NFN#108: STRACZYNSKI. NÃO, SÉRIO: POR QUÊ??



EGOTRIP #2. No AV Club, Oliver Sava comentou diversos lançamentos da semana. Destaque para Daredevil: End of Days #1, primeira edição da minissérie de Brian Michal Bendis e David Mack...

Existe uma trama interessante aqui, mas a atração principal de End of Days é a equipe de arte formada por Janson arte-finalizado por Sienkiewicz, que também pintou as seqüências de flashback. Esses dois artistas tem uma história antiga com o personagem, e, enquanto o resultado não é o mais bonito dos desenhos, encaixam perfeitamente com o roteiro sombrio. Existe um aspecto de rascunho cru que faz com que pareça que os personagens marcharam pelo inferno para chegar onde estão agora, e o porte físico de Demolidor, Bullseye e do Rei do Crime é exagerado de forma grotesca para enfatizar como eles são diferentes de civis normais como Urich e Jameson. O Demolidor atual de Waid é fantástico, mas End of Days é um forte retorno para uma versão mais austera do personagem, mostrando que ambas as interpretações tem seus méritos.

...o novo Multiple Warheads, de Brendam Graham...

Como todos os trabalhos de Graham, Multiple Warheads é uma história incrivelmente imaginativa com uma sagacidade dissimulada e personagens encantadores, perceptivelmente densa, mas convidativa e entretida para leitores que não estão familiarizados com o estilo característico de Graham. Esse estilo é uma mistura de sexo, ação, e jogos de palavras engraçados apresentados através de um filtro visual que combina mangá, graffiti e design de moda underground, resultando em algo novo e excitante, mas ao mesmo tempo reconhecível.

...e, o que mais me interessa nesse momento, Superman: Earth One #2, de J. Michael Straczynski [sim, o próprio] e Shane Davis, forte candidato, ao que se vê, ao título de gibi mais constrangedor do ano:

As verdadeiras reclamações vem graças à subtrama do gibi sobre de Clark Kent, que o encontra incapaz de manter relações sexuais com a sua vizinha gostosa porque ele destruiria a sua vagina. Clark quer pegar ela, mas ele não consegue esquecer as palavras de seu pai: "Homem de aço -- mulheres de lenço de papel". É uma forma desengonçada de humanizar o herói, e, quando Clark perde temporariamente os seus poderes lutando contra o Parasita, ele acaba apenas reclamando pelos cantos em vez de aproveitar a sua nova situação. Stracyznski tem um jeito desajeitado para tentar trazer um lado humano para o drama fantástico, jogando na mistura personagens de uma nota só -- como a irmão do Parasita, Theresa, e o vizinho viciado em heroína de Clark, Eddie -- em tentativas falhas de ser tocante.

Reflitam por um segundo.

O que nos leva, finalmente, à egotrip -- no caso, o meu comentário nessa notícia do Terra Zero, precisamente um preview de Superman: Earth One. Perceba que o primeiro parágrafo ganhou argumentos [os, err, problemas de Clark se enquadram na categoria sensualidade aguada, uma tentativa especialmente falhada de ser sensual sem ser sexual] e que o segundo ganhou exemplos concretos [do que ignorar]:

O Batman: Earth One foi hiper-resenhado [via de regra, de forma negativa]. Do que eu tirei das resenhas, somado a esse preview, essa linha Earth One parece um negócio voltado para adolescentes -- mais ou menos como os quadrinhos dos anos 90: só nas páginas desse preview, nos temos "raiva", sensualidade aguada e Temas Em Maiúsculas [aparentemente, o Super intervém em um conflito armado], tudo isso são coisas que adolescentes associam a maturidade, e o “tema” herói super-poderoso, sofrido e caindo em desgraça.

De qualquer forma, gosto dessa idéia dessa lógica que segue a das adaptações cinematográficas da DC nos quadrinhos — o cara pega um personagem estabelecido e faz algo como a sua própria versão, desligada da cronologia. É a mesma da linha Grandes Astros [essa, óbvia, com outro público-alvo]. É só ignorar os que não sabem o que fazem...


COMO PROCEDER #2. Paolo Rivera, em seu próprio blogue, fez um post bastante detalhado sobre o processo de criação de Mythos: Captain America, o seu primeiro trabalho para a Marvel [isso foi em 2007]. Josh Kopin, do The Long  & Shortbox of It usou a postagem de Rivera como ponto de partida para analisar o trabalho do desenhista.

No panteão das origens de criadores, a história de Rivera é quase extraordinária. Ainda que ele tenha sido um dos poucos artistas de quadrinhos das últimas décadas a começar direto pela primeira divisão, ele nunca foi apresentado com o epíteto excessivamente usado "artista superstar", a pesar do fato do seu trabalho ser com freqüência muito melhor do que os artistas que o recebem. Em vez disso, ele começou a sua carreira trabalhando na Casa das Idéias, e, talvez mais interessante, ele produziu apenas umas poucas dezenas de quadrinhos para a empresa nos dez anos em que esteve exclusivamente contratado por ela. Muito embora eu seja um cínico sobre a capacidade das editoras de quadrinho mainstream de ver e recrutar artistas verdadeiramente talentosos, não é difícil de enxergar porque a Marvel manteve Rivera por tanto tempo.


UM WOODY ALLEN IMPORTADO. Adrian Tomine deu essa entrevista para oo The Paris Review, feita por Peter Terzian. Sobre os seus desenhos novaiorquinos, Tomine comentou:

Quase todas as imagens na hq tem a sua origem na observação. Cheguei a Nova Iorque em 2004, depois de ter morado na Costa Oeste por trinta anos. Tudo que eu tinha aprendido sobre Nova Iorque foi através do filtro de filmes, quadrinhos ou livros. Especialmente quando eu comecei com essas tarefa, era consciente da minha falta de autoridade. Alguns artistas capturam Nova Iorque muito bem porque eles viveram aqui a sua vida toda e podem se sentar na cadeira e se lembrar de alguma memória e colocá-la no papel. Mas eu me sentia mais como um repórter saindo para a a rua e tentando capturar o que wlw vê. Algumas coisas foram inventadas por causa de alguma data limite apertada, apenas no meu estúdio, e eu sinto que eles tem a falsidade de um filme que é ambientado em Nova Iorque mas que foi na verdade filmado em Toronto. A minha versão normal de Nova Iorque é muito mais artificial do que quando eu vou de verdade para a rua e arrumo os detalhes do jeito certo.

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