MEMÓRIA #12: GRANT MORRISON E GRANDES ASTROS: SUPERMAN -- ENCONTROS DE TERCEIRO GRAU!



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Exatas duas semanas, a editora Panini anunciou a publicação de uma edição encadernada de Grandes Astros: Superman, de Grant Morrison e Frank Quitely, a principal hq do personagem dos últimos... vinte anos?

Parece um MOMENTO OPORTUNO para recuperar esse artigo do próprio Morrison, no Hero Complex, comentando exatamente a origem da história toda -- é algo como uma ENCONTROS EM TERCEIRO GRAU PELA VIA NERDISTA, como você deveria esperar. O ponto de partida é a San Diego Comics Con de 1999, onde Morrison e Dan Raspler, então seu editor, encontraram os seguintes sujeitos na rua:

Um era um cara barbudo normal, que a primeira vista como qualquer um dentre centenas de fãs de quadrinhos...

...todos nós estamos pensando na mesma coisa...
  
...Mas o outro era o Super-Homem. Ele estava vestido em um traje vermelho, azul e amarelo perfeitamente costurado; o seu cabelo estava penteado para trás com uma mecha encrespada; e, ao contrário dos super-homens magrelos ou barrigudos que normalmente desfilam pelas convenções, ele era o Super-Homem mais convincente que eu já vi, parecendo uma mistura entre Christopher Reeve e o ator Billy Zane [...].

Correndo para interceptar a dupla, Dan e eu explicamos quem éramos, o que nós estávamos fazendo e perguntamos ao "Super-Homem" se ele não se importaria em responder algumas perguntas. Ele não se importou e sentou em um poste de concreto, com um joelho encostado no símbolo do seu peito, completamente relaxado. Pensei que seria exatamente assim que o Super-Homem se sentaria. Um homem que é invulnerável a tudo sempre estaria relaxado e tranqüilo. Ele não precisaria das posturas fisicamente agressivas nas quais os super-heróis estão especializados. Comecei a entender o Super-Homem de uma nova forma.

TÃ-CHAN!

 [...] Todo o encontro durou uma hora e meia, e então ele partiu, graciosamente e a pé, fico triste em dizer. [...] Inflamado, fiquei acordado a noite toda, escrevendo sobre o Super-Homem até que o fumegante sol de agosto se levantou sobre os navios de guerra, os hangares e o pacífico. O resultado foi a minha história em doze edições "Grandes Astros: Superman", com o desenhista Frank Quietly, e o mesmo encontro inspirou alguns elementos do meu próximo relançamento de "Action Comics", com Rag Morales, então definitivamente valeu a pena.

Claro que nem sempre tudo é tão fácil:

San Diego, 2002, e o desenhista Chris Weston estava extremamente entusiasmado, me contando o quanto ele queria desenhar uma história com o Bizarro, a "duplicata imperfeita" e demente do Super-Homem. Naquele mesmo momento, como se diz, um visitante da convenção, vestido e falando ao contrário como o deformado Bizarro, apareceu na rua a nossa frente. Chris, sentindo que essa era a sua oportunidade para o seu próprio encontro com o espírito totêmico, levou o estranho pintado de verde para uma festa.

Ao contrário do cortês Super-Homem de 1999, o Bizarro se recusou a sair do lado de Chris, se tornando ainda mais beligerante, estridente e fiel ao personagem. Todos nós estavamos comprando bebidas para ele, e quanto mais bêbado ele ficava, mais autenticamente possuído pelo espírito dionísico do Bizarro ele ficava. Claramente irritado, Chris gemeu "eu não consigo me livrar dele! O que eu vou fazer?".

No final, da mesma forma que o Super-Homem diversas vezes fez, nós enganamos o Bizarro para que ele fosse pra casa, usando a sua lógica "nós faz contrário' contra ele. No estranho mundo do Bizarro, explicamos, as festas aconteciam quando você estava sozinho, não com outras pessoas. Outras pessoas, na verdade, estragavam uma festa. Ele se viu obrigado a admitir que isso fazia um sentido perfeitamente Bizarro e foi embora, subindo as escadas de costas, cego de bêbado, enquanto acenava e gritava "Olá, Bizarro!".

...no que deve ser o momento mais FOREVER ALONE da história da SDCC. E, olha, isso quer dizer muito. 

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