SUPERDUPERMAN, DE HARVEY KURTZMAN E WALLY WOOD: “TODA FICÇÃO ESCAPISTA É, PELA SUA NATUREZA, UMA COMPENSAÇÃO NEGATIVA”

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Gene Phillips, do The Archetypal Archive, resenhou uma das mais conhecidas da antiga Mad: Superduperman, de Harvey Kurtzman e Wally Wood. Ele já tinha tratado do assunto antes. Agora, foi para descrevê-la como uma história que “personifica os argumentos anti-mainstream de Adorno e Wertham”.

O argumento é o seguinte: “toda ficção escapista é, pela sua natureza, uma 'compensação negativa' que isola a audiência da realidade”. No caso de Superduperman, Kurtzman e Wood fazem isso “lançando um olhar crítico sobre a ideia de que os super-heróis são uma compensação pelos fracassos que as pessoas enfrentam na vida”.


A dupla também “mina a fantasia implícita no mito do Super-Homem e em muitas narrativas de super-heróis”: “em vez de responder aos músculos gigantes de Superduperman, Lois rejeita o herói e Clark Bent, afirmando que o seu supercorpo não faz com que ele deixe de ser 'um cretino'”. [QUADRINHOS]

SPAWN #258, DE TODD MCFARLANE E ERIK LARSEN: “PARA OS FÃS DOS ANTI-HERÓIS EXTREMOS DOS ANOS 90”

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Todd McFarlane [roteiro e arte-final] e Erik Larsen [desenhos] se reuniram para meio que rebootar Spawn. A primeira edição da equipe [completada por FCO Plascencia, colorista], Spawn #258 [Spawn já tá na edição 258, velhinho], foi resenhada por Oliver Sava, no AV Club.

Você pode esperar exatamente o que seria lógico em uma reunião dos dois fundadores da Image: “Spawn #258 é um gibi feito sob medida para os fãs dos anti-heróis extremos dos anos 90. Não tenta interpretar o Spawn para uma sensibilidade moderna, como recentes ‘novas direções’ da série tentaram”.


O negócio é porrada: “não é o gibi para se comprar em busca de desenvolvimento de personagem com nuances ou tramas complexas, mas é o gibi perfeito para o leitor que quer ação sem parar, detalhando uma longa luta de Spawn contra 3493 demônios”. [QUADRINHOS]

FRANK MILLER: “AINDA ESTOU IRRITADO”

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Cavaleiro das Trevas 3 está na banca; Frank Miller, no The Vulture, sendo entrevistado por Abraham Riesman, do The Vulture. Riesman diz que Miller “faz jus à sua reputação de provocador”: noutras palavras, ele tá a mil.

Ele fala bastante, no entanto, sobre o primeiro Cavaleiro das Trevas... e sobre como ele foi mal interpretado: “as pessoas pensaram que eu fiz de Batman um anti-herói quando, na verdade, eu queria que ele fosse o mais puro dos heróis. A ideia é que ele era, como Robin Hood, um personagem introduzido em uma época em que a ordem estabelecida era errada e tinha que ser derrubada. Então ele é, politicamente, um radical e um revolucionário que está tentando derrubar um estado policial corrupto”.



E tudo isso foi feito com raiva: “o que mais me surpreende quando eu releio a história é como eu estava irritado quando escrevi ela. Eu estava extremamente irritado, estava imerso nos filmes do Dirty Harry, e fiz com que Batman fosse tão irritado quanto se poderia conceber. É divertido revisitar a história porque eu ainda estou irritado”. [QUADRINHOS]

“SHIGERU MIZUKI RESSUSCITOU O YOKAI, TRANSFORMANDO-OS EM CULTURA POP PARA AS MASSAS”

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Matt Alt escreveu um perfil de Shigeru Mizuki na The New Yorker. Passa pela biografia, pela obra de Mizuki e pelo papel que o yokai [“frequentemente mal traduzido como 'fantasmas', yokai são espíritos do mundo natural, mais parecidos com as fatas da Inglaterra”] tem nisso tudo.

É que, no Japão, o “nome Mizuki é virtualmente sinônimo de GeGeGe no Kitaro e de yokai”: “fãs japonesas frequentemente ficam surpreendidos ao saber que ele é mais conhecido pelas histórias de guerra, e não pelos contos yokai, que Mizuki é mais conhecido no estrangeiro”.


Como Alt explica, “contos sobre essas criaturas mutantes e animais que vivem em rios, montanhas, florestas e mares, passaram de geração em geração pela tradição oral, formando parte da vida japonesa até o século XIX. Foi então que a educação moderna se espalhou, e uma campanha para erradicar 'crenças populares tolas' enxotaram eles da consciência pública. A obra de Mizuki  praticamente sozinha ressuscitou essas criaturas folclóricas dos anais empoeirados da história e da academia, e recontextualizou eles como cultura pop para as massas”. [QUADRINHOS]

HAYAO MIYAZAKI: “CRIANÇAS PRECISAM VER COISAS INCOMPREENSÍVEIS QUE ELAS VÃO ENTENDER DEPOIS”

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Um negócio legal que o mundo nerd-cinematográfico tem são esses canais de YouTube que falam de cinema -- empolgados mas também técnicos, e feitos por fãs. Lewis Bond, do Channel Criswell, é um bom exemplo. Esse vídeo, um ensaio sobre Hayao Miyazaki [A Viagem de Chihiro, Vidas ao Vento], não só tá numa intersecção de assuntos new-fronteirísticos, como também inclui diversos [e reveladores] trechos de entrevistas de Miyazaki.

Bond fala sobre como Miyazaki faz para criar empatia entre o público e os seus personagens: detalhes na caracterização [o que envolve momentos em que eles não estão fazendo nada em especial], um certo minimalismo e uma preocupação com emoções humanas [enquanto que os elementos fantásticos são ambíguos] são alguns dos fatores envolvidos.