PETER BAGGE: “OS ANOS 80 FORAM MUITO DIFÍCEIS PARA MIM, FINANCEIRAMENTE”

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A Fantagraphics lançou um The Complete Neat Stuff: dois gibis em capa dura com toda a série Neat Stuff, a revista que Peter Bagge publicou entre 1985 e 1989. Faz uns anos que Bagge não lança gibis novos, só republicações [além dos seus cartuns para a revista libertária Reason]. Pra aproveitar o gancho, o The Comics Journal publicou uma entrevista com o quadrinista. O entrevistador é o também quadrinista J. R. Williams [ainda que atualmente se dedique à pintura]. 

Como os dois são amigos, a entrevista tem várias anedotas pessoais: Williams, por exemplo, comenta como Bagge se mudou para Seattle a convite de Mike Tice -- atual treinador da linha ofensiva do Oakland Raiders, e então jogador do Seattle Seahawks, e, mais importante para o caso, cunhado da esposa de Bagge: “os jogadores eram bastante diferentes depois que você conhece eles. Alguns eram espertos e sensíveis, outros eram uns babacas”.


Bagge também fala sobre as motivações pessoais que levaram a algumas decisões profissionais, como deixar de fazer a Neat Stuff para lançar uma nova revista concentrada em Buddy Bradley, a Hate: “os anos 80 foram muito difíceis para mim, financeiramente Joanne estava indo bem na deli, mas não queria que ela me mantivesse por mais tempo. Também começamos a conversar sobre ter m filho, o que fazia do dinheiro uma coisa importante. Então o sucesso financeiro de Hate não poderia ter acontecido em um momento melhor”.[QUADRINHOS]

ALABASTER, DE OSAMU TEZUKA: “HISTÓRIAS COMPLEXAS E VISÃO NEGATIVA DO SER HUMANO”

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Francisco Javier López resenhou Alabaster, de Osamu Tezuka, no Tebeosfera. É um mangá que ilustra “de modo efetivo as principais características do período escuro de Tezuka”.

É uma época que vai “do final dos anos sessenta até a metade da década de setenta. Por um lado, a aparição do gekiga manga fez com que as suas obras parecessem mais infantis para a geração de leitoras que cresceu com elas e as vendas caíram. Por outro, os problemas econômicas que incomodavam a Mushi Production, o estúdio de animação criado por Tezuka em 1961, consumiram parte de sua fortuna e o artista decidiu abandoná-lo em 1968 para criar uma nova empresa, Tezuka Productions”.


Nessa época, Tezuka se dedicou a “construir histórias mais complexas, protagonizadas por personagens escuros com uma visão negativa do ser humano”, “com valores questionáveis e capazes de cometer crimes. Alabaster é um exemplo desse arquétipo”. [QUADRINHOS]

CHUCK DIXON: “PASSAVA O DIA NO CINEMA, NA BIBLIOTECA OU ANDANDO POR AÍ”

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Antes de colocar um All Star Batman nas mãos de Scott Snyder, deveriam entregar a série para Chuck Dixon. Ele segue na ativa: recentemente lançou um livro, Shrinkage, ambientado na Filadélfia dos anos 70 -- onde o próprio passou a sua juventude. Jerome Maida, do site Philly.com, falou com o escritor sobre o assunto.

A Filadélfia da década de setenta estava a todo vapor. Conforme diz Dixon, “a cidade estava no centro da indústria da música. O primeiro filme do Rocky. O bicentenário. A loucura do movimento MOVE. Parecia o lugar onde se deveria estar. E é a época com a qual eu mais estou familiarizado, e é a época em que eu era jovem e tinha os dois olhos abertos para receber tudo aquilo”.

Estava por lá, vagando: “nasci na Rua Irving, em West Philadelphia, e então nos mudamos para o Upper Darby. Trabalhei em muitos empregos sem futuro. Muitos deles eram empregos noturnos, então eu acordava e ia para a cidade, passava o dia no cinema, na biblioteca ou andando por aí até que era a hora do trabalho”. [ETCETERA]

SCOTT SNYDER: "ABRACE O SEU VILÃO INTERNO"

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Deram uma série All Star Batman pro Scott Snyder. Vai ser concentrada nos vilões do personagem, cada edição com um desenhista diferente, começando por Duas Caras e John Romita Jr.  Sean Edgar, da Paste Magazine, falou com Snyder sobre tudo isso.

Ele disse que adapta os seus roteiros ao desenhista: “tento abordar o desenhista e pergunto como eles gostam que escrevam para eles. Por exemplo, Jock gosta de roteiros completos, enquanto Romita e Capullo gostam de ter o maior espaço possível”.

Groovy.
Mas as diferentes histórias da série tem um tema em comum: “abrace o seu vilão interno”. “É uma grande história, secretamente. O tema da coisa toda é ‘você é o seu maior inimigo? Você é o seu herói ou o seu vilão?”. [QUADRINHOS]

NEIL GAIMAN: “É ENORME E COMPLICADO E EXISTEM MUITAS PARTES MÓVEIS”

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Neil Gaiman foi entrevistado por Dana Schwartz, do Observer. É uma boa fase para Gaiman: recentemente se tornou pai, publicou um livro novo, Mitologia Nórdica, lançou uma série nova, Deuses Americanos, e está na iminência de lançar outra, Belas Maldições. Pena que nada disso seja gibi.

Conforme ele explica na entrevista, em Deuses Americanos ele é uma “espécie de produtor-executivo”: “o que eu posso fazer é ler os roteiros, comentá-los, escrever notas, falar de cosias gerais. A última grande reunião que eu tive em uma sala de escritores, eles disseram ‘estamos presos no final da primeira temporada, porque queremos fazer isso e aquilo’ e eu disse porque vocês não fazem assim, assim, assim, e eles disseram ‘meu Deus, isso arruma tudo, isso é ótimo”.


Em Belas Maldições, ele é o roteirista: “são seis episódios, seis horas e agora estou começando o episódio seis, e em algum momento no início de agosto vou ir a uma leitura completa das seis horas do roteiro. Sei que é enorme e complicado e existem muitas partes móveis. É uma coisa na qual eu tive que, as vezes de forma frustrante, mudar coisas para que fique melhor na tv”. [QUADRINHOS]