TENTE NÃO SER UM NERD TARJA PRETA POR UM SEGUNDO #27: RAMBO


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Pode não ter parecido para você, LEITOR DESATENTO, mas a última segunda-feira foi um dia notável -- não apenas pelo estranho fenômeno gravitacional, relacionado ao início do horário de verão, que fez com que fosse mais difícil sair da cama para dar início a um DIA PRODUTIVO, mas por ter sido o aniversário de trinta anos da estréia de RAMBO: PROGRAMADO PARA MATAR.

[pausa para você ficar admirado, preocupar-se com a passagem do tempo e perguntar-se pelos rumos de sua vida].

Para te provar que isso é relevante, eu vim para cá armado com TRÊS LINKS e DOIS ARGUMENTOS.

Além de 358 frases de efeito, 357 das quais ditas por ESSE HOMEM.

Primeiro, porque o primeiro filme do Rambo provavelmente seja o PONTO DE PARTIDA daquilo que nós temos pelo GÊNERO DE AÇÃO -- um dos mais típicos do cinema americano e que teve exatamente na década de 80, com filmes como o próprio Rambo, Aliens [perceba o "s", que deve ser interpretado como "É O SEGUNDO"], Robocop e, principalmente, DURO DE MATAR. Se você não acredita em mim, acredite em Adam Sternbergh, do New York Times, que falou exatamente isso no nosso primeiro link:

[Me lembrei] como são ruins os atuais filmes de ação americanos. O que é uma vergonha, porque, como se diz no mundo dos negócios, nós dominávamos esse mercado. Por quase uma década, do início dos anos 80 ao início dos anos 90 -- marcado por filmes agrupados de forma desajeitada, como "Comando para Matar" (1985), "Aliens" (1986), "RoboCop" (1987) e "Duro de Matar" (1988) -- o filme grandioso de ação americano foi um gênero robusto, complexo, tematicamente rico e esteticamente unificado como o musical ou o western.

[...] Sobre o filme que começou tudo isso, eu diria que foi "Programado para Matar", lançado em 1982. Não porque foi a estréia de John Rambo, mas porque o filme -- tocando em temas como tensão geracional, desconfiança anti-establishment e alienação pós-Vietnam -- parece mais adequado aos anos 70 do que aos 80, fazendo com que seja uma ponte ideal entre uma era e a próxima.

Se isso não te foi suficiente, o próximo argumento seja: conforme o próprio New York Times, em resenha de Janet Maslin, e o Chicago Sun-Times, em outra de Roger Egbert [que é um crítico de cinema americano de certo renome, caso você não saiba], ambas contemporâneas ao lançamento do feito, não estou sozinho em achar que Programado para Matar é um filme BOM, até mesmo DIGNO DE ELOGIOS.

"QUÊ?"

Você só precisa extrapolar um pouquinho o que de fato foi dito na primeira...

"First Blood" é irregular e chamativo; deve ser um grande sucesso entre pessoas que valorem a ação pela ação. E tem apelo para outros espectadores também. Não existe qualquer complexidade em Rambo ou em qualquer outro personagem da história; [...]. Mesmo assim, a história também tem energia e engenhosidade.

Seria necessário muito mais finesse e plausibilidade para fazer de " Programado para Matar" uma história dramática para todos os públicos; em vez disso, o filme acaba sendo uma aventura simples e brutal, com um apelo específico, mas não universal. No entanto, é um filme com determinadas virtudes, não sendo a última delas o seu herói feroz, ágil e de olhar profundo.

...e constatar, na segunda, que EM TEMPOS MAIS REMOTOS, não Stallone era um alvo válido e eficaz para humor rasteiro, mas sim considerado um ATOR não apenas VIÁVEL, como PROVIDO DE QUALIDADES:

Sylvester Stallone é um dos grandes atores físicos do cinema, com um talento para se jogar sem qualquer medo em cenas de ação que nos faz perguntar como é possível que ninguém tenha saído ferido de verdade. Quando ele explode no início de PROGRAMADO PARA MATAR, livrando-se de policiais e fugindo da prisão com seus punhos e velocidade, a demonstração de força física e agilidade é tão convincente que nós nunca levantamos questões sobre a implausibilidade da cena. De fato, ainda que quase tudo em PROGRAMADO PARA MATAR seja implausível, porque temos o Stallone na tela, nós vamos acreditar.

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