NFN#103



HISTÓRIA #7. Jonathan V. Last resenhou, no Wall Street Journal, o livro Marvel Comics: The Untold Story, de Sean Howe -- a essas alturas, na sétima postagem sobre o assunto, você deveria ser capaz de completar a frase sozinho. Sobre o caráter cíclico da indústria dos quadrinhos, Last comentou:

Desde os anos 30, [os quadrinhos] passaram por anos gordos e magros. Os tempos hoje em dia são duros para a indústria, com vendas mensais que são uma pequena fração daquelas do início dos anos 70. Os profissionais da indústria reclamam que os iPads ou a Internet vão levar os quadrinhos à falência. Mas sempre foi assim. No final dos anos 70, quando os quadrinhos estavam entrando em uma época de seca e Hollywood ainda não estava interessada em suas mercadorias, o editor Marv Wolfman dizia pras pessoas: "Em cinco anos, não existirão mais quadrinhos".


EX-EDUCACIONAIS. Chris Mautner resenhou, no CBR, Corpse on the Imjin! and Other Stories,  de Harvey Kurtzman [e vários desenhistas; lembra dele?] e Came the Dawn and Other Stories, de Wallace Wood [e vários roteiristas], dois lançamentos da Fantagraphics pro final do ano -- são encadernados com a histórias de Kurtzman e Wood [as de terror, não as de ficção científica] para os gibis da defunta editora EC.

No primeiro, uma das histórias é desenhada por Alex Toth [e desse, lembra?]:

Ressalto que apenas a primeira terça parte do encadernado está formada por histórias que Kurtzman escreveu e desenhou. O resto do volume é de histórias feitas com artistas que não são normalmente conhecidos pelo seu trabalho para a EC, como Toth, Dave Berg, (conhecido por "o lado irônico" [uma seção da revista MAD]), Russ Heath e até mesmo Joe Kubert (de longe, esse não é o seu melhor trabalho). Toth é o que se sobressai como uma estrela aqui, especialmente em F-86 Sabre-Jet, um conto hipnotizante de bravura aeronáutica que beira, as vezes, à abstração, já que Toth reduz os aviões e as nuvens a formas muito básicas em preto e branco. Aparentemente, os dois discutiram intensamente por essa história, mas ela continua a ser a coisa mais visualmente cativante do encadernado.

Sobre o segundo, Mautner comentou:

É claro que o fator determinante aqui é Wally Wood. Sim, a arte de Wood, especialmente nas histórias com moral, é exemplar. As suas cenas intensamente  detalhadas, o uso exemplar de sombras e contraste, e as mulheres curvilíneas, tudo se faz presente aqui.

O saldo final, no entanto, é desfavorável:

Teve uma época na minha vida (a minha adolescência, pra ser exato) na qual eu concordava com o consenso geral em relação à EC, na forma em que dito por Groth, "uma referência em quadrinhos de qualidade". Relendo eles agora, no entanto, me pergunto exatamente o que me chamou tanto a atenção. Fora alguns momentos estelares em Imjin, é difícil tratar isso aqui -- especialmente as história de Came the Dawn -- como digno dos elogios recebidos.


ILUSTRANDO. Mark Leibovich escreveu essa matéria sobre o vice-candidato a presidente do Partido Republicano das próximas eleições americanas, Paul Ryan, para a revista semanal do New York Times.

Ela é exatamente o que você pode esperar de uma matéria do New York Times sobre Paul Ryan. O que nos interessa, especificamente, é que ela foi a matéria de capa da revista –- e que essa foi, por sua vez, desenhada por Jaime Hernandez:



UM DIA, APENAS FORMADOS EM DIREITO VÃO LER QUADRINHOS #4. Você deve ter lido por aí que a família de Joe Shuster perdeu um processo que movia contra a DC Comics, e que de alguma forma isso foi determinante para a divulgação da data de lançamento do filme da Liga da Justiça.

Daniel Beast, do 20th Century Danny Boy, colocou as suas mãos [e logo após os nossos olhos] na sentença em questão. O resumo é o seguinte [nas palavras do próprio Daniel Beast]:

Essa decisão tem a sua origem em uma série de cartas e acordos que Frank Shuster e a irmã de Joe, Jean, assinaram em 1992. Esses acordos deram aos herdeiros de Shuster uma pensão [...], em troca de que esses abrissem mão de entrar com uma ação pelos direitos do personagem. [Marc] Toberoff [advogado que entrou com a ação] arguiu perante o juízo que esses acordos eram inválidos, já que a DC já era proprietária da metade de Shuster do Super-Homem quando Joe Shuster morreu. Como o espólio de Joe não foi encerrado até 2003, a sua parte do Super-Homem não pertencia aos irmãos de Joe, e os pagamentos que estavam sendo realizados foram feitos de bondade por vontade própria. Quando o espólio foi encerrado (com a participação de Toberoff), os herdeiros de Shuster poderiam buscar em juízo os 50% de Joe, e os herdeiros poderiam entrar com um ação de cassação de direitos autorais [não sei se existe algo parecido no Brasil, mas desconfio que não; envolve tentar rescindir um contrato de venda de direitos autorais por não ter o criador, no momento da venda, ciência exata do valor de sua criação -- em um determinado prazo, é claro] -- ao menos, essa era a argumentação de Toberoff. O juízo não concordou com esses argumentos e julgou como entendeu pertinente. O que resta agora é decidir sobre os acordos feitos entre Toberoff e Joanne e Laura Siegel -- se o juízo decidir que esses acordos não foram válidos, então isso significa que Laura Siegel vai ter que negociar com a DC Comics, algo que ela não parece estar disposta a fazer.

Você pode encontrar toda a sentença aqui.

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