren Ellis: Captured Ghosts. O trecho que revela O MÉTODO por trás dos filmes é esse:

Como você aborda os objetos dos teus documentários? Parece que os de Morrison e Ellis se concentram em entrevistas com os próprios escritores, somando comentários adicionais e anedotas de outros criadores para dar um pouco de perspectiva, mas o foco esteve sempre em Morrison e Ellis pelas suas próprias palavras, sem muito distanciamento crítico. Você diria que isso é uma afirmação justa? E qual é a relação disso com o que você está tentando fazer enquanto monta o documentário da Image? [...]

Definitivamente, isso é verdade. Quando eu estava fazendo o documentário sobre Grant, gravei algum material com pessoas que não gostavam do trabalho dele, ou céticos em relação ao seu trabalho, e coloquei na edição para fornecer um contraponto ao próprio Grant, mas quando assisti o corte bruto com Grant, achei estranho deixar essas coisas lá. Porque nós precisamos ouvir a opinião de um cara que não gostava das coisas dele, o que isso acrescenta à história da vida dele? No caso de Grant, não acho que você precise de alguém para te dizer que é bastante esdrúxulo que alguém tenha visto a quinta dimensão; o próprio Grant apresenta isso de uma forma que indica que foi algo que ele experimentou, e cabe a você decidir o que isso significa. [...]

Com Warren, ele é tão crítico em relação ao próprio trabalho, isso criou uma dinâmica na qual Warren releva a sua própria importância, mas outros dizem que ele importa. Então, você pode decidir a partir disso, Em ambos os casos, o objetivo do filme não era tanto apresentar um retrato objetivo de uma vida, mas, no lugar disso, te imergir na mente desses dois criadores. Todas as escolhas da filmagem, da música à paleta de cores, foram feitas para refletir os interesses e a estética dos dois. Então, "Talking with Gods" tem uma estética mais psicodélica e colorida, enquanto que o de Warren é mais escuro e um pouco mais industrial.

Quanto ao documentário da Image, nós tratamos de toda a história, mas está focado primariamente nos sete fundadores.

...e é tipo um Porky's IV.

 É um pouco diferente, já que nós estamos lidando com fatos históricos de verdade, em vez de tentar dar forma a uma vida e a idéias em um filme linear. Então, tem menos a ver com te introduzir à mentalidade deles, e mais sobre justapor as diferentes experiências de todas as pessoa envolvidas com a Image ao longo de sua história. Na prática, faz com que seja (eu espero) uma versão mais clássica do formato Behind the Music [o programa da VH1], onde um grupo de pessoas jovens fica famoso e rico muito rápido, lidam com isso, e no final encontram a redenção. O grosso do filme se foca no período que vai de 1990 a 1998 mais ou menos, quando esses caras ascenderam à fama na Marvel, criaram a empresa, encontraram sucesso e tiveram que lidar com a quebra do mercado, e, no final, perderam dois ou três dos principais parceiros da empresa. Fechamos com a subsequente ascensão da empresa ao seu sucesso atual graças a "The Walking Dead" e outras grandes hqs.

Nenhum comentário: