NFN#101



CARNE DE PRIMEIRA. Nesse ano, e eu já devo ter comentado isso por aqui, faz vinte anos da criação da editora Image -- por isso que andam pipocando as entrevistas com os seus membros-fundadores, como aquela de Todd McFarlane que eu linkei aqui nas últimas semanas [em duas partes: uma e duas].

Agora, o próprio TJ Dietsch, que entrevistou McFarlane, de novo CBR, repetiu a pauta, mas com Marc Silvestri, fundador do estúdio Top Cow, e Matt Hawkins, seu atual executivo [e, à época da criação da Image, funcionário de Rob Liefeld]. 

Talvez você se lembre da Top Cow pelo grupo hiper-derivativo Cyber Force [formado por xerox desbotados de diversos X-Men], ou seus personagens mais conhecidos, Witchblade [que já teve inclusive uma série na TV] e The Darkness.

Sobre entrar para Image, Silvestri repetiu a história de McFarlane:

[...] Eu encontrei Todd [McFarlane] no hotel. Ele me descreveu o que a Image era e disse que Rob [Liefeld] estava dentro, e Erik Larsen e Jim Valentino. Jim [Lee] ainda estava em cima do muro. Jim era o prêmio, isso é algo que todo mundo sabia, que se o garoto de ouro, como Todd chamava ele, fosse para a Image, aí é que o terremoto aconteceria. Na minha cabeça, era perfeito, exatamente o que eu estava procurando. Tenho um respeito absurdo por caras como Todd e Jim. Esses caras eram os quadrinistas mais bem sucedidos na época, e provavelmente de todos os tempos. Essa era a época da história dos quadrinhos que as estrelas do rock estavam crescendo pela primeira vez, e esses caras eram as estrelas do rock. Eu disse "vamos fazer isso". Na minha cabeça, já tinha tomado a decisão de fazê-lo. Eu tinha um relacionamento na época, então tinha que conversar sobre algumas coisas, mas já queria dizer que sim. Só mais tarde naquela noite eu pude dizer para Todd que estava dentro, mas ele tinha me convencido ao dizer olá, basicamente.


INÍCIOS. Noah Berlatsky recuperou, no The Hooded Utilitarian, a sua resenha de Strange Suspense: The Steve Ditko Archives, vol. 1, originalmente publicada no The Comics Journal.

Strange Suspense é uma coletânea da Fantagraphics com as primeiras histórias de Ditko -- basicamente, histórias de terror pulp que ele desenhou com vinte e poucos anos [isso foi na década de 50]. Para Berlantsky, é tudo muito amador: Mesmo deixando de lado a parte escrita, no que se refere à fluidez visual e a narrativa, Ditko, ao menos nesse ponto de sua carreira, varia entre medíocre e puramente ruim.


FINAIS. Talvez pra compensar a resenha de Berlantsky, Russ Maheras, de novo no The Hooded Utilitarian, escreveu sobre Amazing Spider-Man #31-33, o seu arco de histórias favorito da Era de Prata, desenhado por Steve Ditko entre o final de 1965 e o início de 1966.

Muito pode se pode dizer sobre essas três edições: pra ficar em apenas duas coisas, nele você tem a famosa seqüência, no início da edição #33, do Homem-Aranha soterrado [por muitos considerada uma das melhores seqüências dos quadrinhos de todos os tempos], e o que provavelmente seja o momento definitivo de Ditko na série do Homem-Aranha [especificamente no que se refere ao seu objetivo de mostrar a transformação do personagem em um modelo positivo de herói] -- uma resolução que foi resultado de um CRESCENDO, como era habitual em suas histórias:

Ditko foi um inovador de diversas formas. Ao contrário de diversos de seus contemporâneos, Ditko pensava em termos de continuidade, e começava a planejar de forma meticulosa os arcos de histórias e as subtramas muitos meses, ou até mesmo anos, antes. Esse foi o caso do lento e meticuloso desenvolvimento da identidade secreta do Duende Verde, em um período de vários anos, e a sua lenta e tentadora introdução de Mary Jane.


INDIESMO. Sam Adams, do AV Club, entrevistou os irmãos Jaime e Gilbert Hernandez, algo como os TIOS do atual quadrinho alternativo americano. Resulta que Gilbert é um pessimista:

Pode ser que eu esteja em uma bolha, mas esse é o problema que eu vejo com os quadrinhos independentes: nós somos os únicos caras -- além de, talvez, uns dois outros -- que publicam quadrinhos de forma regular. Todos os outros publicam a cada cinco ou dez anos agora. Isso ficou pior. É por isso que não temos um ponto de partida, um crescimento na publicação de quadrinhos independentes sobre o que as pessoas estão falando tanto. Mas ao mesmo tempo, o mainstream parece estar sobrevivendo graças ao fato de que existem filmes hollywoodianos gigantescos baseados nos seus produtos, e os gibis atuais já não são mais uma grande coisa. É isso que eu vejo. [...] Não vou mais nas lojas de quadrinhos e vejo o quão bem eles estão vendendo ou o quão maravilhoso tudo é com os quadrinhos mainstream, mas você escuta que as pessoas estão saindo da DC em massa. Esse tipo de coisas. E estou pensando que eles estão passando por problemas. Os filmes vão muito bem, porque Os Vingadores é um filme, isso e aquilo. Mas não sei o que está acontecendo com eles, mas eu vejo que algumas coisas ganham bastante atenção, "Bom, o novo gibi de Charles Burns foi lançado". Ou o novo de Dan Clowes. Ou o novo de Chester Brown foi lançado. ESse tipo de coisas. E me parece que isso é levado mais a sério, com mais atenção. A não ser que seja só onde eu vou. Posso não saber o que mais está acontecendo. Não nos tratam mais tanto como [se todos os quadrinhos fossem do tipo] "pow zam". Agora nos tratam mais como, "bom, você faz isso a três mil anos, então você deve estar velho e cansado. O que vai fazer a seguir?".

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