BLACK TUESDAY



A Publishers Weekly deu números [nas próximas oportunidades, o conteúdo será restrito a assinantes] à sua lista de quadrinhos mais vendidos da semana. Uma boa notícia soterrada pelo horror: Batman: The Court of Owls, de Scott Snyder e Greg Capullo [sobre o qual pairam boas críticas; a minha edição de Batman: Black Mirror, início da fase de Scott Snyder, está parada em alguma alfândega do Brasil, então não saberia dizer] encabeça a lista [essa é a boa, e se você reparar bem ela só é boa até prova em contrário]. 

As más é que os números são baixos se comparado ao mercado editorial de verdade [alguma edição aleatória de Sailor Moon entrou na lista com apenas 306 exemplares vendidos; o centésimo livro mais vendido na categoria geral vendeu 4608, 3 vezes mais que o quadrinho mais vendido] e que a lista é composta, basicamente, por lixo. Ainda no apartado "números", Marc-Oliver Frisch, do comiks debris, olhou pra essa estatística toda e, como bom nerd, pariu um gráfico, a partir do qual concluiu que as das séries mensais da DC voltaram ao seu estágio  de mediocridade comercial pré-New 52. 

Nada nunca vai dar certo? Eis um pensamento reconfortante para a sua terça-feira.

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Mas você pode comprar um BAT-RANGUE por US$ 750,00, se isso te faz sentir melhor. Nesse caso, a próxima vez que você se olhar no espelho, SAIBA: há algo de errado com a sua vida.

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Jonathan Hickman deu uma entrevista para Dave Richards, do CBR, sobre o mais-mega-evento-do-ano, AVX. Como bem destacou Graeme McMillan, do Newsarama, o melhor da entrevista é como ele, sem notar, dá a entender como funcionam esses mega-eventos para a equipe criativa: ninguém sabe onde está ou para onde vai. Sabe aquela frase feita de gira promocional, "foi  maravilhoso trabalhar com todos eles, a nossa sincronia era perfeita"? É isso -- só que não.

Agora releia a resenha de Leaping Tall Buildings [Tim Marchman, no WSJ].

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Se não conseguir apreciar a ironia disso, comece a trabalhar com a possibilidade de que você é fisicamente incapaz de perceber qualquer coisa: cientistas nerds [eles só podem ser nerds] criaram uma cabeça-robô [?]. Do Philip K. Dick. Aí ela foi esquecida dentro de um avião. Tá certo então. Torie Bosch, no Slate


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Capa da New Yorker dessa semana.
É do Daniel Clowes

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Há dez anos, ia pro ar o primeiro episódio de The Wire. Natalia Marcos, no El País, faz uma retrospectiva. Você tem que respeitar alguém que diz "que se foda o espectador médio". Mais ainda se ele é criador de uma série de televisão.

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Tente não ser um nerd tarja preta por um segundo: Flannery O’Connor lê um dos seus melhores contos, Um Homem Bom é Difícil de Encontrar. O áudio é de 1959. Essa é a sua única chance de escutar a voz dela.

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