NFN#99



ENCAIXADO #11. Pepo Pérez segue com Chris Ware. De novo em seu blogue, Es Muy de Cómic, mas agora sobre como Building Stories é uma tentativa em quadrinhos e versão século XXI de ser a grande novela americana:

Pensei agora que estamos diante da maior tentativa dos últimos anos por parte de um quadrinista em abordar o ideal platônico literário conhecido como a grande novela americana. Só que nesse caso não se trata de uma novela literária, mas gráfica, e, portanto, de uma hq. Tenho a suspeita, no entanto, de que Ware será reconhecido nos circuitos literários como o autor da grande novela americana de 2012 com Building Stories, ou, ao menos, ao de uma delas se existem outros candidatos ao trono. Pensei também sobre o muito que mudaram os gibis desde a metade dos 80, quando ocorreram outras três tentativas de fazer da grande novela americana uma hq. De alguma forma, naquele momento, pelo estado no que estava a indústria do quadrinho americano, com o público já formado em grande parte por especialistas e colecionadores, parecia apropriado abordar essa Grande Novela que falara da América de então de forma alegórica u a partir dos códigos dos super-heróis. Assim, isso foi o que tentaram de fato The Dark Knight Returns e Watchmen, duas obras que estavam no lugar e no momento oportuno para chamar a atenção do jeito que o fizeram; duas obras fundamentais, sem as quais é impossível entender os quadrinhos americanos dos últimos 25 anos. A terceira tentativa, diferentemente, era assinada por um homem que vinha de fora da indústria dos quadrinhos, que de fato nunca tinha participado dela. Se chamava Spielgman, e como não devia nada a ninguém além de a si mesmo, a sua grande novela (gráfica) americana, Maus, não tratava de super-heróis, mas de pessoas de verdade e fatos do mundo real. O seu herdeiro natural é, hoje, entre outros, Chris Ware. Em 2012, com tudo o que aconteceu desde então e a presença que os quadrinhos ganharam em um mundo igualmente real (o das livrarias normais, além das reservas dos entendidos dos quadrinhos), parece lógico, com a mesma naturalidade que em 1986 parecia sê-lo com os super-heróis, projetar a hq da grande novela americana com personagens realistas. Pessoas normais sem superpoderes, que têm filhos e taras físicas, que se separam e se reencontram com velhos *amigos* da escola graças ao Facebook.


MCFARSANTE #2. Segunda parte da entrevista de Todd McFarlane para TJ Dietsch, do CBR. Agora, sobre o que detonou a sua saída da Marvel:

Você estava ficando entediado ou cansado com trabalhar com personagens de outras pessoas ou existiam outros fatores que te motivaram a criar a Image?

Não teve nada que ver com querer fazer o meu próprio personagem. De tempos em tempos, eles me faziam redesenhar coisas, [mencionando] o Comics Code, muito embora ninguém parecesse saber como o Comics Code funcionava, o que eu achava incrível considerando que eles eram os editores. Eles diziam "apenas para ter certeza, redesenha isso". O motivo pelo qual isso frustrava um cara como eu era, um, provavelmente porque eu era imaturo e, dois, eu escrevia, desenhava e arte-finalizava, então cada vez que eu tinha que corrigir alguma coisa, tinha que corrigi-lo três vezes. Ou, você tinha essas conversas estranhas onde eles diziam que não sabiam se DeFalco ia aprovar a história. Bom, porque você não vai lá e pergunta para ele e, se ele disser que não, nós lidamos com isso? Pra que redesenhar uma página quando nós ainda nem perguntamos se ela ia ser rejeitada? Era um negócio estranho.

Como eu disse antes, não teve uma coisa que me fez dizer "é isso, pra mim chega". Eu apenas me sentia lentamente provocado, e provavelmente por causa da minha imaturidade. Finalmente, eles me fizeram corrigir uma coisa e eu cai fora. Meu primeiro era recém-nascido e eu estava procurando por uma desculpa para passar mais tempo com a minha esposa e com meu filho.

"Pretensão artística? Como assim? Foi preguiça".
-- Todd McFarlane, 2012.


VINGADORES MUTANTES #2. Shawn Hill, Chris Kiser e Jamil Scalese debateram, no Comics Bulletin, Uncanny Avengers #1. O diagnóstico é meia boca, apesar da empolgação inicial de Kiser:

Marvel NOW! é alguma coisa entre uma resposta e uma retaliação aos Novos 52. É quase como se a Marvel zombasse da recente sublevação do universo da DC e dissesse "eu faço melhor!". Na minha opinião, a partir dos previews que eu li, entrevistas e essa primeira edição da nova equipe dos Vingadores, as séries da Marvel estão banhadas em muito mais coisas interessantes e criatividade do que a maioria das coisas que a DC cozinhou no último verão. De alguma forma, ano depois de ano, eles dão um jeito de me manter ao menos parcialmente consciente de sua programação, e essa nova temporada me deixou tonto.

O Caveira Vermelha Mars Attack não foi suficiente para justificar todo o auê? NÃO CREIO.

COMO FOI. E já que estamos nessa linha Marvel x DC, Barry Pearl publicou, no seu blogue, a transcrição de uma matéria da revista Village Voice de abril de 1965, escrita por Sally Kempton, sobre a febre-cult Marvel – o porque os gibis da DC cheiravam a mofo:

Arte pop de verdade ou não o Antigo Culto aos Quadrinhos tinha que ser falso. O mundo da leitura dos quadrinhos antigos é duro; somente se consegue aproveitar uma história do Batman quando você se lembra constantemente que constava dele quando tinha 12 anos. Quanto  às novas edições de Batman e Super-Homem, elas são fracas, até mesmo para os padrões dos quadrinhos. A única concessão de Super-Homem para a modernidade foi a criação de uma liga de super-heróis, uma melhoria dúbia no melhor dos casos, e ele ainda tem o mesmo vício por máquinas do tempo que tinha nos anos 40. Batman não tem nem mesmo as suas aventuras jovens. Existe um Culto aos Qaudrinhos de verdade, mas ele não tem nada que ver com os heróis de antigamente e atrai a nossa atenção por motivos que não são de nostalgia.

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