NFN#100: CENTÉSIMA ATUALIZAÇÃO, DIGNIDADE MANTIDA

Ao contrário de.


PÁLIDO. Noah Cruickshank e Oliver Sava, no AV Club, começaram uma série de artigos dedicados a discutir, à velocidade de um por artigo, todos os encadernados de Sandman, a maior contribuição de Neil Gaiman para os quadrinhos. Começaram, como você deve supor, pelo primeiro, Prelúdios e Noturnos. Sava comentou:

Esta é a minha quarta leitura de Sandman: Prelúdios e Noturnos, e a hq teve um efeito diferente em mim cada vez que eu a li, basicamente porque está cheia de referências sobre as quais aprendo mais cada dia. O primeiro arco é formado por histórias que essencialmente imitam outros genros: terror inglês clássico (primeira edição), terror da EC Comics (segunda), terror contemporâneo (terceira), fantasia escura (quarta), super-heróis (quinta) e meta-ficção (sexta).


FRAUDE? Geoff Johns foi o alvo do mais longo e específico artigo-bile da série "ódio" publicada pelo The Hooded Utilitarian, escrito por Matthew Brady – uma boa forma de comprovar o que eu digo é acessar o NFN DIÁRIO em que o link foi compartido.

No próprio artigo de Brady, Matt Seneca, colaborador habitual do excelente podcast The Factual Opinion, escreveu um comentário em defesa de Johns – que seria bem intencionado, pelo menos:

Quantos quadrinhos, de super-heróis ou não, querem inspirar os seus leitores a serem pessoas melhores? Johns está falando uma linguagem que mais pessoas entendem do que basicamente todas as outras pessoas dos quadrinhos estão falando, e ele tá trabalhando um monte de merda cosmológica pesada junto -- criando um universo fictício que não tem qualquer relação com o nosso, mas que é usado para tratar das mais básicas preocupações emocionais humanas [...].

Serviu para fazer Noah Berlantsky, ainda no The Hooded Utilitarian, voltar ao tema em uma resenha sobre um arco de histórias da série Teen Titans [The Future Is Now, de 2005]. Para Berlantsky, Johns é uma cópia mal-sucedida de Marv Wolfman e Chris Claremont – o que, NO MUNDO REAL, equivale a dizer que alguém é decepcionante como uma TORRADA DE PRESUNTO E QUEIJO que deu errado:

[...] Matt Seneca argumentou que Johns acredita sinceramente em esperança e coragem [...]. Talvez eu tenha lido o gibi errado de Geoff Johns, mas tenho que dizer que quase não há esperança, ou coragem, ou preocupação com sentimentos humanos, básicos ou qualquer outros, nessas páginas. Quase tudo o que há é devoção ao continuity porn, tão intensa que até mesmo os prazeres mais rudimentares são afogados em uma maré de besteiras estranhas.


PARA O ALTO E AVANTE #6. Larry Tye, escritor de. Superman: The High-Flying History of America’s Most Enduring Hero, foi entrevistado por Jason Sacks, do Comics Bulletin.

[...] a minha história favorita, de todas as coisas que eu aprendi sobre o Super-Homem que eu não sabia antes, a mais interessante e divertida é que o Super-Homem era judeu.

Desmascarados!

Os cristãos falam dele como um Cristo, ou Deus manda seu filho para a Terra para fazer da humanidade o que ele pensava que ela poderia ser, Budistas pensam nele como o personagem Zen definitivo. Agnósticos e ateus pensam que ele é o messias secular. Mas, do seu nome no planeta Krypton, Kal-El, que significa em hebreu vasilha de Deus, ao fato de que ele veio como Moisés na história do Êxodo e foi resgatado por dois gentios chamados Marta e John Kent, que se dão conta que ele tem poderes extraordinários, à ideia de que qualquer personagem, qualquer humano que tem um nome que acaba com a palavra "man" é ou um super-herói, ou judeu, ou ambos.

Tye, no entanto, de certa forma concorda com Morrison [que tratou do tema em uma entrevista para o CBR que eu linkei aqui no outro dia]:

[...] Mas também adoro a ideia de que ele é um herói que nós todos vemos como nosso e podemos pensar em um bom motivo para isso. Alguém escreveu um livro inteiro sobre o Super-Homem e o Novo Testamento e sobre como o Super-Homem é um símbolo Cristão. Então nós podemos dizer qualquer coisa sobre ele porque ele é um personagem de fantasia, mas ele também existe há 74 anos porque tem todos os elementos que nós falamos sobre no início e estou convencido que, se os advogados e os herdeiros e os proprietários não estragam as coisas, ele vai estar por aí por outros 74 anos.


HISTÓRIA #5. No The Daily Beast, Tim Marchman leu e tirou conclusões de Marvel Comics: The Untold History de Sean Howe – que não são tão negativas quanto o seguinte trecho faz parecer:

Lee, co-criador do Homem-Aranha e do Quarteto Fantástico, homem do hype, uma-vez-quase colaborador do diretor de cinema francês New Wave Alain Resnais, e sobrevivente da Marvel e proto-Marvel desde antes da Segunda Guerra, disse uma vez aos seus funcionários que ele apenas queria a "ilusão" de mudança.

Você sabe que Magneto, supremacista mutante e inimigo dos X-Men, pode em determinado momento discursando para os seus seguidores, fingindo ser um prisioneiro de uma máscara de ferro com uma estrela no lugar do cérebro, ou liderando os X-Men, mas, no fim, ele sempre vai voltar aos seus planos malignos de escravizar a humanidade. O Quarteto Fantástico vai sempre retornar ao seu ambiente doméstico e aos prazeres da exploração inter-dimensional. O Homem-Aranha vai estar sempre prestes a se tornar um homem. Eles vivem estáticos, nunca envelhecendo e nunca morrendo de verdade, em um lugar onde nada nunca acontece.

2 comentários:

gugalanik disse...

Parabéns pela centésima postagem. E que postagem! Não sabia dessa imitação de gêneros no primeiro arco de Sandman. Na minha próxima releitura (que tamnbém deve ser a quarta ou quinta, desde que saiu aqui no Brasil), vou prestar mais atenção.

E gostei da comparação do Geoff Johns com Claremont e Marv Wolfman. Eu ouvia falar tão bem desse cara que levei um choque quando fui ler algumas histórias dele e não achei nada de extraordinário. Achei bem chatinhas, pra ser sincero. Continuity porn... hehehe.

Vicente [NFN] disse...

Opa, valeu!

Aquele artigo do Matthew Brady sobre o Geoff Johns, de um NFN anterior, vale a pena: é destruidor [ainda que muito longo]. Pra ser sincero, nem li muita coisa dele -- mas é por um bom motivo: tudo me parece meio TERRÍVEL, e a crítica não ajuda pra dar credibilidade aos elogios. Essa série nova do Aquaman é um bom exemplo: é muita cara de MAU.