A ORIGEM DO PROFESSOR XAVIER: A MARCA DE CAIM EM LINGUAGEM DE GIBI

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No The Archetypal Archive, Gene Phillips explicou as referências míticas de X-Men #12-13, de Stan Lee e Jack Kirby [a primeira, sobre esboços de Alex Toth]. É a história que marca a primeira aparição do Fanático e que conta a vida pré-X-Men do Professor Xavier.

Primeiro, ele especula sobre a conexão do Fanático, Cain Marko, com o Caim bíblico: “acho que os criadores vagamente lembravam de uma das conotações da ‘Marca de Caim’: que ela supostamente anunciava que Caim, assassino do seu irmão, não deveria ser ferido. Essa lembrança vaga provavelmente foi refletida no idioma super-heroico e se tornou a história de um homem que não tem uma marca, mas que é invulnerável -- e que tentou, em outra oportunidade, matar o seu irmão”. [QUADRINHOS]

BLACK PANTHER #1, DE TA-NEHISI COATES E BRIAN STELFREEZE: “AS ENTREVISTAS SÃO MAIS DIVERTIDAS QUE O GIBI”

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Ken Parille usou a sua coluna no The Comics Journal para fazer alguns comentários sobre Black Panther #1. É a série do Pantera Negra que a Marvel lançou no ano passado, escrita por Ta-Nehisi Coates [colunista da The Atlantic, escritor de Entre o Mundo e Eu] e desenhada por Brian Stelfreeze [mais conhecido pelos seus trabalhos como capista de gibis].

Vários dos comentários são dedicados a comparar a série com a Jungle Action de Dan McGregor e Billy Graham:


Parille gostou mais das ideias do que da execução: “depois de ler Black Panther #1, li algumas coisas sobre os planos de Coates para a série. Estranhamente, as entrevistas são mais divertidas que o gibi. Quando ele fala, a série parece inteligente e diferente”, enquanto que é “parecida com os outros gibis de 2016 da Marvel: proficiente no visual, verbalmente minimalista e excessivamente colorizado”.[QUADRINHOS]

MIKE MIGNOLA: “É UMA DESAS COISAS DAS QUAIS EU ME ORGULHO: FIZ UMA COISA ESTRANHA COM UM NOME INCRIVELMENTE ESTÚPIDO”

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Com o final de Hellboy in Hell, Mike Mignola vai deixar de desenhar o seu personagem mais conhecido. Ele falou sobre a decisão e a sua carreira com Alex Dueben. A entrevista foi publicada no site Suicide Girls

Ele comentou que estava comandando a série no modo comanche: “em determinado momento, você não está pensando mais comercialmente. Você está quase pensando, ‘do que eu consigo me safar?’. Consegui fazer Hellboy por X anos, mas eu conseguiria desenhar o Hellboy vagando por um mundo feito de coisas que eu queria desenhar por diversão? É uma zona cinzenta estranha: esse é o meu trabalho, ou isso sou eu desenhando coisas que me divertem e as pessoas me dão dinheiro?”.


Não que, no início, a coisa fosse muito planejada: “a minha pergunta favorita que jovens artistas me fazem é como você criou essa franquia transmídia, ou o que quer que seja que chamem isso. Primeiro, se eu pensasse que estava criando isso, teria inventado outro nome que não fosse Hellboy. Esse é o nome mais estúpido que se poderia inventar. É uma dessas coisas das quais eu me orgulho: fiz uma coisa estranha, com um nome incrivelmente estúpido, e, mesmo assim, teve mais sucesso do que eu podia imaginar”. [QUADRINHOS]

MARVEL 2099 EM RETROSPECTIVA

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O Universo Marvel 2099 andou dando as caras novamente. No The Geekverse, Zedric Dimalanta aproveitou a oportunidade para escrever uma longa retrospectiva, misturando história e crítica, do selo original. Ela se divide em seis partes [uma sobre a origem da ideia, as outras cinco sobre os principais personagens e séries] e se concentra, apenas, na fase em que Joey Cavalieri foi o editor -- a única que interessa.

Dimalanta mostra a origem do selo 2099, na primeira parte, no projeto The Marvel World of Tomorrow, que emparelharia John Byrne e Stan Lee, provavelmente em uma versão futurística de Nick Fury e a SHIELD. Byrne acabou caindo fora [reaproveitando algumas ideias em John Byrne’s 2012] e o futuro da Marvel foi remodelado por Tom DeFalco, Mark Gruenwald, Bob Harras, Ralph Macchio e Fabian Nicieza

Na segunda parte, ele fala de Ravage 2099 e Homem-Aranha 2099. O primeiro, se pode especular, é o resultado “de um saque sobre o que restou do The Marvel World of Tomorrow, tirando as contribuições do Byrne”. É, no entanto, um fracasso: “passa a impressão de que é um escritor cujas sensibilidades narrativas e estilísticas estão fundadas em uma era anterior, e a mensagem ambientalista forçada não ajuda”. Sobre o segundo, tudo que você precisa saber está aqui.

Depois, Dimalanta comenta Destino e Justiceiro 2099. Escrita por John Francis Moore, Destino 2099 é interessante pelo “alcance literário de seus temas e de sua estrutura”: “Moore é claro na inspiração para a narrativa maior de Destino 2099”, citando Henry V, de Shakespeare nas quatro primeiras edições. Moore é substituído por Warren Ellis, que troca Henry V por Macbeth. O auge é One Nation Under Doom, um dos melhores crossovers dos anos 90. Já Justiceiro 2099 é um remake de Marshal Law, série da Epic Comics do seu escritor, Pat Mills.


John Francis Moore também escreveu X-Men 2099 [os desenhos são de Ron Lim], e soube se valer da “distância temporal dos dias atuais” para “desviar dos clichês étnicos cansativos do design dos personagens do século XX”. Não soube, no entanto, “resolver as subtramas da série, talvez em uma tentativa de imitar o estilo de Claremont”.

A quinta parte é sobre 2099 Unlimited, a antologia de histórias ambientadas no universo 2099, e Hulk 2099, que surgiu naquela mesma revista e ganhou uma série própria “no pior momento possível”. 2099 Unlimited é “um dos gibis da Marvel mais estilisticamente diversos e genuinamente interessantes dos anos 90”, o “mais próximo que a editora chegou de criar algo como a antologia de ficção científica britânica 2000 AD”.


A última parte da retrospectiva é dedicada ao “furioso” Ghost Rider 2099, “especialmente dedicado a explorar as implicações filosóficas e sociais da tecnologia futurística”, sob grande inspiração do escritor cyberpunk William Gibson. [QUADRINHOS]

DICK TRACY, DE CHESTER GOULD: “LOUCURA AMERICANA”

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Frank Young, no The Comics Journal, escreveu um artigo sobre “o louco fascínio” que exercem as tiras de Dick Tracy, de Chester Gould. “É uma loucura delirante, mas é uma loucura tipicamente americana”.

É que “o trabalho de Gould se aconchegava no interior da psique americana dos anos 30, 40 e 50. Era uma época incerta e violenta, e a ameaça do gangsterismo, o ímpeto de Tracy em 1931, deram lugar ao nosso medo nacional do fascismo, nazismo, comunismo e guerra nuclear. Dick Tracy ao mesmo tempo celebrava e apaziguava esses medos compartilhados”.


Fazia isso através de “uma mistura de violência grand guignol, comédia desajeitada e procedimentos policiais sinistros”, mostrando “como um indivíduo vira um criminoso, e então como o criminoso é afastado da sociedade em direção a um limbo de perseguição e captura, com a prisão ou a morte esperando no final”. [QUADRINHOS]