NFN#86: MATT WAGNER DE VOLTA! DOOP DE VOLTA! TOMINE E MORRISON NUNCA PARTIRAM!




PARTIU. Jason Michelitch, que escreveu aquele artigo para o The Hooded Utilitarian sobre Batman/Grendel II e Matt Wagner, tem razão em uma coisa: Wagner, de artista promissor, tornou-se um conformado passageiro do TREM PARA O OSTRACISMO.

Posso estar sendo preconceituoso, mas veja essa entrevista que ele deu para Jevon Phillips, do Hero Complex [o blogue de quadrinhos do Los Angeles Times]. O pretexto é o lançamento de Tower Chronicles, nova série de Wagner para a divisão editorial da Legendary Pictures [que publicou Holy Terror, de Frank Miller].

HC: John Tower [o protagonista] é inspirado em algum tipo particular de caçador de recompensas? Ou ele é uma mistura?
MW: Apenas em que aquilo que você vê não é tudo que ele tem. No início da história, ele é um personagem muito indiferente -- parecido com o estilo de Clint Eastwood, um cara taciturno do tipo aventureiro. Mas, com o desenvolvimento da história, nós descobrimos mais sobre ele -- que os seus objetivos de verdade não são exatamente aqueles que pareciam no início.

A essa resposta, some a a capa da série [primeira à esquerda aí em cima] e me diga: que parte disso tudo parece mais interessante do que ir para o trabalho segunda-feira de manhã?


INFÂMIA. A última edição de Wolverine And The X-Men [a #17], escrita por Jason Aaron e desenhada por Mike Allred, protagonizada pelo Wolverine e pelo Doop [o cameraman mutante verde de X-Statix], foi resenhada por Oliver Sava, do AV Club. É uma edição de trakinagem:

Muito embora Aaron não goste de rotular essa série como sendo de humor, Wolverine And The X-Men é um título constantemente engraçado, e este episódio leva a comédia a um novo nível. A aparência cartunesca de Doop faz dele um personagem perfeito para gags-visuais, e Aaron usa a agenda cheia de Doop para pular entre os diferentes cantos do Universo Marvel e fazer Allred desenhar todo o tipo de situações absurdas. Para fazer Doop entrar na equipe, Wolverine tem que fazer com ele uma dupla de lutadores mexicanos de luta-livre, suportar um filme de Andy Warhol que consiste em cinco horas de um homem dormindo (a hora 17 da maratona Warhol), e encenar um show de uma pessoa só na qual ele se veste de Ciclope e esfaqueia os próprios olhos [...].


INDIE. Tom Spurgeon entrevistou, no Comics Reporter, Adrian Tomine. Eu poderia apresentá-lo, mas Spurgeon fez isso muito bem:

Adrian Tomine ocupa um lugar único no cenário dos quadrinhos de arte, como um cartunista que tanto é o último de uma era de talento desenvolvido em títulos-solo, quanto um dos principais beneficiários do contexto criado pelos quinze anos de quadrinistas que precederam a sua ascensão. A sua última hq, New York Drawings, é um surpreendentemente robusto volume de trabalhos do que ele considera um empreendimento artístico separado: ilustrações comerciais, dominadas pela sua longeva e recorrente participação com a The New Yorker. Várias das virtudes dos quadrinhos de Tomine são exibidas em New York Drawings, e não apenas nessas poucas páginas dedicadas a quadrinhos: composição forte, linhas atrativas, conceitos claros.


MÚLTIPLO. Nesse final de semana aconteceu em Las Vegas a MorrisonCon, convenção de quadrinhos organizada e protagonizada por... Grant Morrison.

Foto do ego de Grant Morrison, prestes a desenvolver gravidade própria.
Nela, Morrison deu mais detalhes sobre Multiversity, dentre os quais algumas páginas desenhadas por Frank Quitely, o seu projeto para a DC Comics que será a sua obra definitiva de super-heróis – na semana de sua publicação, pelo menos. Kevin Melrose, do CBR, descreveu a série [ou as séries] assim:

"Multiversity" é uma série de oito edições composta de seis one-shots e uma conclusão em duas partes -- cada edição, desenhadas por artistas diferentes, contém uma história principal de 38 páginas e uma história de backup de oito páginas -- com cada edição ambientada em uma Terra paralela diferente dentro do Universo DC. Existe um mundo formado pela versão adulta de sidekicks e crianças da Liga da Justiça; um mundo nazista, uma reminiscência da premissa de Superman: Red Son; Thunderwolrd, habitado pelos personagens de Capitão Marvel/Shazam; e assim em diante. De acordo com a DC, cada mundo publica histórias em quadrinhos sobre os heróis dos outros mundos -- uma referência à Era de Prata que Morrison tanto adora -- e, quando os personagens se dão conta disso, se unem para combater os vilões.

Andy Khouri, do Comics Alliance, também fez o seu artigo sobre o tema, comentando cada um dos universos que fazem parte da história. Um deles [o da série Pax Americana, precisamente aquela desenhada por Quitely] será protagonizado pelos heróis da Charlton [Besouro Azul, o Questão, etc]: precisamente aqueles dos quais Watchmen é uma versão.

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