NFN#88: #0!



RESENHISMO MÚLTIPLO. Oliver Sava, do AV Club, repassou alguns dos lançamentos quadrinísticos da semana.

Detalhe para três lançamentos da DC resenhados: Phantom Stranger #0, Sword Of Sorcery #0 e Talon #0, os dois primeiros porque poderiam representar uma tentativa de ampliar os gêneros presentes nas séries da linha mainstream da editora [Phantom Stranger no terror, Sword of Sorcery na fantasia heróica], e o terceiro por ser desenhado por Guillem March, que apanhou bastante em sua fase no gibi Mulher-Gato.

O resultado FONÉTICO é: "pfff, beh, hmmmm".

A trama de Phantom Stranger #0 (DC) é um dos desenvolvimentos mais bizarros dos Novos 52, dando a um personagem clássico da DC uma conexão bíblica por nenhum motivo. [...] Essa série é uma combinação de decisões ruins, incluindo Scott Hanna como arte-finalista dos desenhos de Brent Anderson. A aspereza hachurada do lápis de Anderson faz dele uma escolha ideal para uma série com um pedigree de terror (apenas olhe para a capa), mas a tinta suave de Scott Hanna elimina qualquer sensação de atmosfera do traço de Anderson.

Amethyst [protagonista de Sword Of Sorcery] é uma das propriedades da DC mais adequadas a crianças, porém a editora acredita que seria uma boa idéia incluir uma cena de violência sexual para adicionar efeito dramático na história. Quando Amy aparece para parar o ataque, um dos homens de fato vai atrás dela e diz “eu pegaria ela”. Poderia ser desculpado se a execução não fosse tão horrível, mas [Christy] Marx [escritora da série] não tem habilidade para fazer a situação parecer qualquer outra coisa que um truque barato para fazer Amy parecer heróica. É uma pena que a parte do roteiro de Amethyst seja tão fraca, porque todo o resto de Sword Of Sorcery é um sucesso. Aaron Lopresti está produzindo o melhor trabalho de sua carreira nessa série, com visuais exuberantes que quase compensam pela história monótona. Ele é um artista muito limpo, e a sua arte tem um brilho que é apropriado para uma história ambientada em um lugar chamado Gemworld.

[Talon #0] parece muito com uma edição do Batman de [Scott] Snyder, sobrepondo a narração com ação para criar uma edição que é densa com a história e que mesmo assim se mova com um ritmo ativo. O desenhista Guillem March foi muito criticado [eu não disse?] pelo seu trabalho sexualizado demais e anatomicamente questionável em Catwoman, mas o seu lápis em Talon é uma proclamação agressiva de seu talento. O design de seus personagens são variados, a anatomia está sob controle, e ele muda sem problemas de um terror taciturno para ação dinâmica. Talon #0 faz exatamente o que uma primeira edição deve fazer, apresentando o personagem e o conceito com uma escrita confiante e um desenho limpo, criando uma boa impressão para o resto da série. 


GERAÇÕES. Warren Ellis escreveu um artigo inteiro em seu site apenas para elogiar a composição de página INFOGRÁFICA de The Nightly News, primeira série de Jonathan Hickman.

Por exemplo: sobre isso...



...ele disse isso:

É apenas um quadrinho, menos evidentemente impressionante que a maioria dos outros aí de cima, mas esse é o audacioso: a informação é a belamente apresentada, totalmente lúdica e supérflua, que de alguma forma enriquece o quadrinho. Essa é a parte atrevida, que remonta a Chaykin e Bruzenak, ou Talbot em ARKWRIGHT: não existe nenhum motivo para que ela esteja lá, mas é bonita e adiciona um quê artístico e me faz sorrir. Existe um pouco de loucura barroca na mente de designer e linhas limpas de Hickman, e eu gosto muito disso.




BRASILEIRO TIPO EXPORTAÇÃO. Mike Deodato está a solta. Semana passada, participou da centésima edição do ARG!Cast, onde falou por quase uma hora e meia sobre a sua carreira. Agora, no Quadro a Quadro, foi entrevistado por Lucas Pimenta e Guido Moraes.

Na entrevista, Deodato está meio monossilábico, no ARG!Cast está mais solto [detalhe para a parte onde ele comenta que se refugiou no mundo dos quadrinhos pornô online no início dos anos 2000, em busca de trabalho], mas dela tiro um trecho no qual ele comenta o seu trabalho para o estúdio do Liefeld, no final da década de 90:

[QaQ] Houve uma confusão com você e Rob Liefeld, que envolvia o uso do seu nome de forma indevida e o Deodato Estúdio. Pode falar um pouco mais sobre isso. O que realmente aconteceu?
[Mike Deodato] O estúdio dele solicitou muitas revistas com meu nome quando na verdade deveriam ser creditadas a outros artistas de meu estúdio. A intenção, acredito, era de fazer com que as lojas encomendassem mais revistas por causa do meu nome. No final, o lojista, o leitor, eu e o artista fomos os perdedores.
[QaQ] O mesmo aconteceu na Marvel?
[Mike Deodato] Não. Na Marvel eles creditavam como Deodato Studio, mas, algumas vezes, não faziam o combinado que era de especificar quem do estúdio fazia o quê nos créditos.


RESENHISMO ESTRAGA SURPRESAS. Ontem foi publicada a última edição do mega-blaster-crossover-da-década-aimeudeus da Marvel, Avengers vs. X-Men. O universo [fictício] nunca será mais o mesmo -- é a promessa não menos fictícia. Se você quer saber quais foram os desdobramentos sórdidos, o link é esse. Ele te leva para uma resenha spoiler-full escrita por Lucas Siegel do Newsarama. Não transcrevo nada, precisamente pela parte do "spoiler-full".

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