NFN#94: AOS PARES



ENCAIXADO #6. Mais Chris Ware e Building Stories. Dessa vez, versão entrevista: é para o Alex Hern, do New Statesman.

Ainda que Building Stories seja um objeto intensamente físico, uma das histórias foi primeiro lançada como uma hq digital para a McSweeney's, o que por si só é provocar os limites do meio. Como você vê as duas coisas co-existindo no futuro?

Essa tira foi originalmente escrita e planejada para a segunda edição para iPad da revista Wired, gentilmente encomendada pelo editor Scott Dadich. Estava realmente empolgado pela ideia de poder transformar os desenhos em coisas tácteis, e para tomar partido dessa nova possibilidade técnica escrevi sobre como o contato físico em uma relação pode mover do afeto para a agressão. Ao mesmo tempo, estava (e estou) com muitas dúvidas sobre a idéia de colocar quadrinhos em um meio no qual você pode rodar animações tão facilmente quanto imagens estáticas. Apesar dos esforços da Wired, a tira ficou muito complicada e sedenta de memória para ser parte da revista deles, então ela ficou de repouso por um tempo até que a McSweeney's [espero que esse nome te lembre de ALGOse ofereceu para fazê-la como uma aplicação separada, e um artista digital chamado Russell Quinn pegou os pedaços e animações que eu e meu bom amigo John Kuramoto fizemos e encaixou eles de forma brilhante, como eu originalmente tinha pensado. Ao mesmo tempo, achei o final essencialmente insatisfatório; simplesmente não me sinto confortável cobrando por algo incorpóreo, e, ainda que eu tenha escrito a tira para ser tocada e manipulada como os personagens na história que ela conta, fundamentalmente prefiro a versão sólida, de papel, não conectada na tomada, que pelo menos ainda poderá ser lida daqui cinco anos, o que eu infelizmente duvido que a versão eletrônica vai ser.


HISTÓRIA #4. E também tem mais sobre Sean Howe e Marvel Comics: The Untold History. É outra entrevista: os fatores agora são "Rick Flom" e "Capital". No outro dia, comentei aqui sobre a parte do livro que é uma espécie de "a geração do sexo, drogas e rock'n'roll salvou os gibis da Marvel". Nessa entrevista, Howe fala sobre Jim Shooter, editor malvadão cuja função foi acabar com a farra:

"Todo mundo sempre usa essa frase, mas ela é verdade: Jim Shooter fez os três chegarem no horário", diz Howe. "E isso era uma coisa que realmente tinha que acontecer. Em 1978, eles estavam perdendo muitos prazos, e Shooter chegou e colocou isso sob controle. Um dos efeitos desse controle, eu acho, é um pouco de sensação de aventura".


PRIMEIROS PASSOS. O criativo site Arte Secuencial [isso foi uma ironia] teve uma boa ideia: publicar algumas páginas dos primeiros trabalhos de John Byrne [isso não]:

Nós podemos encontrar as primeiras linhas de John Byrne podemos encontrar em um fanzine universitário de 1971, chamado Aca Comix, onde ele apresenta uma história de capa e espada chamada The Death's Head Knight. Quase ao mesmo tempo, Byrne publicou no jornal da universidade uma tira chamada Gay Guy, que mostrava um personagem, uma espécie de paródia de super-herói, politicamente muito incorreto. Ali se insinua, a partir dos traços de um dos personagens secundários, a semente da protagonista que mais adiante será conhecida como Snowbird, do grupo Alpha Flight.





Aqui estão dois desenhos a lápis de Steve Ditko e Jack Kirby, arte-finalizados por um jovem Daniel Clowes. O primeiro foi feito para diversão do próprio artista, durante os seus anos de aprendizado como um cartunista, quando ele conseguiu um xerox de uma página a lápis de Steve Ditko através de um amigo [1985]. O segundo foi feito para uma antologia de pin-ups de homenagem a Jack Kirby, onde lhe foi fornecido um esboço a lápis de "Vollstag", um personagem do gibi de Thor, e convidado a entintá-lo [1994].


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