TENTE NÃO SER UM NERD TARJA PRETA POR UM SEGUNDO #24: MIIKE!


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Takashi Miike é um homem com uma meta: exaurir o cinema. Com vinte anos de carreira, já dirigiu quase noventa filmes [só esse ano já foram DOIS], que passam por todos os gêneros possíveis e imagináveis.

Não estou brincando: Miike vai de comédias a policiais e filmes de terror [pra ficar nos desse ano: um musical e a adaptação de um jogo de video game], a filmes que misturam tudo isso [romance juvenil gay entre presidiários: Big Bang, Juvenile A; comédia romântica torture porn: Audition], fora aqueles impermeáveis a classificação por gênero, como Ichi the Killer [sinopse do IMDB: "Como um assassino sado-masoquista da yakuza, Kakihara procura pelo seu chefe desaparecido e encontra Ichi, um assassino reprimido e psicótico que pode ser capaz de causar dor em níveis que Kakihara apenas sonhou"], Visitor Q ["os membros de uma família problemática de pervertidos vêem a suas vidas serem invadidas por um estranho misterioso que parece ajudá-los a equilibrar as suas naturezas retorcidas"] ou Gozu [não existe nenhuma sinopse válida para Gozu].

Quod erat demonstrandum
  
Não quero, no entanto, causar a impressão que todos os filmes de Miike sejam uma bizarrice -- estamos falando apenas da ampla maioria. Hara-Kiri: Death of a Samurai [Ichimei, em seu título japonês; é tipo aquelas piadas de tradução que FUNDAMENTAM Encontros e Desencontros, só que ao contrário], filme que nos trouxe aqui, encontra-se, aparentemente, no outro grupo: é APENAS um remake do clássico Harakiri [Seppuku no original: sim, eles escolheram OUTRA PALAVRA japonesa para TRADUZIR o título do filme para os mercados internacionais], filme de samurais de 1962 dirigido por Masaki Kobayashi [e curiosamente, o primeiro filme japonês que eu vi no cinema, lá por 2003].

A pegadinha está em que o filme original consiste, basicamente, em 2 horas de um samurai contando a sua vida para outros samurais antes de se suicidar com uma espada de bambu – e Miike achou por bem gravar isso em 3D [foi, em 2011, o primeiro filme em 3D a disputar a Palma de Ouro de Cannes].

Em defesa do original, posso dizer que são 2 horas muito bonitas.

Estou dizendo tudo isso aí com o propósito específico de atiçar o teu interesse para esse artigo de Jana J. Monji, no seu próprio blogue [Pasadena Art Beat], uma comparação entre os dois filmes, armada com uma contextualização histórica -- o seu único demérito é a ladainha public healthcare do final. Para aqueles que tiveram a sua capacidade de manter o foco por mais de cinco minutos destruída pela Internet, adianto a moral da história, nas palavras da própria Monji:

A versão de 1962 de Seppuku, de Masaki Kobayashi, é cheia de luz e explicações. A sua versão é como prosa, enquanto que a de 2011, Ichimei de Takashi Miike, é como um haiku, com imagens e atmosfera criando um estado de espírito. Tematicamente, os dois filmes têm o mesmo objetivo: mostrar a hipocrisia do sistema samurai e como a rigidez do código samurai (bushido) criou um claro conflito entre amor e dever.

Clique no link. Na pior das hipóteses, você pode ver o trailer dos dois filmes e dar tempo para Miike lançar o seu terceiro no ano.

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