PATIENCE, DE STEVE DITKO: REALISMO SOCIAL, AVENTURA DE VIAGEM NO TEMPO, HISTÓRIA DE AMOR E STEVE DITKO

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Matthias Wievel resenhou Patience no Hooded Utilitarian [que recentemente suspendeu as suas atividades, aliás]. É o novo gibi de Daniel Clowes, “o seu primeiro trabalho inequivocamente romântico”.

Romântico,  mas também “realismo social e aventura de viagem do tempo”: “o seu protagonista, o auto-descrito perdedor Jack Barlow, e a sua amada esposa Patience estão esperando o seu primeiro filho. Mas um dia ele chega em casa e encontra ela assassinada na sala de estar. Ele passa os próximos dezessete anos de forma monomaníaca, e em vão, tentando encontrar o assassino até que, de repente, ele recebe a chance de viajar no tempo, salvar Patience e assegurar o nascimento da criança”.


A narrativa tem um toque de Steve Ditko: “os interlúdios surreais, nos quais ele evoca as abstrações do Dr. Estranho, assim como os gibis objetivistas bizarramente carregados de simbolismo de Ditko, parecem perfeitamente calibrados e emocionalmente merecidos nessa história sobre a ordem das coisas”. [QUADRINHOS]

AL JAFFEE: “O HUMOR DA MAD ERA PROFUNDAMENTE JUDEU”

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Al Jaffee, o mais longevo cartunista da Mad [sessenta anos e contando; é o responsável pela Ridícula Dobradinha da Mad e pelas Respostas Cretinas para Perguntas Imbecis] foi entrevistado por Leah Garrett. A entrevista foi publicada na revista judia Foward

Garrett e Jaffee basicamente falaram sobre a influência da cultura judia na revista: “os dois principais arquitetos da Mad durante a primeira década, Jaffee explicou, o editor Harvey Kurtzman e o artista Willie Elder, cresceram em famílias nova-iorquinas em que os pais falavam e discutiam em Yiddish. Para eles, essa era uma língua inerentemente engraçada que os seus pais usavam para contar segredos e se xingar”.


Tem mais: “ele explicou que o humor da Mad era profundamente judeu porque estava baseado na sátira criada por uma comunidade que se enxergava como não tendo tanto poder, e que usava piadas para derrubar aqueles que 'tinham se dado bem'. Como ele explicou, sendo um garoto judeu em um shtetl, que estava sempre com fome, 'a sua única vingança é expor e debochar das fragilidades dos peixes grande e das pessoas que eram melhor do que você'”.

DEADPOOL #11, DE JOE KELLY E PETE WOODS: “CONTRAPONTO AMORAL DO HOMEM-ARANHA”

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Matt D. Wilson, do Comics Alliance, resenhou Deadpool #11 [de sua primeira série, originalmente publicado no fim de 1997], de Joe Kelly e Pete Woods. A tese: esse é o primeiro gibi em que o personagem foi escrito na forma pela qual ele é conhecido hoje em dia. Na meta-história: Deadpool volta no tempo e substitui o Homem-Aranha em Amazing Spider-Man #47.

Na história, Woods “Gumpeia” a arte original de John Romita Sr.:


Um dos argumentos para a tese está na capa: “não é a primeira capa da série em que Deadpool faz uma piada, mas se pode dizer que é a primeira que ele fala diretamente para o público, dizendo que é um personagem em um gibi”.


Substituindo o Homem-Aranha pelo Deadpool, diz Wilson, Kelly alcança dois objetivos: “primeiro, ele mostra que o Deadpool é tão engraçado e divertido quanto o personagem principal da Marvel”; segundo, “eles mostram que ele não é o Homem-Aranha. Ele faz piadas, mas elas são mais afiadas. Ele usa armas. Ele tem espadas. Ele é o contraponto amoral do bondoso Homem-Aranha”. [QUADRINHOS]

JUPITER'S LEGACY, DE MARK MILLAR E FRANK QUITELY: “O DECLÍNIO DOS SUPER-HERÓIS É, DE NOVO, UMA METÁFORA DO DECLÍNIO AMERICANO”

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Talvez pelos problemas com a periodicidade, Jupiter's Legacy, de Mark Millar [Guerra Civil] e Frank Quitely [We3], meio que saiu do foco. Daniele Croci, do Fumetto Logica fez a sua parte: escreveu uma resenha sobre a primeira metade da maxissérie.

O resumo: “Jupiter's Legacy articula a questão super-heroica como um dilema moral, centrado na questão da responsabilidade. Ecoando narrativas clássicas como os mitos gregos ou Hamlet, de Shakespeare, o espectro do fracasso dos país se torna uma metonímia da questão sociopolítica mais ampla. Não falta uma reflexão histórica velada e inofensiva (não arriscaria a dizer termo 'crítica'): o declínio dos super-heróis é, assim, mais uma vez, metáfora do declínio americano como potência hegemônica, principalmente no que se refere às crises cíclicas do capitalismo”.


A parte mais forte em elogios é reservada para Quitely: “sem ele, Jupiter's Legacy seria apenas uma história discreta e ultraderivativa. O autor escocês abandona o virtuosismo e a experimentação visual, colocando a arte a serviço da fluência e da legibilidade”. [QUADRINHOS]

DEUKHU: “SEMPRE FOI UM INSULTO”

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É a Vingança dos Nerds: a The Economist publicou uma matéria sobre como o nerdismo dominou... a Coreia do Sul. Zero to Hero te mostra como o colecionismo obsessivo foi do “ostracismo a ser celebrado”.

A palavra coreana para “nerdismo” é “deukhu” -- evitemos o universo de trocadilhos possíveis: “o termo deriva do termo japonês otaku e descreve aqueles que tem um interesse obsessivo. Na Coreia do Sul, deukhu sempre foi um insulto. Muitos associavam esse comportamento ao apego perigosamente antipatriótico aos produtos culturais exportados pelo Japão, muitos dos quais estavam banidos na Coreia do Sul do fim do domínio imperial Japonês em 1945 até recentemente, nos anos 90”.

Agora, tudo mudou: “as redes sociais das pessoas legais de vinte anos estão entupidas da hashtag deukmingout: fanático saindo do armário”. [ETCETERA]