NFN#102



PONTO DE ENTRADA. Oliver Sava, do AV Club, resenhou Marvel NOW! Point One, edição com seis histórias curtas, uma para cada nova série do relançamento da Marvel -- concretamente, Secret Avengers, de Nick Spencer e Luke Ross, Guardians Of The Galaxy, de Brian Michael Bendis e Steve McNiven, Nova, Jeph Loeb e Ed McGuinness, Young Avengers, Kieron Gillen and Jamie McKelvie, FF, Matt Fraction e Michael Allred, e Cable And X-Force, de Dennis Hopeless.

Sobre FF [a que parece mais interessante, como pode constatar qualquer um que tenha sido capaz de ler a lista de séries e criadores do parágrafo anterior], Sava comentou:

Matt Fraction está em uma seqüência incrível ultimamente [...], e o seu conto sobre Scott Lang é um equilíbrio requintado entre uma comédia de ação de super-heróis boba e um drama emocional devastador, mostrando um homem tentando escapar do luto abraçando as coisas que um dia fizeram ele feliz. Fraction aproveita o tamanho microscópico de Lang para transformar um ácaro em um vilão monstruoso, e Michael Allred aporta um aspecto Kirby-esco quando desenha as várias pequenas ameaças que o Homem-Formiga encontra quando se infiltra na embaixada da Latvéria.


ENCAIXADO #12. Building Stories, de Chris Ware, também foi resenhado por Rachel Cooke, do The Guardian. No mesmo jornal, Rosanna Grenstreet publicou um Q&A com Ware -- a seção de perguntas e respostas curtas do periódico inglês. É possível que Ware tenha sido tão editado quanto Clowes; é certo que ele deixou a mesma impressão de ser poço de alegrias:

O que você faz para relaxar?
Eu não relaxo.

Como você gostaria de ser lembrado?
Por todos, mas provavelmente vai ser apenas pela minha única filha, talvez um ou dois colecionadores de quadrinhos.

Onde você gostaria de estar agora mesmo?
Em casa.


HISTÓRIA #6. Panio Gianopoulos entrevistou Sean Howe, escritor de Marvel Comics: The Untold Story, na revista Salon -- o lead da matéria começa com "Bam! Pow!", o que meio que denuncia o approach de Gianopoulos.

Sobre a reformulação dos X-Men na metade dos anos 70, Howe comentou [ainda que a pergunta seja mais informativa que a resposta]:

Uma das coisas que eu achei especialmente interessante sobre o livro foi o quanto foi dedicado à cobertura do lado empresarial da editora. E como várias dessas decisões, essas decisões empresariais, levaram a grandes momentos de criatividade. Algumas coisas realmente fundamentais, como, por exemplo, quando os X-Men foram reinventados em '74, porque o Transworld Feature Syndicate que vender os gibis da Marvel para mercados estrangeiros. E Al Landau se deu conta que não existiam personagens asiáticos ou europeus, ou ao menos não muitos, e esse foi o impeto que levou à criação da Tempestade e o Noturno e o Colossus. E Wolverine foi criado pela necessidade de se explorar o mercado canadense. Parece uma coisa insensível e manipuladora, mas o resultado foi o Wolverine, um dos mais memoráveis personagens dos quadrinhos.

[sim, isso foi só a pergunta].

Existe uma longa tradição de insensibilidade na indústria. Até mesmo na época da criação do Capitão América. Foi só uma oportunidade de ganhar dinheiro ou foi patriotismo? Isso é um exagero... eram dois garotos judeus que queria fazer algo um pouco mais... mas existe uma longa tradição de arte basicamente boa que teve a sua origem em preocupações comerciais. E, óbvio, vice-versa. Mas acho fascinante que isso [os X-Men de '74] tenham sido concebidos naquele restaurante, o Auto Pub, que é basicamente uma homenagem a linhas de produção, e que agora é... aquele lugar é a loja da Apple da Quinta Avenida. Os X-Men foram criados na Apple Store da Quinta Avenida.

Nesse PREDIÃO aí, pra você que acha que não
existe GLAMOUR nos quadrinhos.

TEÓRICO. No Fast Company, Matthew E. May entrevistou [e acompanhou um seminário ministrado por] Scott McCloud, escritor de Desvendando os Quadrinhos, Reinventando os Quadrinhos, e Desenhando Quadrinhos – além do manual de lançamento em quadrinhos do Google Chrome, o Lucrando em Quadrinhos [metade disso é piada]. 

Fica a dica:

"O que importa é a clareza", diz Scott. "E clareza depende das escolhas que você faz. Você precisa tomar cinco escolhas-chave ao mostrar e contar uma história: a escolha do momento, a escolha do marco, a escolha da imagem, a escolha da palavra, e a escolha do fluxo. É isso".

Nenhum comentário: