NFN#87: ALEX ROSS É UMA FARSA!



OUI. Taylor Pithers, do Weekly Crisis, resenhou New York Mon Amour, de Jacques Tardi.

A maior parte desse encadernado é dedicada a republicação da clássica história da Heavy Metal, The Cockroach Killer, um conto sobre um exterminador e sobrevivente da Segunda Guerra que descobre um décimo terceiro andar de um prédio que tem um certo problema com pragas. Depois de escutar acidentalmente um grupo de indivíduos sinistros planejar o assassinato de certas pessoas, Walter, o exterminador do conto, se vê preso em uma teia de aranha de mentiras e intrigas que não se diferencia muito do filme favorito de Alfred Hitchcock de cada um. Junto com tudo isso está o frágil estado mental de Walter, que desconfia de todos, incluindo ele próprio, e alucina com um monte de baratas nazistas. The Cockroach Killer é o tipo de história que David Lynch contaria [...]. 


PROFETA. Brandon Graham, da elogiada Prophet, aproveitou o hype em torno de seu nome para voltar a um de seus projetos anteriores, Multiple Warheads. De lambuja, deu essa entrevista para Aaron Long, do Comicosity. A série é tipo uma versão lisérgica [palava cujo uso é inevitável, muito embora seja proibida no Manual de Redação do New Frontiersnerd] de algo que eu não sei o que é:

AL: Para leitores que não estão familiarizados com Multiple Warheads, como você descreveria a série?
BG: Ela é ambientada em uma versão de fantasia da Russa e segue uma mulher que contrabandeia órgãos mágicos e o seu namorado lobisomem enquanto eles viajam pelo país. E tem uma segunda trama na historia sobre uma caçadora-de-recompensas que é enviada para encontrar um cara cuja cabeça foi arrancada.
A minha idéia nessa coisa é, na verdade, deixar-me levar para fora do trilho e explorar os lugares fictícios que eu imagino.


NÃO SE PODE AGRADAR A TODOS ETC #5. Tentarei ser breve, pois o trecho é longo: Vom Marlowe, sobre Alex Ross. O ponto de partida é Kingdom Come e o argumento é que todo aquele "realismo" do desenho é glacê, porque usado para representar coisas que não são realistas -- sem o mínimo esforço por parte de Ross para adequá-las. É no The Hooded Utilitarian, parte da série de artigos dedicados ao ódio. Não consegui ser breve, mas vamos lá. Partindo do seguinte exemplo:
  


Olha, no mundo real, caras jovens usam uniformes de futebol feitos de spandex ou o que seja, mas homens adultos normalmente não usam armaduras verde brilhantes no formato de bolas de boliche. Especialmente com uma, que diabos é isso mesmo? Algum tipo de tanga de cetim preto? Um avental? Não sei, mas é estranho. Estranho e feito.

E chamativo. Muito chamativo.

Parece estranho. Triste.

Em quadrinhos pintados de forma mais abstrata, não nos é mostrado de forma obsessiva as costuras de uma roupa de spandex. Não nos é mostrado exatamente de que forma um pedaço de armadura verde encaixa de forma não agradável em um corpo humano e então é se espera que os leitores acreditem que isso é funcional como um traje de batalha.

[...] Pessoas usando armaduras completas e inamovíveis não se jogam em cadeiras com as pernas abertas, mostrando a sua tanga preta brilhante!

[...] Cada vez que eu olho pra essa página, eu penso, "Coloque calças!".

Os comentários do artigo também são muito bons. Richard Cook, por exemplo, escreveu: não acho que a fama de Ross seja tão misteriosa. Os fãs  mais velhos de super-heróis que são o público alvo de Ross querem que os seus gibis de super-heróis sejam "sérios" e "maduros". E, em discurso middlebrown, nada diz seriedade e maturidade como foto-realismo.


TEZUKA. Ryan Holmberg escreveu um longo e excelente artigo, no The Comics Journal, sobre New Treasure Island de Osamu Tezuka e Sakai Shichima e a sua inspiração em gibis da Disney -- que passa pelo papel da própria Disney na 2ª Guerra Mundial.

Se de fato as famosas "técnicas cinematográficas" de New Treasure Island foram inspiradas pelas animações da Disney de forma geral e pela adaptação de seus princípios aos quadrinhos especificamente, então as noções sobre o "estilo Disney" dos mangás devem ser expandidas do seu atual sentido, restrito aos personagens arredondados de quatro dedos para o espaço mais aberto do como é feito o movimento dos personagens, e até mesmo a sensação cinematográfica que se diz (como McCloud e outros) que distingue o mangá das outras tradições nacionais de quadrinhos. 

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