LOUISE SIMONSON, SOBRE X-MEN: APOCALIPSE: “PEQUENO E AZUL, COMO UM SMURF”

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Lembra que teve um filme dos X-Men no ano passado, X-Men: Apocalipse? Abraham Riesman, do The Vulture, escreveu um perfil de Louise Simonson, que criou o seu vilão.

No perfil, Riesman conta a história por trás da criação do personagem. Ele foi feito para substituir o Coruja, vilão do Demolidor [recentemente reinventado por Brian Michael Bendis], que seria o vilão do X-Factor conforme os planos do roteirista anterior, Bob Layton. Diz Simonson: “O Coruja não me parecia o tipo de vilão que eu queria usar. Então pedi pro Bob Harras se podia substituí-lo por um vilão que eu queria. E, por algum motivo, sempre gostei da ideia de um vilão Darwiniano”.

Com uma fivela em formato de "A".

Simonson, que atualmente mora na pequena cidade de Suffern com o seu marido, Walter Simonson, não ficou muito impressionada com a versão para o cinema do seu vilão: “ele parece um cara pequeno e azul, como um Smurf”. O nome dela não apareceu nem nos créditos do filme, mas sobrou um troco. Conforme explica Riesman: “quando o Apocalipse estreou em 1986, a Marvel tinha um acordo pelo qual os criadores ganhavam royalties quando os personagens que eles criaram aparecessem em merchandising ou filmes”. [QUADRINHOS]

JOSÉ LADRÖNN E OS FILHOS DO TOPO: “NÃO QUERÍAMOS UMA HQ TRADICIONAL”

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A Glénat lançou no ano passado um gibi novo de Alejandro Jodorowsky [A Casta dos Metabarões], desenhado por José Ladrönn: Les Fils d’El Topo: Caïn. É o primeiro de três álbuns que vão formar uma continuação para o filme cult de 1970, El Topo, do próprio Jodorowsky. O blogue Smokyland publicou uma entrevista com Ladrönn sobre o assunto.

O álbum começou como o roteiro para uma continuação para o cinema do filme. Conforme explica Ladrönn, “Jodorowsky escreveu o roteiro de Les Fils d’El Topo faz mais de três décadas, como uma sequência para o filme. Desde então, ele está tentando fazê-lo, mas nós sabemos que não é fácil, precisa de muito tempo e dinheiro. Alejandro acredita que não existe fracasso, então quando você não consegue executar uma ideia de uma forma, pode fazê-lo de outra”.


O roteiro, inicialmente, virou um projeto de livro ilustrado -- não uma narrativa sequencial. Mas aí: “depois de ver as pinturas que eu fiz, Alejandro pensou que o desenho tinha potencial suficiente para se tornar, com alguns ajustes, um novo tipo de história em quadrinhos, no caso, uma com atmosfera de cinema. A ideia era clara para nós: não queríamos uma hq tradicional, queríamos um ‘filme gráfico’”. [QUADRINHOS]

WARLOCK, DE JIM STARLIN: “SÁTIRA ECLESIÁSTICA”

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Gene Phillips resenhou o Warlock de Jim Starlin. Foi no The Archetypal Archive. É a fase em que Starlin “atraiu a adulação dos fãs por dar a um herói medíocre uma nova vida, e por introduzir um novo vilão, Thanos, o semideus que adorava a Morte”.

Mas a diferença tá na sátira: “combina aventura especial com uma abordagem ampla de sátira política. Ele disse em uma entrevista online que ‘cresci muito católico, em escola paroquial, e Warlock foi a minha forma de trabalhar isso’”.


E na influência de Michael Moorcock: “a sua versão da gema da alma parece ser influenciada por duas criações de Moorcock: Dorian Hawkmoon, que usava uma gema no crânio, e Elric, um espadachim cuja lâmina consumia a alma de seus oponentes. Além disso, Moorcock também retratou personagens que eram versões alternativas de outros, mas a sátira eclesiástica de Starlin é inteiramente original”. [QUADRINHOS]

SHIN GODZILLA, DE HIDEAKI ANNO E SHINJI HIGUCHI: “A PEDRA DE TOQUE NÃO É MAIS A BOMBA NUCLEAR”

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Existe uma promessa vaga de que Shin Godzilla, o novo filme japonês do monstrão mais famoso do cinema, dirigido por Hideaki Anno e Shinji Higuchi, vai estrear um dia no Brasil. Enquanto esperamos, a pedida é ler esse artigo de Matt Alt, da The New Yorker, sobre o filme.

O que ele diz é que o filme foi feito com os olhos postos no Japão atual. Nas palavras de Alt: “os diretores estão minando as memórias do público japonês em busca de efeito dramático. Mas a pedra de toque não é mais as bombas nucleares ou incendiárias. Ao invés disso, elas são o terremoto e o tsunami de 2011, que mataram quase vinte mil pessoas e apresentaram o Japão a uma nova forma de terror nuclear”. [ETCETERA]

DAN DIDIO: "NÓS NÃO PUBLICAMOS GIBIS PARA CRIANÇAS. PUBLICAMOS GIBIS PARA ADULTOS DE 45 ANOS"

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Abhay Kholsa escreveu um post gigante no The Savage Critics para explicar por que Dan DiDio não é um bom administrador para a DC Comics. Foi uma resposta a um artigo deprimente que Michael Davis escreveu no Bleeding Cool [“Porque nós ainda estamos reclamando de Dan DiDio?”; o principal argumento é: “ele ama gibis”] e foi escrito logo depois das acusações contra Eddie Berganza começarem a pipocar pela Internet.

Parte do problema é que Dan DiDio é uma pessoa abertamente polêmica, do tipo que não se importa e ofender pessoas, e Kholsa não -- no início do post, há um aviso de que se trata de “uma opinião apresentada para efeitos puramente de entretenimento. Nada aqui escrito deve ser interpretado como uma representação de fato puro e duro -- são apenas opiniões”. 

De qualquer forma, o artigo explicita os problemas que DiDio enfrentou mantendo quadrinistas e editores de ponta na DC [para isso, cita Mark Waid e Greg Rucka, reconhecidamente reclamões, mas também quadrinistas anônimos, mas também Warren Ellis, Paul Jenkins e Kevin Maguire]. Esse é o principal argumento de Kholsa. 

Também mostra as dificuldades que a DC teve para capitalizar seus grandes eventos e a a propensão da editora para “ignorar áreas em crescimento dos quadrinhos”. Citando Paul Pope: “Me sentei com o chefe da DC, queria fazer uma série do Kamandi, o personagem de Jack Kirby. Fiz uma excelente proposta… e ele disse ‘você acha que isso vai ser para crianças? Pare, pare por aí. Nós não publicamos gibis para crianças. Publicamos gibis para adultos de 45 anos. Se quer fazer gibis para crianças, pode escrever Scooby-Doo’. E eu pensei: ‘acho que vamos nos separar’”. [QUADRINHOS]