NFN#91: BRIGAS ACIRRADAS E RESENHISMO VELOZ




RESENHISMO MÚLTIPLO. No Paste, Hillary Brown e Sean Edgar resenharam alguns dos lançamentos da semana: The Hive, novo de Charles Burns e continuação de X'ed Out ["enquanto X’ed Out derivava entre sonho e realidade de uma forma mais convencional, começando no nosso mundo e construindo claros ecos visuais e temáticos entre ele e o reino do inconsciente, The Hive é mais inquientate"], New York Drawings, de Adrian Tomine ["em alguns pontos, parece que Tomine está se transformando em um Harvey Pekar que sabe desenhar, um reclamante profissional que consegue entreter enquanto resmunga"] e toda a minissérie Avengers vs. X-Men ["cinco escritores, quatro desenhistas e duas equipes super-heróicas beligerantes com um plantel acumulado de 40 membros não fazem uma história consistente"].

Já no The Comics Journal, Tucker Stone [com a ajuda de Abhay Kholsa e Joe Mcculloch], escreveu a sua coluna/churriu mental EM CHAMAS.

Passou por Uncanny Avengers e as suas DEZENOVE capas alternativas, Message to Adolf, de Osamu Tezuka ["tão poucas pessoas vão tão longe quanto esse cara foi, e ele foi tão longe como regra geral... e, mesmo assim, depois de ler o seu trabalho ... é impossível não se sentir um pouco renovado, um pouco mais excitado, um pouco mais aberto"], Detective Comics #13, de John Laymon [de Chew], Jason Fabok e Jeromy Cox ["muito, muito melhor que o resto da linha principal de gibis da DC"], Uncanny X-Force #32, de Rick Remender, Phil Noto, Frank Martin Jr e Rachelle Rosenberg ["outro capítulo onde um integrante da equipe trai a equipe, algum subterfúgio é usado para enganar os vilões, e Wolverine diz alguma coisa sobre violência"], Daredevil End of Days #1, de Brian Michael Bendis, David Mack, Klaus Janson e Bill Sienkiewicz ["a coisa toda é entregue sob a convicção geral de que nenhuma das pessoas envolvidas sabe quando deveria ter parado e, no caso de todos eles, a resposta é antes de terem parido isso aqui"].


ENCAIXADO #4. Jeet Heer resenhou Building  Stories, de Chris Ware, no The Globe and Mail.
É uma das melhores resenhas até agora.

Ware partiu a sua história em 14 livros menores em parte para reforçar um dos maiores temas narrativos de Building Stories, a natureza fragmentada da vida urbana moderna. Mas os livretos separados também são, cada um deles, belos objetos em si mesmos, com narrativas especificamente desenhadas para o meio físico que a abarca. Por exemplo, o menor dos panfletos lida, de forma delicada e comovente, com a pequena interação diária entre uma mãe e sua filha. Um dos maiores tabloides lida com a morte, que é tanto uma grande notícia quanto fisicamente difícil de manejar. 


RANCOR. A despedida de David Sim dos quadrinhos [comentada aqui] teve desdobramentos. Sim, desiludido com o fracasso de sua série Glamourpuss, queria largar tudo de mão. Kim Thompson, da Fantagraphics, mandou uma carta aberta para ele: a proposta republicar todo o Cerebrus em encadernados de capa-dura, financiando o seu retorno às ATIVIDADES QUADRINÍSTICAS.

E aí deu tudo errado -- e de forma mais estranha do que eu conseguiria explicar. Pra tua sorte, Heidi MacDonald, do Comics Beat, no entanto, não é uma mulher sujeita às mesmas limitações que eu.


Resultou que Sim queria conduzir as negociações em público no fórum da Fantagraphics [...]. O post passou dos 700 comentários [...]. O negócio todo transcorreu por algumas centenas de mensagens sobre quais seriam os volumes iniciais, Dave se preocupando que se a Fantagraphics o publicasse o New York Times Book Review pensaria que ele não era o Ernest Hemingway, e outras merdas estranhas que pareciam, em termos de uma negociação direta, com um monte de caras chapados tentando resolver o teorema de Fermat.

E então, depois de semanas, nessa semana Sim subitamente levantou um velho problema seu sobre como o Comics Journal uma vez, quase vinte anos atrás, publicou uma charge comparando ele a Adolf Hitler.

Nas palavras do próprio Sim:

Então, eu fiquei certamente surpreso quando um dos indivíduos responsáveis por me rotular como sendo o equivalente de um comandante de campo de concentração nazista estava subitamente -- e de forma bastante pública -- falando sobre publicar o meu trabalho e dar-lhe um sopro de vida. Era, desde o meu ponto de vista, uma situação perde-perde para mim, como foram todas as outras situações da minha vida relativas ao campo dos quadrinhos nos últimos 18 anos. Se eu não respondesse, seria mais um exemplo da minha longa, longa lista de compras de preconceitos e intolerância e ódio. Aqui está Kim me oferecendo ajuda e porque eu sou um COMICS JOURNALfóbico (assim como um misógino e um racista) eu não vou nem responder.

E se eu respondesse, então eu estaria reforçando a legitimidade do meu retrato como um comandante de um campo de concentração, 18 anos depois. Se não, porque eu estaria negociando com eles/ele?

"Peguei vocês".

Agora mesmo, enquanto Kim Thompson está pensando em uma forma educada de convencer Sim de que é mais fácil engolir orgulho do que sangue, tudo está em STAND BY.


DISPUTAS JURÍDICAS. Temos mais disputas para o NFN DIÁRIO hoje. Essa nos vem pela mão de Daniel Best, do 20th Century Danny Boy, que publicou a íntegra da petição inicial do processo que Todd McFarlane ajuizou contra o seu [imagino que ex] amigo Al Simmons e a introdução do livro que serviu de pretexto para o seu ajuizamento.

Talvez você tenha lido alguma coisa sobre isso semana passada: Simmons, que comparte nome com a identidade “real” de Spawn, uma homenagem de seu então amigo McFarlane, teria se dado naquele livro, uma autobiografia, mais créditos do que os devidos pela criação do personagem.

Noutras palavras: duas pessoas estão brigando em juízo por Spawn e não é para atribuir-se reciprocamente a responsabilidade pela criação do personagem. Agora eu vou ali enquanto a tua fé na humanidade morre mais um pouquinho.

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