NFN#95: SOBRE TARADOS E AS SUAS TARAS



ENCAIXADO #7. Chris Ware, Building Stories, entrevista, Chris Mautner, The Comics Journal, mais mais mais:

O uso incessante de réguas é mais uma tentativa de entender como as casas e os prédios afetam as formas e a estrutura das nossas memórias, como essas formas podem continuar vivendo nas nossas mentes anos ou décadas depois que os prédios foram destruídos. Por exemplo, quando uma pessoa desce uma escada um dia depois do outro, alguma coisa fica impressa em sua memória e em sua mente sobre dobrar uma esquina, segurar o balaustre, de uma forma muito primitiva, quase não-verbal. Apesar de ser uma "imagem" exatamente, essa forma ou a forma que o movimento criou é uma memória tanto quanto a aparência da casa ou da pessoa em um determinado momento, e pode dar forma aos sonhos e até mesmo às experiências, fazendo com que lembranças apareçam em momentos estranhos e inesperados, cada vez que uma esquina é dobrada ou um balaustre é agarrado. Quando fiquei mais velho, me dei conta que essa qualidade inominável é um aspecto muito estranho e importante dos quadrinhos.


VERGONHA ALHEIA. A DC lançou uma série de quadrinhos inspirada na coleção de estátuas Ame-Comi Girls -- que consiste, basicamente, nos personagens femininos da DC, seminuas e em versão anime -- parece tão constrangedor quanto é:

Para ser justo, tecnicamente, o Braianic não tem sexo
e não pode ser considerado um "personagem feminino".

J. Caleb Mozzocco resenhou a primeira edição [protagonizada pela Mulher Maravilha], algo que alguém teria mesmo que fazer -- só não sei por quê. A ingrata tarefa de escrever o roteiro caiu sobre Jimmy Palmiotti e Justin Gray. Os desenhos são de Amanda Conner, que não tem grandes influências de mangá [como a série original pareceria exigir], mas tem as qualidades necessárias para o desenhista da série: é mulher, o que deve ajudar a apaziguar ânimos politicamente corretos [de alguma forma] e é descendente de irlandeses, o que deve ajudar na hora de topar fazer qualquer coisa por dinheiro -- existe uma crise na "old Erin", maldição!


MCFARSANTE. Em dezembro, vai ser lançado The Art of Todd McFarlane, livro que pelo nome você já deve deduzir sobre o que se trata -- as únicas informações adicionais relevantes são que a introdução foi escrita por Stan Lee e que o título não é voluntariamente irônico.

Diante do lançamento e das incertezas decorrentes do impacto no equilíbrio moral do mundo que esse gerou [teremos que começar a nos referir a todo o restante da manifestação cultural humana, schuinf, com uma palavra que não "ARTE"?], TJ Dietsch entrevistou o homem,o mito, o McFarsante, no CBR. Essa é só a primeira parte, mas dela você já tira algumas conclusões -- uma delas, sobre como foi possível McFarlane se tornar um desenhista profissional E ter algum senso de autocrítica ao mesmo tempo. Aparentemente, as duas coisas não apenas não são contraditórias, como de alguma forma são complementares:

Eu mantive o foco do meu estilo de desenho nos super-heróis americanos. Certo, vamos ver se você consegue aprender isso, Todd. Os caras que me inspiraram não eram os caras bons -- os caras bons me afastaram, eles eram incríveis de se olhar. Os caras que me inspiraram foram os medíocres. Quando eu via um desenho ruim numa hq, me dava esperança. "Algum dia, eu posso ficar assim". Os caras que eram ótimos, nunca pensei que poderia ser como eles, mas os caras ruins, você pensa, "Posso desenhar assim de mal!".

A outra: sim, McFarlane é do tipo que fala de si mesmo
em terceira pessoa.

DOS ARTISTAS E TAL. Ivan Aliaga e Miguel Nuño fizeram esse infográfico no El Mundo sobre as Artist's Editions que a IDW lançou [dentre elas, aquela do Born Again]. É um bom teste para saber se você ainda é um NERD HUMANO e, portanto, capaz de sentir DESEJO.

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