MARK EVANIER, SOBRE JACK KIRBY: “KIRBY SABIA QUE O SEU TRABALHO SERIA CONHECIDO DEPOIS DE SUA MORTE”

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Faz umas duas semanas, coloquei aqui um link para um perfil que Alexi Worth, da Art in America magazine, escreveu sobre Jack Kirby. Ele tem um complemento: esta postagem que Mark Evanier fez no seu próprio blogue, News From Me, completando e discordando de algumas das afirmações de Worth. É que Evanier, além de ter trabalhado com Sérgio Aragonés em Groo, o Errante, escreveu Kirby: King of Comics, a biografia do Rei.

São “poucas coisas, e não estão relacionadas à tese central”. Uma delas: “a dúvida que Worth tem sobre e Jack previu a sua própria imortalidade como artista. Jack, de forma surpreendentemente não egoísta, falava com frequência que o seu trabalho sobreviveria a ele... assim como o trabalho de outros grandes criadores de quadrinhos. Ele com certeza esperava que houvessem reedições, com impressões de luxo, e ser exposto em galerias”.


Evanier também discorda do fracasso das séries que Kirby fez para a DC nos anos 70: “são séries que foram canceladas de forma prematura por uma empresa que estava ruindo por todos os lados na época, e que teve que ser reconstruída, quase que do chão, alguns anos depois”.  [QUADRINHOS]

FLÁVIO COLIN: “DEIXOU DE LADO O ORGULHO”

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Hoje, Flávio Colin, talvez o maior quadrinista brasileiro de todos os tempos, faria 86 anos. O artigo A pluralidade completa de Colin, de Gonçalo Junior [que também escreveu A Guerra dos Gibis], é o que você vai encontrar de mais completo sobre “O Mestre” brasileiro: tanto de biografia, como de apreciação crítica. Não sei onde ele foi originalmente publicado. O link te leva para a fanpage de Colin no Facebook.

Na parte da apreciação crítica, temos reflexões sobre o estilo de Colin: “jamais se perceberá em seus quadrinhos e desenhos avulsos referências explícitas dos mestres que o influenciaram”, como Milton Caniff, Noel Sickles e Alex Toth, “ou a presença de algum modismo passageiro do momento – como mangá, ou o academicismo clássico americano ou europeu. Ao contrário, oferecia diversas possibilidades para ser referência a quem pretendia desenhar, em especial nas angulações, nos cenários, na arte-final ou mesmo na mera distribuição dos balões pelos quadrinhos”.


A parte biográfica é mais deprimente. Olha só como o artigo começa: “Nos últimos anos, Colin praticamente implorava por trabalho. Deixou de lado o orgulho e, com lágrimas nos olhos, dizia para os mais próximos que não merecia a humilhação de pedir para que publicassem os seus quadrinhos. Não fazia isso por vaidade, mas pela própria sobrevivência financeira. Com os dois filhos já criados, subsistia ao lado da esposa de toda a vida, dona Norma, com uma aposentadoria de R$ 358,00”. [QUADRINHOS]

A TRILOGIA DE GALACTUS, DE STAN LEE E JACK KIRBY: "É IMPOSSÍVEL NÃO COMPARAR O NULIFICADOR TOTAL COM A BOMBA ATÔMICA"

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Fantastic Four #48-50, de Jack Kirby e Stan Lee, a trilogia de Galactus original: é o alvo dessa resenha de Gene Phillips, no Archetypal Archive. A história, apesar de não ser “incrivelmente original” [“o filme Kronos, de 1957, trata de um mecanismo alienígena gigante enviado para a Terra para saquear os seus recursos”], a história tem potencial “mítico”.


O Surfista Prateado, por exemplo, “combina alguns temas judaico-cristãos fascinantes. É difícil dizer se Lee ou Kirby traçaram paralelos conscientes ou não entre o Surfista e o Filho de Deus cristão, não só porque esse não se rebela contra o seu Pai. Rebelião é mais o departamento de Satã/Lúcifer, que geralmente é caracterizado como o contrário da boa sorte da humanidade”. [QUADRINHOS]

BRYAN HITCH: “FUI CRIADO DE FORMA ESTRITAMENTE CATÓLICA”

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Bryan Hitch foi entrevistado por Vaneta Rogers, na revista Tripwire. Os dois conversaram sobre JLA, a série que a DC deu para Hitch com a formação clássica de seu principal supergrupo. Hitch, pelo visto, copiou umas coisas de sua fase em The Authority.

É que o vilão da primeira edição é Rao, o “deus” de Krypton... com um twist antirreligioso. Ele chega a dizer que a Igreja Católica matou “bilhões” de pessoas: “quando você está ligando com algo como a Liga da Justiça, você precisa de algo que ameace todo o mundo. Eu gosto da ideia de 'deus' vindo para a Terra, e a ideia de que muitas pessoas pensariam que isso é uma coisa boa, não um personagem sinistro que viria para cá para oprimir”.


Ele fala bastante sobre essa questão na entrevista: “eu fui criado de forma estritamente católica, e, adulto, eu certamente não sou isso”. “Sempre te dizem para escrever sobre o que você sabe, e são essas coisas que eu aprendi crescendo. Eu supostamente seria um padre, uma época”. Mas também: “não quero enfiar isso goela a baixo dos leitores. Apenas toco no assunto”. [QUADRINHOS]

JILL LEPORE: “MARSTON E MUITOS DOS SEUS LEITORES ACHAVAM BONDAGE EXCITANTE”

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Paul Gravett entrevistou Jill Lepore. Gravett é o conhecido jornalista do mundo dos quadrinhos, escritor dos livros Mangá: Como o Japão Reinventou os Quadrinhos, 1001 Comics You Must Read Before You Die e, mais recentemente, Comics Art. Ela, historiadora e escritora do New Yorker, teve publicado no ano passado o livro The Secret History of Wonder Woman. A Mulher Maravilha, como não poderia deixar de ser, foi o tema da entrevista.

Uma das coisas sobre as quais Lepore fala é a fixação de William Moulton Marston em retratar a Mulher Maravilha acorrentada em seus gibis. Conforme o próprio, seria uma alegoria: “A Mulher Maravilha foi criada como um símbolo da mulher emancipada e, para se tornar emancipada da tirania e do controle dos homens, ela precisava ser acorrentada por vilões malvados, para poder se emancipar”.


Tem também o motivo “b”: “ele e certamente muitos dos seus leitoras achavam bondage excitante, como Marston escreve em outros lugares. O que é certo é o seguinte: nos anos 10 e nos anos 20, sufragistas, feministas e ativistas do controle de natalidade usavam correntes na sua iconografia e na sua retórica. Acho que Marston tentou seguir essa tradição. Que também significava outra coisa, acho que é inegável”. [QUADRINHOS]